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sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Andante con moto

O segundo andamento da 5.ª Sinfonia de Beethoven, dita Sinfonia do Destino, ou, só para complicar, melhor chamada Sinfonia n.º 5 em Dó menor Op. 67, deve ser tocado em Andante con moto. Isto é, pede-se um ritmo lento, como se fôssemos nós apenas a caminhar, naturalmente, um passo e depois outro, mas com o cuidado de não adormecermos de pé. Andante, sim, porém con moto. E isto é apenas um por exemplo.
Por outro lado, se o enxame de tuk tuk (ou auto-riquexós) que, uberdissimulados, tomou conta das ruas do Porto e cidades adjacentes deixasse de ser só para turistas e fosse, não sei como, integrado no sistema de transportes públicos da chamada Área Metropolitana, e que jeito que daria, já tínhamos um nome para a coisa: Andante con moto, exactamente. Mas isto é apenas outro por exemplo cá dos meus. 

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Turismo.

sábado, 16 de dezembro de 2023

Andante con moto

Foto Hernâni Von Doellinger

O segundo andamento da 5.ª Sinfonia de Beethoven, dita Sinfonia do Destino, ou, só para complicar, melhor chamada Sinfonia n.º 5 em Dó menor Op. 67, deve ser tocado em Andante con moto. Isto é, pede-se um ritmo lento, como se fôssemos nós apenas a caminhar, naturalmente, um passo e depois outro, mas com o cuidado de não adormecermos de pé. Andante, sim, porém con moto. E isto é apenas um por exemplo.
Por outro lado, se o enxame de tuk tuk (ou auto-riquexós) que, uberdissimulados, tomou conta das ruas do Porto e cidades adjacentes deixasse de ser só para turistas e fosse, não sei como, integrado no sistema de transportes públicos da chamada Área Metropolitana, e que jeito que daria, já tínhamos um nome para a coisa: Andante con moto, exactamente. Mas isto é apenas outro por exemplo cá dos meus.

P.S. - Ludwig van Beethoven nasceu no dia 16 de Dezembro de 1770, há quem diga. Mais consensual é que terá sido baptizado no dia seguinte, 17 de Dezembro de 1770.

terça-feira, 20 de junho de 2023

A renovação da Resende

Aqui por Matosinhos, os autocarros da Resende são, regra geral, velhos e regularmente inflamáveis. Ontem ardeu mais um e ninguém se magoou. Estamos todos de parabéns!

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

O futuro está no teletrabalho

Tem sido um sucesso o apoio domiciliário em teletrabalho a idosos sozinhos e acamados. O Governo pretende alargar a experiência aos transportes públicos e à construção civil.

quarta-feira, 16 de março de 2022

As virgens e a bisnaga

Vosselências não andam de transportes públicos, pois não? Se calhar nem vão compreender o meu drama, mas eu vou tentar explicar:

Eu ando de transportes públicos e não sei o que deu agora ao raio do mulherio. Entram no autocarro ou no metro, alapam o traseiro e a primeira coisa que fazem é sacar da bisnaga. E esfregam, esfregam, esfregam. É a nova moda, aproveitar as viagens em transportes públicos para esfregar as mãos com creme amaciador, como se estivessem sentadas na sanita lá de casa. Mais do que uma moda, é uma epidemia: começa uma, aperta a bisnaga, faz aquele ruído viscoso que até lembra pecados velhos, e logo as outras todas lhe imitam o gesto, sacam também da bisnaga e nhanha, nhanha, nhanha. Sinto-me de repente no meio de um bacanal para o qual nem sequer fui convidado. Aquilo mete-me uns nervos!...
E depois estas gajas ainda se armam em virgens ofendidas quando eu me descalço e começo a cortar as unhas dos pés em cima do banco da frente...

P.S. - Publicado originalmente no dia 24 de Junho de 2011. Segundo reza a mitologia greco-romana, hoje, 16 de Março, é o primeiro dia do Bacanal - festival de Dionísio (Baco, para os Romanos), deus do vinho, dos grãos, da fertilidade e da alegria.

terça-feira, 16 de março de 2021

As virgens e a bisnaga

Vosselências não andam de transportes públicos, pois não? Se calhar nem vão compreender o meu drama, mas eu vou tentar explicar:
Eu ando de transportes públicos e não sei o que deu agora ao raio do mulherio. Entram no autocarro ou no metro, alapam o traseiro e a primeira coisa que fazem é sacar da bisnaga. E esfregam, esfregam, esfregam. É a nova moda, aproveitar as viagens em transportes públicos para esfregar as mãos com creme amaciador, como se estivessem sentadas na sanita lá de casa. Mais do que uma moda, é uma epidemia: começa uma, aperta a bisnaga, faz aquele ruído viscoso que até lembra pecados velhos, e logo as outras todas lhe imitam o gesto, sacam também da bisnaga e nhanha, nhanha, nhanha. Sinto-me de repente no meio de um bacanal para o qual nem sequer fui convidado. Aquilo mete-me uns nervos!...
E depois estas gajas ainda se armam em virgens ofendidas quando eu me descalço e começo a cortar as unhas dos pés em cima do banco da frente...

P.S. - Publicado originalmente no dia 24 de Junho de 2011. Segundo reza a mitologia greco-romana, hoje, 16 de Março, é o primeiro dia do Bacanal - festival de Dionísio (Baco, para os Romanos), deus do vinho, dos grãos, da fertilidade e da alegria.

domingo, 28 de junho de 2020

O futuro está no teletrabalho

Tem sido um sucesso o apoio domiciliário em teletrabalho a idosos sozinhos e acamados. O Governo pretende alargar a experiência aos transportes públicos e à construção civil.

terça-feira, 16 de julho de 2013

De vaquinha para o desemprego

Foto Hernâni Von Doellinger

Os transportes públicos voltaram a perder mais de 11 por cento dos passageiros no primeiro trimestre deste ano - dizem as notícias. Treze milhões de validações que foram à vida, sobretudo no comboio e no metro, que são o carro a cotio dos portugueses do rés-do-chão. Compreendo: as viagens de casa para o desemprego e do desemprego para casa custam os olhos da cara. O pessoal vai e vem de vaquinha. Para e do desemprego. É difícil de perceber, ó inteligências?! Dasse...
Depois parece que há os aviões. Mas essa parte ignoro.

sábado, 25 de junho de 2011

O cérebro faz mal ao telemóvel

E os telemóveis? Os telemóveis nos transportes públicos. Outra doença. Toca um, unzinho, e 126 pessoas vão aos bolsos e às bolsas buscar o aparelho e espreitam lá para dentro, menos a única que sabe que é o dela que está a tocar mas acha que todos merecemos apreciar um pouco mais daquela espectacular música cigana em altos berros. Mesmo ao meu lado.
“Toue”! Para não desafinar, é também em altos berros e gestos rasgados que a senhora expõe a sua vidinha e a vidinha do bairro inteiro, com o à-vontade de quem põe a roupa interior a corar no estendal da vizinha. Fala de ovos estrelados, varizes e sopa fria, caloteiros, amantes e sapatilhas novas, patroa bêbada, Pingo Doce e netinhos, marido, Manuel Luís Goucha e conta da luz, telenovela, férias e Sócrates, badalhocas, Nossa Senhora e bruxos, Super Pop Limão, Pinto da Costa e cabeleireira. Está na hora do despacho, aquilo tudo é o escritório antes de entrar ao serviço. Desembaraçada, salta para o segundo telemóvel e depois, mais difícil ainda, para o terceiro. Entra em conferência.
E de repente exalta-se, gesticula ainda mais, fala ainda mais alto. Mas é possível? É. E passa em revista o prontuário do palavrão, de A a Z, o que existe e o que inventa ali mesmo, aliás com grande competência e assertividade. O que fica a dever à gramática, paga com juros à criatividade. Michel Platini não destoaria tão bem...
Eu, que sou sempre o mesmo palerma, condoo-me com o desespero da senhora, ao mesmo tempo que tento salvar a minha costela flutuante esquerda, mais flutuante do que nunca após tanta cotovelada. Interrompo e pergunto:
- Está zangada, minha senhora? Algum problema? É o Fisco? Um credor, talvez...
- Não. Está tudo bem. Estou a falar com o meu mais novo, meu rico filho, coitadinho, a dizer-lhe onde lhe deixei o comer...
Coitados dos nossos ministros. O que eles vão sofrer, agora que passam a andar de autocarro.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A puta da bisnaga

Vosselências não andam de transportes públicos, pois não? Se calhar nem vão compreender o meu drama, mas eu vou tentar explicar:
Eu ando de transportes públicos e não sei o que deu agora ao raio do mulherio. Entram no autocarro ou no metro, alapam o traseiro e a primeira coisa que fazem é sacar da bisnaga. E esfregam, esfregam, esfregam. É a nova moda, aproveitar as viagens em transportes públicos para esfregar as mãos com creme amaciador, como se estivessem sentadas na sanita lá de casa. Mais do que uma moda, é uma epidemia: começa uma, aperta a bisnaga, faz aquele ruído viscoso que até lembra pecados velhos, e logo as outras todas lhe imitam o gesto, sacam também da bisnaga e nhanha, nhanha, nhanha. Sinto-me de repente no meio de um bacanal para o qual nem sequer fui convidado. Aquilo mete-me uns nervos!
E depois estas gajas ainda se armam em virgens ofendidas quando eu me descalço e começo a cortar as unhas dos pés em cima do banco da frente...