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terça-feira, 20 de setembro de 2022

Polícia para todo o serviço

Agora imaginem que iam a entrar no Parque da Cidade do Porto, ali junto ao Sea Life, e viam o buggy da Polícia Municipal parado às portas escarrapachadas das casas de banho públicas e ouviam de lá de dentro duas ou três daquelas potentes descargas de limpeza. O que é que pensavam? Eu ajudo. Pensavam: ao que isto chegou! Os nossos agentes da autoridade a passarem as retretes a pano... Razão têm eles quando vêm para a rua protestar "contra a degradação das condições de trabalho". Foi também o que eu pensei.
E tinha lógica. Porque a Polícia Municipal do Porto, embora seja um destacamento da PSP, actua, "para efeitos de serviço", na dependência directa do presidente da autarquia, que é Rui Moreira, e Rui Moreira tem de vez em quando assim umas saídas que valha-me Deus!...
Mas depois saiu do WC uma senhora toda fardada de verde da Câmara, e que eu sei que não é cívica, e então percebi. Acho que percebi. Se calhar não havia mais nenhum veículo disponível, e o pessoal das limpezas do Parque pegou no carro da Polícia, com os dizeres oficiais, a fitinha axadrezada a toda a volta e o pirilampo azul mas desligado, e lá foi para o servicinho. Uf!, fiquei mais descansado.
Já se sabia que os nossos polícias têm de levar papel higiénico para as esquadras se não quiserem limpar o cu às meias, mas ainda bem que ninguém os obriga a lavar as sentinas. Pelo menos para já. E que se saiba.

Alta Autoridade

Era polícia municipal e media quase dois metros. Chamavam-lhe Alta Autoridade.

sábado, 24 de março de 2012

Os espreitas do Parque

não são um grupo excursionista. Nem um rancho folclórico. Os espreitas do Parque são um bando de tarados que se reúne no principal e mais abrangente miradouro do Parque da Cidade do Porto. É dali que esmiuçam a paisagem envolvente à procura de casalinhos no truca-truca. É ali que contam uns aos outros as mais recentes descobertas e que trocam experiências.
Os espreitas do Parque são uma espécie de tertúlia de alarves que às vezes acomoda também, em amena cavaqueira e descontraída camaradagem, funcionários do próprio Parque, funcionários da empresa de segurança do Parque e até agentes da Polícia Municipal.
Mas as forças da autoridade têm uma desculpa. O miradouro está ali mesmo a pedi-las. É praticamente um forte, uma posição alcantilada de vigilância e defesa. E as forças da autoridade sempre gostaram disto. Desde o tempo dos romanos.

(Publiquei este texto no dia 1 de Agosto de 2011 e voltei ao assunto, com palpitantes novidades, no dia 22 de Setembro de 2011. Funcionários, vigilantes e polícias já por lá não param, mas os badalhocos de algibeira sim.)

terça-feira, 13 de março de 2012

Sexo, sim, mas com respeito

Euclides Santos, o comandante da Polícia Municipal de Coimbra que, no Natal, levou com um processo disciplinar por desejar a todos os funcionários da autarquia "relações sexuais incríveis", foi agora punido com a cessação da comissão de serviço e uma multa no valor correspondente a um dia de trabalho.
Pronto. Está reposto o "bom nome" da corporação e foi lavada a honra da Câmara Municipal de Coimbra, que era o que preocupava o presidente João Paulo Barbosa de Melo. A moral e os bons costumes prevaleceram, a cidade e o País vão dormir mais descansados. Sexo, sim, mas com respeito, amém.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Euclides de Coimbra

Euclides Santos é um homem de bom coração, que só quer o bem de quem o rodeia. E era, pelo menos até ontem, o comandante da Polícia Municipal de Coimbra. Está com um processo disciplinar em cima e deverá ser suspenso. Apenas porque ousou ir mais longe do que o infeliz Presidente da República nos seus votos de boas festas: enviou a todos os funcionários da autarquia uma apresentação em powerpoint de 25 páginas, com gajas praticamente nuas e em poses sensuais, desejando que todos os destinatários tenham em 2012, entre outras coisas boas (como trabalho e ordenados em dia), "relações sexuais incríveis".
"Esta é uma belíssima época, em todo o mundo, para desejar que haja paz, que se tenha saúde, que se viva com amor, que blah… blah… blah…", começava por dizer o bom do Euclides. Depois de várias páginas com fotos de mulheres em trajes menores, a mensagem continuava: "E basta de farsas e de palavreado inútil! O que eu desejo, de todo o coração, é que tenhas relações sexuais incríveis, uma vida alegre e feliz, que trabalhes muito e que te paguem bem!". "E agora não digas que não sou um teu grande amigo”, concluía o autor da mensagem, após mais uma sequência de fotos e frases do mesmo género.
Minutos depois do envio, Euclides Santos ter-se-á arrependido, disse que foi engano e pediu desculpas "a todos e a todas", manifestando "o máximo respeito por toda a gente e em particular por cada um". Convenhamos: o Euclides atesoado e "grande amigo" tinha muito mais piada.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Polícia para todo o serviço

Agora imaginem que iam a entrar no Parque da Cidade do Porto, ali junto ao Sea Life, e viam o buggy da Polícia Municipal parado às portas escarrapachadas das casas de banho públicas e ouviam de lá de dentro duas ou três daquelas potentes descargas de limpeza. O que é que pensavam? Eu ajudo. Pensavam: ao que isto chegou! Os nossos agentes da autoridade a passarem as retretes a pano... Razão têm eles quando vêm para a rua protestar "contra a degradação das condições de trabalho". Foi também o que eu pensei.
E tinha lógica. Porque a Polícia Municipal do Porto, embora seja um destacamento da PSP, actua, "para efeitos de serviço", na dependência directa do presidente da autarquia, que é Rui Rio. E Rui Rio, já se sabe.
Mas depois saiu uma senhora toda fardada de verde da Câmara, e que eu sei que não é cívica, e então percebi. Acho que percebi. Se calhar não havia mais nenhum veículo disponível, e o pessoal das limpezas do Parque pegou no carro da Polícia, com os dizeres oficiais, a fitinha axadrezada a toda a volta e o pirilampo azul mas desligado, e lá foi para o servicinho. Uf!, fiquei mais descansado.
Já se sabia que os nossos polícias têm que levar papel higiénico para as esquadras se não quiserem limpar o cu às meias, mas ainda bem que ninguém os obriga a lavar as sentinas. Pelo menos para já. E que se saiba.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Os espreitas do Parque

não são um grupo excursionista. Nem um rancho folclórico. Os espreitas do Parque são um bando de tarados que se reúne no principal e mais abrangente miradouro do Parque da Cidade do Porto. É dali que esmiuçam a paisagem envolvente à procura de casalinhos no truca-truca. É ali que contam uns aos outros as mais recentes descobertas e que trocam experiências.
Os espreitas do Parque são uma espécie de tertúlia de alarves que às vezes acomoda também, em amena cavaqueira e descontraída camaradagem, funcionários do próprio Parque, funcionários da empresa de segurança do Parque e até agentes da Polícia Municipal.
Mas as forças da autoridade têm uma desculpa. O miradouro está ali mesmo a pedi-las. É praticamente um forte, uma posição alcantilada de vigilância e defesa. E as forças da autoridade sempre gostaram disto. Desde o tempo dos romanos.