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sábado, 16 de maio de 2026
Epifania
Ele viu a Luz. Viu a Luz e disse: - O Dragão é mais bonito.
P.S. - Hoje é Dia Internacional da Luz.
sábado, 16 de novembro de 2024
A bola, como uma mulher
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Epifania
O futebol pode ser uma coisa muito bonita. Se o pequeno astro argentino Lionel Messi estiver em campo, então é de certeza. Lembro-me de uma vez, jogo da Liga dos Campeões, há uns anos, o craque estava ainda no Barcelona e brilhou como nunca: marcou cinco em sete, bateu recordes, mas não é a quantidade que aqui me interessa - é a qualidade. A qualidade de um jogador que descansa mais do que corre, e que não corre, desliza. Que não se esfarrapa, mas pensa. E que pensa e cria como respira. A sofreguidão é uma cena que não lhe assiste. Os seus golos são obras de arte, actos de amor.
Messi conhece como ninguém, a cada momento, o ponto G da jogada que ainda nem lhe chegou aos pés. Ele adivinha o sítio onde a bola o vai procurar. Recebe-a com um beijo, oferece-lhe flores, acaricia-a, leva-a a passear, e ela gosta, retribui os carinhos, abraça-se-lhe à chuteira num abraço só desfeito no exacto momento do remate. Digo mal. Mas qual remate? Messi não chuta, passa a bola à baliza e é golo. O pequeno Messi é um cavalheiro, um amante delicado e atencioso: trata a bola como ela merece. A bola, como uma mulher...
Lionel Messi estreou-se pelo Barcelona aos 16 anos, no dia 16 de Novembro de 2003. Foi em Portugal, no jogo da festa de inauguração do Estádio do Dragão, que o FC Porto ganhou por 2-0. O menino Messi entrou em campo a 14 minutos do fim. Exactamente: o Estádio do Dragão faz hoje 21 anos, nasceu numa noite assim.
Ele viu a Luz.
Viu a Luz e disse:
- O Dragão é mais bonito.
Messi conhece como ninguém, a cada momento, o ponto G da jogada que ainda nem lhe chegou aos pés. Ele adivinha o sítio onde a bola o vai procurar. Recebe-a com um beijo, oferece-lhe flores, acaricia-a, leva-a a passear, e ela gosta, retribui os carinhos, abraça-se-lhe à chuteira num abraço só desfeito no exacto momento do remate. Digo mal. Mas qual remate? Messi não chuta, passa a bola à baliza e é golo. O pequeno Messi é um cavalheiro, um amante delicado e atencioso: trata a bola como ela merece. A bola, como uma mulher...
sábado, 29 de maio de 2021
domingo, 15 de março de 2020
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Falar pouco e bem, quase não há quem
| Foto Hernâni Von Doellinger |
"Atenção: devido a um erro de sinalização, o metro foi obrigado a fazer uma paragem brusca. Se alguém se magoou, é favor entrar em contacto com o agente de condução". O "agente de condução" da Metro do Porto que assim falava pelos altifalantes internos para os passageiros da viagem Matosinhos Sul-Estádio do Dragão, aqui atrasado, era uma mulher, e não cuide o Sr. Arroja que eu estou no gozo. Não estou.
Em trinta palavras exactas, a senhora condutora disse tudo o que era necessário ser dito naquele momento, com objectividade, sem eufemismos nem semânticas, num português escorreito, directo, universalmente compreensível, eficaz. Responsável. A assunção do "erro de sinalização" e da "paragem brusca", a preocupação imediata com os passageiros. Mas ninguém se magoou.
Pensei: que exemplo extraordinário para os nossos comunicadores de merda, em tempos de fogo e cinza - governantes, ex-governantes, candidatos a governantes, candidatos a candidatos a governantes, políticos de uma forma geral, altos irresponsáveis, baixos responsáveis, autoridades civis, militares e religiosas, minhas senhoras e meus senhores, telecomentadores, radiofloricultores, trolhas conversadores, politólogos, vendedores de retroescavadoras com luzinhas, enchedores de chouriços, especialistas em sarrabulho e fumeiro, jornalistas tremendistas e endrominadores para todo o serviço, que falam, falam, falam, não fazem nada (como diria o Ricardo Araújo Pereira), e eu nunca sei o que é que eles dizem...
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série A língua portuguesa é muito traiçoeira,
série Microcontos & outras miudezas
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Cuidado com as carteiras
O aviso andou por aí pichado pelas paredes, uns tempos depois de Abril e com os mais reles intuitos de ataque pessoal, naquela insensatez própria das pós-revoluções: "Cuidado com as carteiras". E tornou a aparecer agora, mas para inglês ver, no sítio oficial do Manchester City na Internet, e num descarado insulto à cidade do Porto.
Na próxima quinta-feira joga-se no Estádio do Dragão o FC Porto-Manchester City, para a Liga Europa, e o clube inglês resolveu alertar os seus adeptos para os perigos que os esperam se arriscarem viajar até à Invicta: "Estejam vigilantes. Carteiristas operam em zonas turísticas, transportes públicos e nas proximidades do Estádio. Por isso, nunca tirem os olhos dos vossos pertences".
Sabem do que falam estes bifes, professores de carteirismo e de outras manigâncias (e Dickens sem culpa nenhuma). Sabem do que falam estes bifes, inventores do hooliganismo e reintrodutores do racismo no futebol. Sabem do que falam estes bifes, bêbados que até se esquecem de ir ao estádio para ficarem ainda mais bêbados e então, já com dupla visão, poderem enfim dispensar um par de olhos que tome conta a tempo inteiro dos respectivos "pertences". Eles sabem do que falam.
E têm razão. Há carteiristas no Porto. Há sapateiros, poetas, juízes, peixeiras, chulos, alfaiates, taxistas, políticos, sem-abrigo, arquitectos, putas, padres, ardinas, cauteleiros, bicheiros, mortos-vivos, ricos, remediados, metalúrgicos, empresários, desempregados, engraxadores, graxistas, jornalistas, jornaleiros, polícias, pederastas, heróis, santos, cobardes, filhos de puta, cozinheiros, pintores, ingleses, floristas, médicos, cangalheiros, bispos, cavalos, peões, drag queens, fadistas, fatalistas, onzeneiros, azeiteiros, génios, beneméritos, bandidos, moinas, turistas, autocarros, estádios e... carteiristas. No Porto há de tudo, até farmacêuticos. E o Porto é uma cidade tão perigosa como qualquer outra cidade por esse mundo fora, com excepção de Manchester, que está no top das cidades mais perigosas do Reino Unido.
O Porto é um boi manso, valha-me Deus, não faz mal a ninguém! Fossem os do City a Lisboa, passeassem eles pelas imediações dos palácios de São Bento e de Belém, e quando dessem fé já lhes tinham sacado os subsídios de férias e de Natal...
Na próxima quinta-feira joga-se no Estádio do Dragão o FC Porto-Manchester City, para a Liga Europa, e o clube inglês resolveu alertar os seus adeptos para os perigos que os esperam se arriscarem viajar até à Invicta: "Estejam vigilantes. Carteiristas operam em zonas turísticas, transportes públicos e nas proximidades do Estádio. Por isso, nunca tirem os olhos dos vossos pertences".
Sabem do que falam estes bifes, professores de carteirismo e de outras manigâncias (e Dickens sem culpa nenhuma). Sabem do que falam estes bifes, inventores do hooliganismo e reintrodutores do racismo no futebol. Sabem do que falam estes bifes, bêbados que até se esquecem de ir ao estádio para ficarem ainda mais bêbados e então, já com dupla visão, poderem enfim dispensar um par de olhos que tome conta a tempo inteiro dos respectivos "pertences". Eles sabem do que falam.
E têm razão. Há carteiristas no Porto. Há sapateiros, poetas, juízes, peixeiras, chulos, alfaiates, taxistas, políticos, sem-abrigo, arquitectos, putas, padres, ardinas, cauteleiros, bicheiros, mortos-vivos, ricos, remediados, metalúrgicos, empresários, desempregados, engraxadores, graxistas, jornalistas, jornaleiros, polícias, pederastas, heróis, santos, cobardes, filhos de puta, cozinheiros, pintores, ingleses, floristas, médicos, cangalheiros, bispos, cavalos, peões, drag queens, fadistas, fatalistas, onzeneiros, azeiteiros, génios, beneméritos, bandidos, moinas, turistas, autocarros, estádios e... carteiristas. No Porto há de tudo, até farmacêuticos. E o Porto é uma cidade tão perigosa como qualquer outra cidade por esse mundo fora, com excepção de Manchester, que está no top das cidades mais perigosas do Reino Unido.
O Porto é um boi manso, valha-me Deus, não faz mal a ninguém! Fossem os do City a Lisboa, passeassem eles pelas imediações dos palácios de São Bento e de Belém, e quando dessem fé já lhes tinham sacado os subsídios de férias e de Natal...
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