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| Foto Hernâni Von Doellinger |
Eu tinha umas primas de que não sabia. Foram-me apresentadas há coisa de
dois ou três anos pelo meu amigo Paulo Silva, que as conhecia de
ginjeira, e desde então não lhes largo as redondezas. Falei nelas no
outro dia, disse ao Paulo que havíamos de ir às minhas primas e logo
mentes perversas pensaram que eu estava a agendar uma noitada na casa da
tia, melhor dizendo: em casa de tia. Mas nada disso. As primas de Leça
do Balio são as Erdinger, as excelentíssimas cervejas alemãs que, como o
seu próprio nome indica, são praticamente da minha família. E preciso
urgentemente de fazer uma festa de despedida.
As Erdinger são infelizmente uma raridade nas prateleiras dos
hipermercados. Descubro muito às vezes meia dúzia delas, e vêm logo
todas comigo para casa. Mas há um certo sítio, uma esplanada num certo
parque junto ao ex-rio mais poluído da Europa, onde costumo marcar
encontro com elas e elas não costumam falhar. Parece traição à Pátria,
mas é exactamente em Leça do Balio, o berço desse verdadeiro monumento
nacional e património material da humanidade que é a Super Bock.
Para beber a Erdinger em casa como manda o figurino, até tive de comprar
um copo, caro, enorme, bojudo e cheio de curvas, e é destas redondezas
que eu falo. Estou a pensar vendê-lo, ao copo. As minhas primas que me
perdoem, mas começam a estar muito acima das minhas posses. E não é que
volte para os braços da Super Bock, não. Vou mesmo para a água, e da
torneira, pelo menos enquanto não a vierem cá cortar. Portanto, adeus ó
primas, ó ricas primas!
P.S. - Publicado originalmente no dia 9 de Dezembro de 2011. E hoje, 15 de Maio, é Dia Internacional da Família. Já há anos, seis ou sete, que não vou a casa das primas, ricas
primas, e as raparigas, há quem me conte para fazer raiva, continuam
boas como o trigo. Estou farto de dizer à minha mulher: a família devia
dar-se mais...