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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Descendo ao topo da hora

Ora cá está mais uma interessantíssima problemática. A problemática do "topo da hora", esse escusado e equívoco bordão radiofónico que hoje me proponho dissecar com a seriedade intelectual e a profundidade filosófica do costume.
Na rádio, o "topo da hora" é o sítio onde estão colocados os noticiários. Os noticiários alargados, entenda-se, porque também há as edições apertadinhas, às meias. Doses. "Notícias no topo da hora", costumam dizer-nos os locutores ou jornalistas, remetendo-nos, por exemplo, para as 11 horas, para o noticiário das 11 horas. E aqui é que bate o ponto. Porque (sigam o meu raciocínio, por favor), se o noticiário das 11 horas for no "topo da hora", ele deverá ir para o ar às 11h59m59s, porque aí é que é o topo da hora 11. Isto é: para estarem no "topo da hora", as notícias das 11 só são ao meio-dia; porque, na verdade, as 11 são o topo da hora, mas das 10, da hora 10. O que quer dizer que temos andado estes anos todos com os noticiários trocados.
Que não restem dúvidas: topo, neste contexto, quer dizer a parte mais elevada, o cume. E o cume de uma hora é o último segundo antes de ela entrar na hora seguinte. É certo que topo também pode significar extremidade, mas, se forem por aí, recomenda-se aos senhores locutores, jornalistas e radialistas em geral que apontem sempre as notícias para o topo de baixo.

domingo, 4 de maio de 2014

E por falar em rubrica,

cá vai mais uma borla, à atenção de telejornais e noticiários radiofónicos: a palavra rubrica nunca se escreve com acento, mas lê-se sempre como palavra grave. A sílaba tónica é a penúltima, "bri". Isto é, e passo a fazer o desenho, diz-se sempre "rubríca", como se tivesse acento no i, e nunca "rúbrica", como se tivesse acento no u. Quer signifique assunto específico ou título de captítulo determinado, quer se refira a assinatura abreviada. É sempre rubrica, rubrica, rubrica. Dizendo-se sempre "rubríca", "rubríca", "rubríca".
E, já agora, é período que se diz e não "periúdo". Período, sempre, em todos os múltiplos significados da palavra. Que diabo, custa assim tanto ler os acentos onde eles estão?
Recapitulando: é rubrica e não "rúbrica", é período e não "periúdo". Estamos entendidos?

(Texto escrito e publicado no dia 30 de Junho de 2011. Sempre actual.)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Meio-dia e meio?

Palavra de honra, pensava que esta calinada, esta em concreto, já estivesse erradicada das nossas rádios, mas afinal ainda não está. Ouvi um destes dias, na Star FM, e nem queria acreditar: forçando a nota local, dando conta do novo horário das bibliotecas de Valongo e Ermesinde, o locutor do noticiário fez questão de asnear com todo o garbo metendo lá pelo meio o inexplicável "meio-dia e meio". "Meio-dia e meio"? Mas que raio de hora é isso?
Cá vai, portanto, mais uma borla, esta directamente dirigida ao senhor locutor do noticiário da rádio Star FM. Quando diz "meio-dia e meio", o senhor locutor do noticiário está na verdade a dizer, das duas uma, ou 24 horas (isto é: meio-dia mais outro meio-dia) ou 18 horas (isto é: meio-dia mais meio meio-dia), e não 12h30.
O senhor locutor do noticiário, falando de horas, nunca diz onze e meio, nem duas e meio, ou diz? O que diz é: onze e meia e duas e meia. Pois tome nota: com o meio-dia é exactamente a mesma coisa: meio-dia e meia. Isto é, meio-dia (12 horas) mais meia hora. Isto é, 12h30. Estamos entendidos? Meio-dia e meia! E meia!!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O topo da hora

Ora cá está mais uma interessantíssima problemática. A problemática do "topo da hora", esse escusado e equívoco bordão radiofónico que hoje me proponho dissecar com a seriedade intelectual e a profundidade filosófica do costume.
Na rádio, o "topo da hora" é o sítio onde estão colocados os noticiários. Os noticiários alargados, entenda-se, porque também há as edições apertadinhas, às meias... doses. "Notícias no topo da hora", costumam dizer-nos os locutores ou jornalistas, remetendo-nos, por exemplo, para as 11 horas, para o noticiário das 11 horas. E aqui é que bate o ponto. Porque (sigam o meu raciocínio, por favor), se o noticiário das 11 horas for no "topo da hora", ele deverá ir para o ar às 11h59m59s, porque aí é que é o topo da hora. Isto é: para estarem no "topo da hora", as notícias das 11 só são ao meio-dia; porque, na verdade, as 11 são o topo da hora, mas das 10. O que quer dizer que temos andado estes anos todos com os noticiários trocados.
Que não restem dúvidas: topo, neste contexto, quer dizer a parte mais elevada, o cume. E o cume de uma hora é o último segundo antes de ela entrar na hora seguinte. É certo que topo também pode significar extremidade, mas, se forem por aí, recomenda-se aos senhores locutores e jornalistas que apontem sempre as notícias para o topo de baixo.