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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

É preciso ter lata 3

Pedro Passos Coelho, a propósito da crise e da austeridade, saiu-se com esta: "Pobres já nós estamos. Há é pessoas que ainda não deram conta disso". Se calhar por pudor, o ajudante de Miguel Relvas no Governo não referiu nomes, mas eu posso adiantar alguns, de que me lembrei assim de repente: Cavaco Silva e os Cavaquistas Anónimos, Ângelo Correia e os Confrades dos Direitos Adquiridos, Eduardo Catroga, Braga de Macedo, Celeste Cardona, Paulo Teixeira Pinto, Rocha Vieira e Ilídio Pinho, Manuel Frexes e Álvaro Castello-Branco, Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República e ricamente reformada desde os 42 anos, ou Maria Teixeira da Cruz, irmã da ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, e que foi para directora-geral no Ministério da Agricultura e Etc. de Assunção Cristas. Estas são certamente pessoas que ainda não deram conta de que (nós) já estamos pobres. E era delas que provavelmente Passos Coelho estava a falar.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Os felizes contemplados

Assunção Cristas, ministra da Agricultura e Etc., nomeou dois autarcas, um do PSD e outro do CDS, para a administração da empresa Águas de Portugal. A taluda saiu desta vez ao social-democrata Manuel Frexes, presidente da Câmara do Fundão, e ao democrata-cristão Álvaro Castello-Branco, vice-presidente da Câmara do Porto. E logo se levantou novo alarido contra esta espécie de é-fartar-vilanagem que na verdade não é: trata-se apenas, como sempre se tratou, de dividir os despojos da vitória e do País entre os vencedores, e a coisa aqui nas Águas até nem podia ter sido mais democrática, 50-50, como qualquer treinador ou comentador de futebol poderia explicar muito melhor do que eu.
Eu já disse: acho bem. Tivesse eu por onde, estivesse eu na mama da Assunção Cristas (é uma força de expressão), e fazia o mesmo, dava o melhor aos meus amigos. De resto, este Governo só se enganou quando prometeu, antes de ser Governo e para ser Governo, que nunca iria fazer isto, dar tachos à sua rapaziada. Porque, desde que se fez Governo e começou a distribuir os envelopes pela família, tem sido de uma coerência inatacável. Só nos últimos dias, foram os da luz, agora os da água, e estou mortinho por ver quem é que eles vão meter nos esgotos.