Eu e os passeantes
Passa um inglesa,
e logo acode,
toda supresa:
what black my God!
Se é espanhola,
a que me viu,
diz como rola:
que alto, Dios mio!
E, se é francesa:
ó quel beau negre!
Rindo para mim.
Se é portuguesa,
ó Costa Alegre!
Tens um atchim!
"Versos", Caetano da Costa Alegre
(Caetano da Costa Alegre nasceu no dia 26 de Abril de 1864. Morreu em 1890.)
Mostrar mensagens com a etiqueta Versos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Versos. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 26 de abril de 2018
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
Mário de Alencar
Depois de ler a Ode I de Horácio
Nem tudo, sábio Horácio, o que aspiravas
E a Mecenas pedias, é o que aspiro.
A mim basta-me um plácido retiro,
Entre árvores, ao pé da água corrente,
Ouvindo a voz das musas que invocavas.
Com isso apenas viverei contente.
Longe da turba inquieta que aborreço,
Nem teria ambições, nem cuidaria
De haver glórias da terra. Na poesia
É o grande prêmio dela o vago sonho,
Com que eu, vivendo embora, a vida esqueço
E num mundo melhor viver suponho.
Tão alto não irei no imenso espaço
Que toque os astros como tu, amigo.
Mas sei que astros e céus tenho comigo
Enquanto com estes sonhos bons me iludo;
E como as aves cantam, versos faço.
Isso - que vale o mais? - vale-me tudo.
"Versos", Mário de Alencar
(Mário de Alencar nasceu no dia 30 de Janeiro de 1872. Morreu em 1925.)
Nem tudo, sábio Horácio, o que aspiravas
E a Mecenas pedias, é o que aspiro.
A mim basta-me um plácido retiro,
Entre árvores, ao pé da água corrente,
Ouvindo a voz das musas que invocavas.
Com isso apenas viverei contente.
Longe da turba inquieta que aborreço,
Nem teria ambições, nem cuidaria
De haver glórias da terra. Na poesia
É o grande prêmio dela o vago sonho,
Com que eu, vivendo embora, a vida esqueço
E num mundo melhor viver suponho.
Tão alto não irei no imenso espaço
Que toque os astros como tu, amigo.
Mas sei que astros e céus tenho comigo
Enquanto com estes sonhos bons me iludo;
E como as aves cantam, versos faço.
Isso - que vale o mais? - vale-me tudo.
"Versos", Mário de Alencar
(Mário de Alencar nasceu no dia 30 de Janeiro de 1872. Morreu em 1925.)
Subscrever:
Mensagens (Atom)