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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Manuel Mendes

Passagem de nível

A tarde caía. No céu cinzento e triste recortavam-se a negro os troncos secos das árvores, onde se notavam apenas os finos rebentos das folhas de um verde delicado e viçoso. Pela terra em volta crescia quase imperceptivelmente uma penugem de fresca erva miúda, cobrindo os montes de um tapete aveludado. E apesar do dia chuvoso, do vento constante, da luz parda da tarde, apesar do céu enevoado e escuro, alguma coisa de doce prometia e anunciava a Primavera. Sobretudo nas árvores negras da fuligem do tempo, nuas e dolorosamente torcidas, aqueles rebentos de verdura eram já um sinal de esperança, uma sensação antecipada de alívio para os olhos cansados de tanto negrume e tanta sombra. Dir-se-ia o abrir ainda vago de um sorriso, e, ao mesmo tempo, o prenúncio dos bons dias longos e luminosos, de atmosfera limpa, a promessa de um céu mais confiante.
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"Estrada", Manuel Mendes

(Manuel Mendes nasceu no dia 18 de Janeiro de 1906. Morreu em 1969.)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

A crise salva vidas na estrada. O perigo é à mesa.

Segundo números oficiais, nos primeiros três meses de 2012 morreram nas estradas portuguesas menos 50 pessoas do que em igual período de 2011. Especialistas contactados pelo jornal Público explicam que esta diminuição não representa uma maior consciencialização dos automobilistas, mas é uma consequência da crise financeira, que tirou ao pé-rapado dinheiro para a gasolina. De acordo com as últimas informações, o Governo de Passos Coelho e Vítor Gaspar continua a dar o seu melhor para reduzir a mortalidade rodoviária a zero. Infelizmente, o lado bom da crise também tem um lado mau: com as estradas tão seguras e às moscas, vamos morrer à mesa.