Mostrar mensagens com a etiqueta primos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta primos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Por encabação

Matematicamente
Eram números primos. Direitos. Por parte das mães.

Por encabação. A expressão é bondosamente maliciosa e antiga, muito fafense, e dizia respeito à pessoa que entrava na família por casamento. Por exemplo, alguém que passava a ser nossa tia porque casou com o nosso tio natural, irmão do nosso pai ou da nossa mãe. Era então nossa tia, por encabação - assim o afirmávamos, sem ofensa. Porém. Aprendi outro dia no jornal Público, numa crónica de Pedro Garcias, sábio de vinhos e de outras vidas, que lá para os seus lados, Trás-os-Montes e Douro, suponho, "as gentes do campo" dirão "por encabadouro", querendo significar a mesma coisa. Também está bem. Mas nós, os do fafês, que não haja dúvidas, era mesmo por encabação!

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia dos Primos.)

Ó prima, ó rica prima!

Consanguinidade
Os números primos, há que admiti-lo, podem ser um bocado tolos.

Eu tenho uma prima de que não sabia. Desconheci-a durante quase toda a minha vida, foi-me apresentada talvez há quinze anos por um amigo comum, e passámos a conviver regularmente, nos últimos tempos cada vez menos. Às vezes dão-me saudades, digo que preciso de ir à prima, há logo quem leve a coisa para a malandrice, mas nada disso. A prima é a Erdinger, a excelentíssima cerveja alemã, que, como o próprio nome indica, só pode ser da família. E eu estou farto de dizer à minha mulher: a família devia dar-se mais.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia dos Primos.)

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Quem sai aos seus

Deixe de ser parvo, disse o palerma. E você deixe de ser palerma, disse o parvo. Palerma é melhor que parvo, disse o palerma. Parvo é que é melhor que palerma, disse o parvo. Quem disse, perguntou o palerma. O meu pai, respondeu o parvo. O seu pai é parvo, disse o palerma. E o seu é palerma, disse o parvo. Mas o meu pai é mais palerma que o seu, disse o palerma. E o meu é mais parvo que o seu, disse o parvo. Mas não é palerma, disse o palerma. Nem o seu é parvo, disse o parvo. Dah!, disse o palerma. Dah!, disse o parvo.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial do Cérebro.)

sexta-feira, 15 de maio de 2026

O mundo é pequeno (e um bocado parvo)

- Perdoar-me-á que o interpele assim sem mais nem menos, sem o conhecer de lado nenhum, mas o caro senhor é um bocado parvo, não é?
- Sou, com efeito, um bocado parvo, mas como é que o caro senhor adivinhou?
- Um pressentimento. É que eu também sou...
- O caro senhor também é um pressentimento?
- Não, não, caro senhor: também sou um bocado parvo.
- Como o mundo é pequeno! Somos então praticamente família...
- Parentes, pelo menos...
- E, mal que lhe pergunte, o caro amigo é um bocado parvo por parte da senhora sua mãe ou por parte do senhor seu pai?
- Por parte do senhor meu pai.
- Mas isso é extraordinário, caro amigo, porque eu também sou...
- O caro amigo também é um bocado parvo por parte do senhor meu pai?
- Não, não, caro amigo: sou um bocado parvo mas por parte do senhor meu pai.
- Oh, que pena! De repente, quase que éramos irmãos, não é?...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Internacional da Família.)

sábado, 15 de maio de 2021

Ó prima, ó rica prima!

Foto Hernâni Von Doellinger

Eu tinha umas primas de que não sabia. Foram-me apresentadas há coisa de dois ou três anos pelo meu amigo Paulo Silva, que as conhecia de ginjeira, e desde então não lhes largo as redondezas. Falei nelas no outro dia, disse ao Paulo que havíamos de ir às minhas primas e logo mentes perversas pensaram que eu estava a agendar uma noitada na casa da tia, melhor dizendo: em casa de tia. Mas nada disso. As primas de Leça do Balio são as Erdinger, as excelentíssimas cervejas alemãs que, como o seu próprio nome indica, são praticamente da minha família. E preciso urgentemente de fazer uma festa de despedida.
As Erdinger são infelizmente uma raridade nas prateleiras dos hipermercados. Descubro muito às vezes meia dúzia delas, e vêm logo todas comigo para casa. Mas há um certo sítio, uma esplanada num certo parque junto ao ex-rio mais poluído da Europa, onde costumo marcar encontro com elas e elas não costumam falhar. Parece traição à Pátria, mas é exactamente em Leça do Balio, o berço desse verdadeiro monumento nacional e património material da humanidade que é a Super Bock.
Para beber a Erdinger em casa como manda o figurino, até tive de comprar um copo, caro, enorme, bojudo e cheio de curvas, e é destas redondezas que eu falo. Estou a pensar vendê-lo, ao copo. As minhas primas que me perdoem, mas começam a estar muito acima das minhas posses. E não é que volte para os braços da Super Bock, não. Vou mesmo para a água, e da torneira, pelo menos enquanto não a vierem cá cortar. Portanto, adeus ó primas, ó ricas primas! 

P.S. - Publicado originalmente no dia 9 de Dezembro de 2011. E hoje, 15 de Maio, é Dia Internacional da Família. Já há anos, seis ou sete, que não vou a casa das primas, ricas primas, e as raparigas, há quem me conte para fazer raiva, continuam boas como o trigo. Estou farto de dizer à minha mulher: a família devia dar-se mais...