segunda-feira, 1 de junho de 2026
Hoje é para as crianças, mas só hoje!
sábado, 9 de maio de 2026
Os melros já nascem ensinados
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Ele dizia cobras e lagartos. E dizia sanguessugas e borboletas e gaivotas e cangurus e macacos e sardinhas assadas com salada de pimentos vermelhos, nomeadamente. Enfim, ele dizia o que lhe desse na cabeça...
Ora bem: há mais de trinta anos que aqui moro e foram precisos mais de trinta anos para que me aparecesse à porta um melro. Sim, um melro efectivamente, e apresentava-se todas as manhãs. Melro cantor que dava gosto, e lambão benza-o Deus, também ia à marmita dos gatos da vizinha, até que um dia.
Na minha rua adoptiva passa a procissão do Senhor de Matosinhos e naquela altura, isto é, no tempo do melro, estava aqui estabelecido, mesmo no número ao lado, o Núcleo do Sporting, assiduamente visitado pelo então presidente Bruno de Carvalho, que também é um senhor, não desfazendo, e teve igualmente a sua cruz, ninguém pode dizer o contrário. Exigia-se portanto outro asseio.
Não sei se era para meter raiva aos sportinguistas locais ou se derivado a outro insondável motivo, a verdade é que o melro da minha rua, o meu melro, cantava sem parar o hino do FC Porto. E juro que não fui eu a ensiná-lo, eu seja ceguinho. Os melros, é o que têm, já nascem ensinados.
E eu, perante isto? Eu, que vim de Fafe habituado a melros com fartura, aos gatos em casa e à rede dos caça-cães que vinha do Matadouro e varria o terreiro do Santo Velho de uma ponta à outra, eu, dizia, gostei muito que o estupor do melro tivesse dado com a minha rua e com a frente da minha casa. Grande melro! Foi porreiro, porque assim já éramos dois. Mas quê? De repente o melro foi-se embora e Bruno de Carvalho também. Ao Bruno ainda o vejo de vez em quando a fazer figuras na televisão e leio-lhe os amores e os humores na imprensa cor-de-rosa, que é hoje em dia toda a comunicação social portuguesa. Ao outro melro é que nunca mais. Hoje em dia sou só eu. Eu e as pegas. As pegas, que vêm decerto do Parque da Cidade, onde o negócio já deu o que tinha a dar, e são mais do que as mães. Não sei se é do aquecimento global, mas não me largam a porta, o raio das pegas, sempre no conversê, e só me fazem passar vergonhas. A minha rua, quer-se dizer, parece agora um lunapário...
sábado, 25 de abril de 2026
Os bois chamam-se pelos nomes
Sete vidas
Cada vez que morria, o gato sabia que era a brincar. Chegou à sétima... e lerpou.
O porco é Ruço. A porca Vadia. A vaca Amarela. O boi Barrão. O touro Osborne. A turina Malhada. A vitela À Moda de Fafe. O cão Bobi. O elefante Dumbo. A cadela Laika. A Santa preguiça. O cachorro Kent. O gato Maltês. A gata Borralheira. A cabra Cega. A ovelha Dolly. O cabrito Montês. O cavalo Silva. O burro Velho. O rato Mique. O coelho Branco. O macaco Adriano. O leopardo Negro. O urso Teddy. O teddy Boy. A chinchila Mila. O furão Furão. A tartaruga Ninja. A cobra Dora. A mulher Alheia. O homem Erecto. O peixe Dourado. O surfista Prateado. A sardinha Biba. A pita Arisca. A periquita Alegre. A parreca Molhada. A pomba Branca. O crocodilo Dundee. A lontra Badocha. O pato Patola. O galo Badalo, a galinha Balbina, o pinto Jacinto e o peru Gluglu.
Assim se chamam os bois pelos nomes.
segunda-feira, 2 de março de 2026
O saco de gatos
Fábula em 99 caracteres (com espaços)
No tempo em que os animais falavam, o cão disse: ão, ão, ão. E o gato perguntou: és gago ou quê?...
Em Fafe, no meu tempo, as pessoas gostavam muito de animais, como por exemplo gatos. Quase todos os lares tinham o seu gato ou a sua gata de companhia, principalmente derivado aos ratos, que também eram muitos e caseiros, mas recebiam visitas. Evidentemente estou a falar da parte de Fafe que me diz respeito e conheço, Fafe dos pobres. Ora, havendo gatos e gatas, havia também ninhadas, porque as coisas são como são e até os bichinhos gostam. Mas alimentar um ou dois gatos, mesmo com sobras, é uma coisa, outra coisa é sustentar uma família inteira de tarecos, ainda por cima largam pêlo como o caralho e nos primeiros tempos, antes de levarem naquele focinho para aprenderem, coitadinhos, cagam e mijam em todo o lado sem respeito nenhum. Que se segue? As pessoas gostavam muito de animais e pegavam na ninhada, deixavam um gatito de reserva, o mais bonito e esperto, e enfiavam os outros todos numa saca de sarapilheira bem fechada e bem atada a uma pedra bem pesada e pegavam na pedra, na saca e nos gatos e atiravam tudo ao rio, que eram vários mas lingrinhas. Não sei se Fafe conserva esta bonita tradição. E quem diz Fafe, diz Portugal regra geral.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
domingo, 17 de agosto de 2025
Desnecessidade
P.S. - Hoje é Dia do Gato Preto.
sexta-feira, 16 de maio de 2025
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025
Aqui há gato
Gato-sapato
Sete vidas
Esfola gatos e mata cães
Diz o povo antigo, na sua proverbial sabedoria, que quem é de Guimarães esfola gatos e mata cães. Eu parece-me que devia ser proibido...
P.S. - Hoje é Dia Mundial do Gato ou Dia Internacional do Gato. Que também é na próxima quinta-feira, 20 de Fevereiro, no dia 8 de Agosto e no dia 29 de Outubro...
segunda-feira, 8 de maio de 2023
Aqui há gatos. Quer-se dizer, havia...
P.S. - Hoje é Dia Internacional dos Maine Coons, a raça dos maiores gatos de mundo.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023
Fafe e as suas tradições
P.S. - Hoje é Dia Mundial do Gato. Que por acaso também é no dia 8 de Agosto.
domingo, 20 de novembro de 2022
É difícil ser criança
Hoje é Dia Internacional dos Direitos das Crianças. Compreendo a necessidade. Porque. Com tanto cão e gato, realmente é cada vez mais difícil ser criança.
segunda-feira, 8 de agosto de 2022
quinta-feira, 6 de janeiro de 2022
Sinais dos tempos
O cãozinho da mamã
A madama tinha um cão ao colo e, entre as pernas mas ao nível dos sapatos de tacão altíssimo, uma bolsa em poliéster com rede e design italiano.
Era uma madama jovem, bela e produzida, esperável ao volante de um
Porsche Cayenne e a lamber o telemóvel, e não ali, no banco do autocarro
e a ser lambida pelo cão. O cão era a condizer: sucinto, peludo, de
marca, transpirando pedigree por todos os poros. Uma fofura.
Sentia-se-lhes
um orgulho mútuo, percebia-se uma relação muito bonita. Que ternura! A
madama babada beijava o lingrinhas barbudo e o lingrinhas barbudo e
babado beijava a madama babada. Beijavam-se na boca. Lambiam-se, se não
me engano. A madama falava
xi-qui-pi-ri-qui-ti-nhu-nhu-nhu-meu-querido-mais-beijinho-mais-beijinho-mais-beijinho-da-mamã
e o
xi-qui-pi-ri-qui-ti-nhu-nhu-nhu-meu-querido-mais-beijinho-mais-beijinho-mais-beijinho-da-mamã
não dizia nada mas apenas por ser cão e por gostar de festas nos
genitais e não querer interromper a coisa. Realmente só lhe faltava
falar, ao cão, como muito bem observou o autocarro em coro, era o 500, e
até eu me comovi, eu que, como sabem, mantenho um ancestral e
desagradável contencioso com os canídeos de uma forma geral, e cuido que
a culpa não é minha. A cena deu-me também um bocado de tesão.
A madama apeou-se na paragem de Matosinhos Praia, sempre com o cão ao colo, sempre xi-qui-pi-ri-qui-ti-nhu-nhu-nhu-meu-querido-mais-beijinho-mais-beijinho-mais-beijinho-da-mamã. Com a mão de vago, a madama pousou no passeio a bolsa em poliéster com rede e design italiano, abriu-a e retirou de lá de dentro um bebé de meses. Menino, vestia azul. Também era giro.
Vida de cão, vida de cão!
Verdade como punho, ontem como hoje. Embora não gere nenhuma "onda de solidariedade", está curiosamente a acontecer o mesmo com os velhos e com os recém-nascidos, por assim dizer, humanos - cada vez mais abandonados e com cada vez menos pessoas disponíveis para os acolher. É. Vivemos realmente uma "altura do ano" filhadaputa. Mas os cãezinhos, Senhor...