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domingo, 4 de maio de 2014

E por falar em rubrica,

cá vai mais uma borla, à atenção de telejornais e noticiários radiofónicos: a palavra rubrica nunca se escreve com acento, mas lê-se sempre como palavra grave. A sílaba tónica é a penúltima, "bri". Isto é, e passo a fazer o desenho, diz-se sempre "rubríca", como se tivesse acento no i, e nunca "rúbrica", como se tivesse acento no u. Quer signifique assunto específico ou título de captítulo determinado, quer se refira a assinatura abreviada. É sempre rubrica, rubrica, rubrica. Dizendo-se sempre "rubríca", "rubríca", "rubríca".
E, já agora, é período que se diz e não "periúdo". Período, sempre, em todos os múltiplos significados da palavra. Que diabo, custa assim tanto ler os acentos onde eles estão?
Recapitulando: é rubrica e não "rúbrica", é período e não "periúdo". Estamos entendidos?

(Texto escrito e publicado no dia 30 de Junho de 2011. Sempre actual.)

terça-feira, 26 de julho de 2011

A fama pela via da estupidez

É a primeira vez que aqui falo do palerma das Caldas da Rainha que ficou famoso por mandar o Guedes sair da frente. Já falei.

Na madrugada de sábado, um miúdo de 17 anos morreu atropelado, em Proença-a-Nova, quando estava com amigos a "tourear" os carros que passavam pelo IC8. De acordo com a imprensa de hoje, a cena estaria a ser filmada pelos colegas e o vídeo seria para colocar no YouTube.
Segundo o Correio da Manhã e o Diário de Notícias, a estúpida "brincadeira" consiste em simular a travessia da estrada, com o objectivo de assustar os condutores e de obrigar os carros a desviarem-se. Deste vez, desgraçadamente, terá falhado a última parte.
Este é um "fenómeno que tem popularidade no YouTube, onde são colocados muitos vídeos com jovens a arriscar a vida para serem filmados a fazerem de toureiros perante carros que passam a grande velocidade nas vias", esclarece o DN digital, que, mais pedagógico era impossível, até se dá ao trabalho de publicar um vídeo a explicar como se faz.
Pois é: estes fenómenos de imitação, potenciados pelo alcance universal do YouTube, são um perigo! E às vezes, como agora, são fatais! Há outras maneiras mais saudáveis de chegar à fama, ainda que efémera, mas esta é certamente mais rápida. E tremendamente imbecil.

Estão a ver por que razão falei aqui pela primeira vez do palerma das Caldas da Rainha que ficou famoso por mandar o Guedes sair da frente? Exactamente: o medo pode ser uma cena que a ele não lhe assiste, mas a inteligência também não. E não é o único. Os palermas que lhe fizeram a fama, incluindo os palermas dos jornais e os palermas dos telejornais, parece que também não sabem, por exemplo, que a fama instantânea tem sempre um preço. E o rapaz de Proença-a-Nova pagou a factura.