Castanheiros, irmãos!
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Carregados de ouriços que são ninhos
Onde as castanhas dormem como noivos!
Troncos abertos,
Casas abertas,
Ao vosso abrigo
Dormem os pobres,
Pegam no sono,
Passam as noites
Quando cai neve!
Peitos vazios,
Escancarados,
Sem nada dentro,
Nem coração!
Dais lume, calor
E dais sustento para a mesa,
E dais o mais que eu não sei!...
Ó castanheiros de folhas de ouro,
Apenas sou vosso irmão
Em que a terra vos criou
E criou-me a mim também;
Em que vós ergueis os braços
Suplicantes para os céus
E eu também levanto os meus...
Ah! Castanheiros, mas eu
Grito e vós ficais calados!
Seremos, por isto só,
Irmãos? Seremos? Não sei:
Vós tendes roupas de rei,
Eu tenho roupas de Job;
Vós só gritais quando o vento
Vos abre a boca e fustiga:
Então ergueis um clamor...
- Não calo nunca no peito
A dor do meu sofrimento
E nunca chego a dizê-la,
Nem há ninguém que me diga.
Ó castanheiros de folha de ouro,
Não,
Eu não sou vosso irmão!...
"Mar Coalhado", Branquinho da Fonseca
(Branquinho da Fonseca nasceu no dia 4 de Maio de 1905. Morreu em 1974.)
Mostrar mensagens com a etiqueta lago. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta lago. Mostrar todas as mensagens
sábado, 4 de maio de 2019
sexta-feira, 4 de maio de 2018
Branquinho da Fonseca 4
O arquipélago das sereias
Ó nau Catrineta
Em que andei no mar
Por caminhos de ir,
Nunca de voltar!
Veio a tempestade
Perder-se do mundo,
Fez-se o céu infindo,
Fez-se o mar sem fundo!
Ai como era grande
O mundo e a vida
Se a nau, tendo estrela,
Vogava perdida!
E que lindas eram
Lá em Portugal
Aquelas meninas
No seu laranjal!
E o cavalo branco
Também lá o via
Que tão belo e alado
Nenhum outro havia!
Mundo que não era,
Terras nunca vistas!
Tive eu de perder-me
Pra que tu existas.
Ó nau Catrineta
Perdida no mar,
Não te percas ainda,
Vem-me cá buscar!
"Mar Coalhado", Branquinho da Fonseca
(Branquinho da Fonseca nasceu no dia 4 de Maio de 1905. Morreu em 1974.)
Ó nau Catrineta
Em que andei no mar
Por caminhos de ir,
Nunca de voltar!
Veio a tempestade
Perder-se do mundo,
Fez-se o céu infindo,
Fez-se o mar sem fundo!
Ai como era grande
O mundo e a vida
Se a nau, tendo estrela,
Vogava perdida!
E que lindas eram
Lá em Portugal
Aquelas meninas
No seu laranjal!
E o cavalo branco
Também lá o via
Que tão belo e alado
Nenhum outro havia!
Mundo que não era,
Terras nunca vistas!
Tive eu de perder-me
Pra que tu existas.
Ó nau Catrineta
Perdida no mar,
Não te percas ainda,
Vem-me cá buscar!
"Mar Coalhado", Branquinho da Fonseca
(Branquinho da Fonseca nasceu no dia 4 de Maio de 1905. Morreu em 1974.)
Etiquetas:
Branquinho da Fonseca,
cultura,
lago,
literatura,
livros,
O arquipélago das sereias,
poesia,
poetas,
série Escritores,
Vento de Longe
quinta-feira, 4 de maio de 2017
Branquinho da Fonseca 3
Lago
Com duas tábuas fiz
Com duas tábuas fiz
O barco onde navego
E onde sou tão feliz
Que nunca chego...
E onde sou tão feliz
Que nunca chego...
Vou sonhando e cantando,
Tão alto, que não sei se o mar e o céu vão bons
Ou se vão mal...
Só quero ir sempre andando
E reparando
Nas diferenças
Da paisagem sempre igual...
"Mar Coalhado", Branquinho da Fonseca
(Branquinho da Fonseca nasceu no dia 4 de Maio de 1905. Morreu em 1974.)
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)