Salomé
Só, na cisterna, João Batista em prece
sonha. Estente-se a noite silenciosa,
e, na nudez da solidão piedosa,
o desespero que o tortura esquece.
Dorme o palácio. Salomé ansiosa,
como pantera atroz que se enraivece,
em contorções se agita, e se estremece,
debruçada num tálamo de rosa…
Quase nua se ergue, e altivamente,
nos estos da volúpia que a devora,
desprende as tranças sobre a espádua ardente.
Treme-lhe o lábio aparecendo um beijo,
clama pelo Profeta, e anseia, e chora,
nas algemas da carne e do desejo!
"Obra Poética", Paulo Corrêa Lopes
(Paulo Corrêa Lopes nasceu no dia 19 de Julho de 1898. Morreu em 1957.)
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quinta-feira, 19 de julho de 2018
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Paulo Corrêa Lopes
Cem mil portas
Há cem mil portas batendo, desesperadas, na treva.
Ventos! Levai nas vossas asas todo o mal do mundo,
todo o horror do mundo!
Amanhã, quando o anjo do Senhor descer sobre a terra,
que será das almas que enganaram, que mataram?
Amanhã, quando as cem mil portas se fecharem,
que será das almas que não sabem rezar?
Há cem mil portas batendo, desesperadas, na treva…
"Obra Poética", Paulo Corrêa Lopes
(Paulo Corrêa Lopes nasceu no dia 19 de Julho de 1898. Morreu em 1957.)
Há cem mil portas batendo, desesperadas, na treva.
Ventos! Levai nas vossas asas todo o mal do mundo,
todo o horror do mundo!
Amanhã, quando o anjo do Senhor descer sobre a terra,
que será das almas que enganaram, que mataram?
Amanhã, quando as cem mil portas se fecharem,
que será das almas que não sabem rezar?
Há cem mil portas batendo, desesperadas, na treva…
"Obra Poética", Paulo Corrêa Lopes
(Paulo Corrêa Lopes nasceu no dia 19 de Julho de 1898. Morreu em 1957.)
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