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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

As meninas... dançam?

Foto Grupo Nun'Álvares

Lembram-se do futebol de salão? O que é que nos vinha à cabeça quando se falava de futebol de salão? O salão. Uns cavalheiros vestidos de fraque e com um número nas costas e umas cavalheiras despidas nas costas e no resto, agarrados um ao outro e rodopiando pelo rinque árabe do Palácio da Bolsa como Fred Astaire e Ginger Rogers e uma bola pequenina no meio, um árbitro e o apito, um júri e tabuletas. Para evitar confusões, o futebol de salão passou a chamar-se futsal. E é o sucesso que se sabe...

P.S. - Publicado originalmente no dia 20 de Julho de 2015. As meninas do Grupo Nun'Álvares, de Fafe, conquistaram ontem a Taça da Liga Feminina de Futsal, vencendo o Benfica, por 2-1, na final disputa em Loulé. Acreditem no que lhes digo: é um feito extraordinário!

sábado, 26 de janeiro de 2019

Quando os árbitros eram mais bar do que var

Comecei a ir ao futebol pela mão do meu pai. Íamos ao Campo da Granja ver o Fafe. O Campo da Granja tinha uma bancada pequena apontada ao grande círculo e uma nora atrás da baliza do lado de São Gemil. A nora, neste caso, era um engenho para tirar água de um poço e não funcionava. Mas ficava num altinho muito jeitoso para a assistência. A assistência naquele tempo não era passe para golo, era pessoas. Eu e o meu pai víamos os treinos, os jogos, os juniores em vez da missa (o que arreliava a minha mãe), as reservas e, ao domingo à tarde, o primeiro time. Os domingos à tarde da minha infância eram os melhores dias do mundo. Até tinham altifalantes com marchas do John Philip Sousa. Depois o meu pai deixou de ir à bola, por razão de força maior, e eu continuei.
O Campo da Granja desistiu para dar lugar a uma escola de pré-fabricados. E foi bom para todos. Ganhámos o ciclo preparatório e um estádio que havia de ser, mesmo encostado aos Bombeiros. Apareceu-me o buço e, embora uma coisa não tenha a ver com a outra, passei a acompanhar a Associação para todo o lado, pendurado na generosidade de amigos mais velhos e com emprego. Frequentei todos os campos e estádios do Norte do País e, já praticamente de bigode, até fui ao Barreiro arrancar à CUF um lugar nas meias-finais da Taça de Portugal que nos roubaram.
Quando mudei a minha vida para o Porto ainda se ia ao futebol em família. Quero dizer: famílias inteiras, com pai, mãe, avós e netos, sobrinhos, primos, namoradas e namorados. Podia-se ir, não era perigoso. Eu fui logo morar para o Estádio das Antas, Superior Norte, porta com porta com o meu tio Zé da Bomba, que já lá morava há que anos. Consegui converter a minha mulher ao FC Porto, fi-la também sócia e passámos a ir à bola os dois, eu e ela com a cesta do merendeiro atrás, porque naquele tempo não havia lugares marcados e para jogos grandes era mesmo preciso entrar de véspera. E quando digo merendeiro quero dizer exactamente merendeiro: frango assado, sandes de vitela ou lombo de porco, panados, bolinhos de bacalhau, bacalhau frito, pataniscas, feijoada, salada russa, iscas de fígado, rojões, moelas de coelho, arroz à valenciana, filetes de pescada, salpicão, presunto e rebentos de soja, uma toalha de linho em cima dos joelhos, uma garrafosa de verde tinto bem fresquinho, ou duas, e uma garrafa de litro de cerveja, ou duas, por causa dos descontos. Entrava tudo. E marchava tudo. Para não virmos carregados para casa. Aquilo é que era futebol!
Se o FC Porto não jogava nas Antas, então eu ia ao Mar torcer pelo Leixões ou ao Bessa ver o Boavista. Aos sábados puxava pelo Salgueiros em Vidal Pinheiro que Deus tem ou matava o vício no claustrofóbico campo do Infesta, que me dava falta de ar. Às quartas, dia da minha folga do trabalho, papava campeonatos de reservas, desempates da Taça de Portugal, liguinhas de subida de divisão e torneios de apuramentos de campeões. Em Santo Tirso, em Vila do Conde, na Póvoa de Varzim, em Espinho, em Aveiro, onde calhasse aqui à roda. Havia jogo, eu estava lá. E regalava-me. Mas depois chegaram as claques "organizadas", como se diz para o crime, e eu vim-me embora.

Às vezes tenho saudades. Tive saudades aqui atrasado ao ver as imagens da televisão em Alvalade, momentos antes de um jogo europeu do Sporting: um avô e dois netos (foi o que me pareceu) agarrados à marmita com o apetite a cem e o sportinguismo a mil. Ali os três que apanhei por acaso, puros, em paz, com espaço, na serena expectativa da capilota adivinhada, felizes da vida como era eu nos domingos à tarde do Campo da Granja ou nas ceias com a minha mulher lá no degrau mais alto da Superior Norte das Antas. (Quando era criança, o Kiko, meu filho, adorava também ir lanchar aos campos de futebol...) Claro que em Alvalade era jogo de meia casa e com um adversário de boas-festas. Claro que agora nos estádios não há bares à moda antiga, só se pode comer plástico. E claro que já não se ouve The Stars and Stripes Forever e o Toni Dantas também não. Mas o resto aqueles três da televisão tinham...

Desta vez, para chegar aqui: logo à noite (para pessoas da minha idade, aquela hora da tarde já é noite), logo à noite, dizia, Porto e Sporting discutem a final da Taça da Liga, em Braga, com grunhos das duas cores nas bancadas, e quem dera que não no relvado. Tanto quanto percebi, o jogo vai ser apitado directamente de Lisboa, por cabo, com dois-videoárbitros-dois mais não sei quantos ajudantes. Em campo, João Pinheiro fará papel de pau-mandado.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Organizem-se, porra!

Foto Hernâni Von Doellinger

A Liga, os clubes, a Federação, as equipas B, o campeonato da primeira divisão, o campeonato da segunda divisão, a Taça de Portugal e a Taça da Cerveja: anda tudo bêbado. Afinal parece que o cancro do futebol português não é, como estava combinado, o criminoso quarto de hora perpetrado pelo FC Porto, a coberto da noite e por meio de estroncamento. E até daria jeito que fosse, porque era por ali que se cortava e, pronto, o país de letra pequena sossegava a pássara. Bater no FC Porto faz bem a Portugal. E faz bem à Bola, o jornal, e ao Correia da Manhã. Porém vai-se a ver e a merda é geral. Benfica, Sporting e Marítimo também se estão borrifando para a famigerada lei das 72 horas - diz uma "denúncia". Reparem: nada de anormal ressaltou nos registos oficiais. Os organizadores das provas nacionais não verificam nada - nem antes, nem durante, nem depois dos jogos. Foi uma "denúncia". Anónima e retardatária. Obviamente revanchista. Conclusão: a Liga e a Federação não sabem tomar conta do negócio. E A Bola e o Correio da Manhã também não.
Sempre quero ver - no fim disto tudo, se isto tudo tiver fim - quantos pontos vão perder a Federação e a Liga de Clubes.

E já agora: a selecção do Equador é, de facto, muito parecida com a selecção de Israel. Paulo Bento tem toda a razão: Equador e Israel, há lá coisa mais "similar"?
Depois da noite de ontem, tenho muito medo de Israel.

domingo, 15 de abril de 2012

A derrota vende-se. E a vitória compra-se?

Dizem os entendidos que o Gil Vicente vendeu cara a derrota. Se assim não fosse, o Benfica teria comprado barata a vitória? Não. Isso nunca se diz.
A semântica desportiva é amoral e injusta com os fracos no futebol. Mas às vezes eles põem-se a jeito. Ainda agora: os vinte do autodenominado Movimento dos Clubes de Fátima, ou confraria dos emprestados, anunciaram ontem que ou a Federação lhes dá o alargamento que lhes apetece ou então tomarão "medidas drásticas". Tomem, tomem! Vejam lá onde.