Trova das sete naos
Refenda das sete naos
ben ouviredes contar...
Elas eran sete naos
todas de engebre cristal
- sete bágoas orfas de ollos
que as quixeran derramar -,
que c-un paxaro prisado
por un mar témero van
- cada paxaro unha trova
virge de beizo mortal -.
Non teñen ren de aparello,
nin foz onde aparellar.
Levan por treu âs estrelas,
Deus do Ceu por capitán.
Á unha chaman Pensamento,
â outra chaman Libertá.
Os nomes que as outras portan
son de outo paraio real...
Pol-a costa verdegada
que dín de Jacobusland,
no intre da media noite
anda a serea á cantar.
As cántigas que ela deita
na vida ouviredes tal!
Âs aves que van prisadas
dalles moita señardá.
Deus do Ceu aloumiñado
ben as quijera ceibar
e as sete naos pulidas
todas de engebre cristal,
escáchanse nos brandidos
penedos da beiramar.
Os sete paxaros ceibes
â nacenza da mañán,
pol-as grañas infinidas
ben os veredes voar.
No bico locen saudades
da boa Jacobusland;
seu brasón no firmamento
as sete queren formar
que seja voz no silenzo,
lumieira na escuridá
para a terra da lanzalía
entre as terras a lanzal.
Pousaron no setestrelo
eternamente á cantar!
"Nao Senlleira", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
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quarta-feira, 31 de março de 2021
terça-feira, 31 de março de 2020
Fermín Bouza Brey 6
Tópico no porto
- "Ai amor; ai amor; ai amor!..."
Na amura, o rapaz de abordo
soletrêa no escordeão.
O mar devala, devala...
Panos de limão do sol
mandam-lhe adeuses à praia.
- "Ai amor; ai amor; ai amor!..."
Um marinheiro assanhado
mata ao longe ua canção.
Cara à Estrela da Fartura
arregala os olhos teixos
o remador da falua.
Bate à noite o coração
lembranças, saudades, bágoas...
- "Ai amor; ai amor; ai amor!..."
"Seitura", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
- "Ai amor; ai amor; ai amor!..."
Na amura, o rapaz de abordo
soletrêa no escordeão.
O mar devala, devala...
Panos de limão do sol
mandam-lhe adeuses à praia.
- "Ai amor; ai amor; ai amor!..."
Um marinheiro assanhado
mata ao longe ua canção.
Cara à Estrela da Fartura
arregala os olhos teixos
o remador da falua.
Bate à noite o coração
lembranças, saudades, bágoas...
- "Ai amor; ai amor; ai amor!..."
"Seitura", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
domingo, 31 de março de 2019
Fermín Bouza Brey 5
Lectura autumnal
Na serã escalaçada
remanece o meu fastio
no azul dos tolhe-merendas
e no marelo dos vímbios.
Na brétema se arrandêa
meu coração esquencido,
mentras o orvalho destece
os contornos fugitivos.
Cando queiras podes vir,
feliz ensono perdido,
que a luz ja vai debecendo,
das mãos escorrega o livro
e na fiestra, embaçados,
choram docemente os vidros...
"Seitura", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
Na serã escalaçada
remanece o meu fastio
no azul dos tolhe-merendas
e no marelo dos vímbios.
Na brétema se arrandêa
meu coração esquencido,
mentras o orvalho destece
os contornos fugitivos.
Cando queiras podes vir,
feliz ensono perdido,
que a luz ja vai debecendo,
das mãos escorrega o livro
e na fiestra, embaçados,
choram docemente os vidros...
"Seitura", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
sábado, 31 de março de 2018
Fermín Bouza Brey 4
Candêa eterna
A longura das somas afumadas de dúbidas cingue-me neste mar de sonos e silenços. Meus sensos agrilhoados por astraes cadêas não sabem derrubar os ídolos do medo.
Falhan vermes de luz pra os caminhos inhotos, sobram escuros veus pra os carreiros sem perda. Ja não atino - Deus! - c'os alcesos degaros no facho das espranças que pressentim eternas.
Porque eissi me fiseche de humana melodia, vibrátil como gládio por Arcanjo brandido, é que, a pouco, derramo, no fito de outros longes, meu fato de amarelhe nas pugas dos azibros.
Ai, quem dera atopar aquilo de que fujo à toa, toupinhando como ua estrela cega; apanhar os espantos, a perfídia e as dôres, ter de mão as angúrias e acarinhar as trévoas!
Alcende em min, Senhor, aquil candor de neno, ingel, virgem candêa que não se queime nunca!... Pervagar, sim lixar-me, por tam immensas covas!
Esculcar, sim caír, em tam douradas furnas!
"Seitura", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
A longura das somas afumadas de dúbidas cingue-me neste mar de sonos e silenços. Meus sensos agrilhoados por astraes cadêas não sabem derrubar os ídolos do medo.
Falhan vermes de luz pra os caminhos inhotos, sobram escuros veus pra os carreiros sem perda. Ja não atino - Deus! - c'os alcesos degaros no facho das espranças que pressentim eternas.
Porque eissi me fiseche de humana melodia, vibrátil como gládio por Arcanjo brandido, é que, a pouco, derramo, no fito de outros longes, meu fato de amarelhe nas pugas dos azibros.
Ai, quem dera atopar aquilo de que fujo à toa, toupinhando como ua estrela cega; apanhar os espantos, a perfídia e as dôres, ter de mão as angúrias e acarinhar as trévoas!
Alcende em min, Senhor, aquil candor de neno, ingel, virgem candêa que não se queime nunca!... Pervagar, sim lixar-me, por tam immensas covas!
Esculcar, sim caír, em tam douradas furnas!
"Seitura", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
sexta-feira, 31 de março de 2017
Fermín Bouza Brey 3
Diante do mar de Cambados
O canistrel de méstos lumiares
que na serã calada se derrama,
todo luz, todo ouro, todo flama,
enveja de sol-pores e de mares,
prelúdio é dos pálidos luares
com que na noite a praia se recama,
em tanto a onda em paxião ama e desama,
envolveita nas névoas tutelares…
Ria de Arousa, grávida de côres,
serêa dos atlânticos amores
que acarinhache a minha infância ingela,
fai-me un recanto no argacento colo,
um sártego onde durma ao teu arrolo
no mais esquivo côm da tua orela!
"Seitura", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
O canistrel de méstos lumiares
que na serã calada se derrama,
todo luz, todo ouro, todo flama,
enveja de sol-pores e de mares,
prelúdio é dos pálidos luares
com que na noite a praia se recama,
em tanto a onda em paxião ama e desama,
envolveita nas névoas tutelares…
Ria de Arousa, grávida de côres,
serêa dos atlânticos amores
que acarinhache a minha infância ingela,
fai-me un recanto no argacento colo,
um sártego onde durma ao teu arrolo
no mais esquivo côm da tua orela!
"Seitura", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
quinta-feira, 31 de março de 2016
Fermín Bouza Brey 2
Cruzeiro
Trivium, encruzilhada
do Infinido.
Cara a Ti vão, Senhor,
os três hirtos caminhos.
Um serpêa os beirales
dos desacougos místicos
que fão do amor um pasmo
e fão do pasmo um rito
e matinam de cote
no Deus Único e Trino.
Outro, rudo, flagela
nosso corpo cativo, arelando se ceive
o esprito.
Eu vou polo vieiro
na terra frolecido
e vejo-te, Senhor,
ao pé de cada esquivo
penedo, percorrendo
o celme em cada pino,
bulindo em cada verme,
choutando em cada ninho,
pinchando-te nos tojos,
bicando logo os pinchos,
pegureiro do monte
c'o armentio,
nas mourenças do mar
marinho,
nos sinos e nas ervas
saudoso e lírico,
na fartura dos vales
trocado em pão e vinho...
Senhor, que bem me amostras
o carreiro alcendido
c'os teus braços de pedra,
tam feridos,
apreixando a campía
neste trivium!
"Seitura", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
Trivium, encruzilhada
do Infinido.
Cara a Ti vão, Senhor,
os três hirtos caminhos.
Um serpêa os beirales
dos desacougos místicos
que fão do amor um pasmo
e fão do pasmo um rito
e matinam de cote
no Deus Único e Trino.
Outro, rudo, flagela
nosso corpo cativo, arelando se ceive
o esprito.
Eu vou polo vieiro
na terra frolecido
e vejo-te, Senhor,
ao pé de cada esquivo
penedo, percorrendo
o celme em cada pino,
bulindo em cada verme,
choutando em cada ninho,
pinchando-te nos tojos,
bicando logo os pinchos,
pegureiro do monte
c'o armentio,
nas mourenças do mar
marinho,
nos sinos e nas ervas
saudoso e lírico,
na fartura dos vales
trocado em pão e vinho...
Senhor, que bem me amostras
o carreiro alcendido
c'os teus braços de pedra,
tam feridos,
apreixando a campía
neste trivium!
"Seitura", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
segunda-feira, 31 de março de 2014
Fermín Bouza Brey
Nao senlleira
¡Quén dera ser nao senlleira
n-aquel mar non presentido
das ja mergulladas terras!
Sen ceo, sen astros, sen vento,
sempre â toa pol-as ondas
deitado no esquecimento,
nin andar nin desandar,
nin ter outro coido acedo
que leijarse ir pol-o mar...
¡Quén dera ser nao senlleira!
Sen fito - estrela nin porto -
¡ser eu a propia ribeira!
"Nao Senlleira", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
¡Quén dera ser nao senlleira
n-aquel mar non presentido
das ja mergulladas terras!
Sen ceo, sen astros, sen vento,
sempre â toa pol-as ondas
deitado no esquecimento,
nin andar nin desandar,
nin ter outro coido acedo
que leijarse ir pol-o mar...
¡Quén dera ser nao senlleira!
Sen fito - estrela nin porto -
¡ser eu a propia ribeira!
"Nao Senlleira", Fermín Bouza Brey
(Fermín Bouza Brey nasceu no dia 31 de Março de 1901. Morreu em 1973.)
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