Volúpia
Quisera te associar à pureza e à candura
quando pensasse em ti... Mas a emoção, teimosa,
transforma sem querer toda a minha ternura
numa estranha lembrança ardente voluptuosa...
Não poderei dizer apenas que és formosa
quando a própria beleza em ti se transfigura,
- e pela tua carne há pétalas de rosa
e no teu corpo há um canto fresco de água pura!
Um sincero pudor vislumbro em teus enleios,
mas se disser que te amo com pureza, eu minto,
- no olhar trago tatuada a visão de teus seios...
E em vão tento associar-te ao céu, à fonte, à flor!
Quando falo de ti, penso em teu corpo, e sinto
que ainda estremece em mim teu último estertor!
"Poemas do Amor Ardente", J. G. de Araújo Jorge
(J. G. de Araújo Jorge nasceu no dia 20 de Maio de 1914. Morreu em 1987.)
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segunda-feira, 20 de maio de 2019
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Florbela Espanca 2
Volúpia
No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
A sombra entre a mentira e a verdade...
A nuvem que arrastou o vento norte...
- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...
"Charneca em Flor", Florbela Espanca
(Florbela Espanca nasceu no dia 8 de Dezembro de 1894. Morreu em 1930.)
No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
A sombra entre a mentira e a verdade...
A nuvem que arrastou o vento norte...
- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...
"Charneca em Flor", Florbela Espanca
(Florbela Espanca nasceu no dia 8 de Dezembro de 1894. Morreu em 1930.)
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