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segunda-feira, 25 de maio de 2026

O homem que sabia de codornizes

José Mário Branco. Contou a jornalista Catarina Carvalho, no DN, que José Mário Branco lhe dissera uma vez, durante a produção de um disco para uma fadista famosa, que aquilo era trabalho de rigor, de filigrana. "É chupar os ossinhos da codorniz", explicava o mestre.
Fiquei contente. José Mário Branco sabia de quase tudo e, tomem lá, até sabia de codornizes. E eu não sei de nada, mas desunho-me satisfatoriamente com as codornizes. A minha platónica relação com José Mário Branco era de admiração e reverência. Sobretudo respeito: silêncio, que se vai ouvir José Mário Branco. A partir daquele momento a nossa relação passou a ser de camaradas, acho que tenho esse direito. Que ninguém separe o que a codorniz uniu. E era mais duas bifanas e dois fininhos, se faz favor!

No mesmo DN escreve-se sobre "tetos" para os sem-abrigo em Lisboa. Tetos, pois. Quando forem horas de mamar, chamem-me.

P.S. - Publicado no dia 24 de Novembro de 2019 e agora com versão actualizada e aumentada no meu blogue Mistérios de Fafe. José Mário Branco (1942-2019) faria hoje 84 anos.

domingo, 24 de novembro de 2019

O homem que sabia de codornizes

José Mário Branco. Conta a jornalista Catarina Carvalho, do DN, que José Mário Branco lhe disse uma vez, durante a produção de um disco para uma fadista famosa, que aquilo era trabalho de rigor, de filigrana. "É chupar os ossinhos da codorniz", explicava o mestre.
Fiquei contente. José Mário Branco sabia de quase tudo e, tomem lá, até sabia de codornizes. E eu não sei de nada, mas desunho-me satisfatoriamente com as codornizes. A minha platónica relação com José Mário Branco era de admiração e reverência. Sobretudo respeito: silêncio, que se vai ouvir José Mário Branco. A partir de hoje a nossa relação é de camaradas, acho que tenho esse direito. Que ninguém separe o que a codorniz uniu. E era mais duas bifanas e dois fininhos, se faxavor!

P.S. - No mesmo DN escreve-se sobre "tetos" para os sem-abrigo em Lisboa. Tetos, pois. Quando forem horas de mamar, chamem-me.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

José Mário Branco (1942-2019)

Inquietação

A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes

São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria

Se as cumprisse todas juntas
Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

José Mário Branco

São flores aos milhões

Foto Hernâni Von Doellinger

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Guerra Colonial sobe ao palco no Porto

Criado a partir do livro "Não sabes como vais morrer", do jornalista Jaime Froufe Andrade, o espectáculo "Estórias do mato - a Guerra Colonial em palco" sobe à cena no Teatro Helena Sá e Costa, de 9 a 12 de Maio, sempre às 21h30. A peça, apresentada pelo TEatroensaio, tem dramaturgia e encenação de Pedro Estorninho e música original de José Mário Branco.
Antes. Na próxima sexta-feira, 3 de Maio, também pelas 21h30, a Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto acolhe um evento paralelo de promoção do espectáculo: a conferência "Memórias de Guerra e de Futuro", com os jornalistas Froufe Andrade e Nuno F. Santos e o encenador Pedro Estorninho, director artístico do TEatroensaio.