A guerra
Musa, pois cuidas que é sal
o fel de autores perversos,
e o mundo levas a mal,
porque leste quatro versos
de Horácio e de Juvenal,
Agora os verás queimar,
já que em vão os fecho e os sumo;
e leve o volúvel ar,
de envolta como turvo fumo,
o teu furor de rimar.
Se tu de ferir não cessas,
que serve ser bom o intento?
Mais carapuças não teças;
que importa dá-las ao vento,
se podem achar cabeças?
[...]
"Obras Poéticas", Nicolau Tolentino
(Nicolau Tolentino nasceu no dia 10 de Setembro de 1740. Morreu em 1811.)
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segunda-feira, 10 de setembro de 2018
domingo, 10 de setembro de 2017
Nicolau Tolentino 5
Pintando uma bulha de dois bêbados
De descalços miqueletes rodeado,
Por escuro armazém da Boavista
Vinha saindo um trémulo chupista,
Em rota capa às canhas embuçado;
Outro que tal o traz desafiado,
Cachimbo no chapéu, calção de lista;
E fora o caso porque o tal copista
Pagou primeiro, sendo convidado;
Ambos errando uma infeliz punhada,
Consigo em terra os vis atletas deram
Ao som de vergonhosa surriada;
Famosos socos entre os dois se esperam;
Mas a gente ao redor ficou lograda,
Porque em vez de brigar adormeceram.
"Obras Poéticas", Nicolau Tolentino
(Nicolau Tolentino nasceu no dia 10 de Setembro de 1740. Morreu em 1811.)
De descalços miqueletes rodeado,
Por escuro armazém da Boavista
Vinha saindo um trémulo chupista,
Em rota capa às canhas embuçado;
Outro que tal o traz desafiado,
Cachimbo no chapéu, calção de lista;
E fora o caso porque o tal copista
Pagou primeiro, sendo convidado;
Ambos errando uma infeliz punhada,
Consigo em terra os vis atletas deram
Ao som de vergonhosa surriada;
Famosos socos entre os dois se esperam;
Mas a gente ao redor ficou lograda,
Porque em vez de brigar adormeceram.
"Obras Poéticas", Nicolau Tolentino
(Nicolau Tolentino nasceu no dia 10 de Setembro de 1740. Morreu em 1811.)
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terça-feira, 8 de abril de 2014
Basílio da Gama
A Uma Senhora Natural do Rio de Janeiro, Onde se Achava Então o Autor
Já, Marfisa cruel, que não maltrata
Já, Marfisa cruel, que não maltrata
Saber que usas comigo de cautelas,
Qu'inda te espero ver, por causa delas,
Arrependida de ter sido ingrata.
Com o tempo, que tudo desbarata,
Com o tempo, que tudo desbarata,
Teus olhos deixarão de ser estrelas;
Verás murchar no rosto as faces belas,
E as tranças d'oiro converter-se em prata.
Pois se sabes que a tua formosura
Pois se sabes que a tua formosura
Por força há de sofrer da idade os danos.
Por que me negas hoje esta ventura?
Guarda para seu tempo os desenganos,
Guarda para seu tempo os desenganos,
Gozemo-nos agora, enquanto dura,
Já que dura tão pouco, a flor dos anos.
"Obras Poéticas", Basílio da Gama
(Basílio da Gama nasceu no dia 8 de Abril de 1741. Morreu em 1795.)
"Obras Poéticas", Basílio da Gama
(Basílio da Gama nasceu no dia 8 de Abril de 1741. Morreu em 1795.)
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