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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Heróis do mar, e da areia também

Foto Hernâni Von Doellinger

Portugal é campeão do mundo de futebol de praia. We are the champions. Do mundo. Aqui em Matosinhos, terra abençoada, vamos assim dizer, por uma certa e determinada relação com o futebol e, vá lá, eventualmente também com a praia, ninguém apitou. E é preciso que se note: em Matosinhos apita-se por tudo e por nada, sobretudo se for por causa do Benfica e do Sporting, porque leixonismo acima de tudo.
Mas ninguém apitou. O título mundial foi recebido pelos portugueses em geral e pelos matosinhenses em particular com a indiferença diletante de quem ouve dizer que estamos em nonos ao nível do consumo de álcool no ranking da OCDE, porque realmente somos um bando de bêbados e não há novidade, ou que acabámos de ganhar o título de vice-campeões da emigração ao nível - repito, ao nível - dos países da União Europeia, sobretudo graças ao Governo que parimos, e honra lhe seja.
Futebol de praia também não é nome que se chame a um desporto a sério (à séria, se lido em Lisboa). Lembram-se do futebol de salão? O que é que nos vinha à cabeça quando se falava de futebol de salão? O salão. Uns cavalheiros vestidos de fraque e com um número nas costas e umas cavalheiras despidas nas costas e no resto, agarrados um ao outro e rodopiando pelo rinque árabe do Palácio da Bolsa como Fred Astaire e Ginger Rogers e uma bola pequenina no meio, um árbitro e o apito, um júri e tabuletas. Para evitar confusões, o futebol de salão passou a chamar-se futsal. É um sucesso.
Futebol de praia, e estou a olhar agora para os viciosos que espreitam o areal do Castelo do Queijo, vale desportivamente tanto como o bilhar de bolso. Mas o ser nada é
só por causa do nome, insisto. Futebol de praia cheira a suecas mamudas, tresanda a zezés camarinhas, pode ser que seja desporto, mas eu não sei. Chamem-lhe oficialmente futsand, metam-lhe maionese, ketchup e mostarda, picles talvez, e vão ver se eles apitam ou não apitam.
O McDonald's vai abrir aqui à porta de casa. Estou quilhado.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Vida de cão 29

                                                                                       Foto Hernâni Von Doellinger

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O futebol realmente

Foto Hernâni Von Doellinger

1. Aos domingos de manhã eles lá estão e são os meus ídolos. Jogam à bola porque gostam, são amigos e compinchas, para além disso dá-lhes imenso jeito ganhar apetite para o almoço, Deus os farture. Jogam a sério, estão organizados, tenho visto assembleias gerais antes dos prélios. Há os da praia seca e, no quintal dos fundos, os da praia molhada. A paixão pelo futebol é a mesma, tremenda e pura. São amadores como quer dizer a palavra. Estes homens nunca se disporiam a ir à Madeira apenas para passear camisolas, teriam vergonha. E a ilha podia afundar.

X. Os jornalistas portugueses estão muito preocupados e preocuparam o País por causa dos ex-jogadores profissionais de futebol que já não são ricos. Falam de Jorge Cadete, de António Veloso, de Fernando Mendes, o magro, de Porsches, de mais de 17 mil euros por mês, de ganhos de um milhão de euros numa carreira, de Rendimento Social de Inserção, da esmola de amigos. E recomendam-nos que sejamos culpados e tenhamos pena.

2. O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol prepara um documento de apoio aos jornalistas portugueses que são despedidos às carradas e passam fome.

P.S. - Não é para me gabar, mas a foto é mesmo um mimo: até tem bola! No tempo do jornalismo, ter bola era condição sine qua non para um boa fotografia de um jogo de futebol. Se não havia bola, ia-se buscar o esférico a outro retrato qualquer e colava-se na fotografia que seguia para publicação. Era o photoshop na ponta da tesoura.