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domingo, 8 de outubro de 2017

Evaristo da Veiga 3

Soneto à Independência 

Com traidoras promessas de igualdade 
Mascarando mil pérfidos enganos,
Tinham tentado bárbaros tiranos
Despojar o Brasil da Liberdade. 


Mas Pedro, o Nosso Herói na tenra Idade,
Soube prudente desfazer seus planos:
Seu Peito Forte os iminentes danos
Afastou da horrorosa Tempestade. 


Que prêmio a tantos Feitos. Neste Dia,
Em que por nos salvar do cativeiro
À terra o Céu benéfico te envia,


O Povo, oh Pedro, Imperador Primeiro,
 
Entre vivas Te aclama de alegria
Neste nascente Império Brasileiro.
 
"Poesias de Evaristo Ferreira da Veiga", Evaristo da Veiga 

(Evaristo da Veiga nasceu no dia 8 de Outubro de 1799. Morreu em 1837.)

sábado, 8 de outubro de 2016

Evaristo da Veiga 2

Soneto ao Brasil 

Minha Pátria, oh Brasil! tua grandeza
Por léguas mil imensa se dilata
Do Amazonas caudoso ao rico Prata,
Os dois irmãos sem par na redondeza.

Das tuas serranias na aspereza,
Na fechada extensão da intensa mata,
No solo prenhe d'oiro se recata
Tosca, sim, mas sublime a Natureza.

Da antiga Europa os dons em ti derrama
junto dos mares a civil cultura,
Que das artes e Indústria os frutos ama.

De teus filhos o amor mil bens te augura
E aos lares teus a Liberdade chama.
Não: não tens que invejar maior ventura.
 

Evaristo da Veiga 

(Evaristo da Veiga nasceu no dia 8 de Outubro de 1799. Morreu em 1837.)

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Evaristo da Veiga

Bilhete em verso ao Thomaz

Bonjour Mr. Thomaz, comment se porte:
Je suis ravi de voir que o seu visage
Dá de bonne santé toda a apparencia:
Moi pour votre service; aqui lhe trago
Mon paquet poetique, que he composto,
D'un rang, ou rango de versinhos soltos,
E d'un Ode; oh que Ode! coisa boa!
Quatorze estrophes tem todas inteiras,
Sem que lhe falte ao menos um só verso:
As sílabas também (ou je me trompe)
Não tem falta nenhua, nem sobejo;
Contei-as duas vezes pelos dedos,
Duas vezes me deo a conta certa.
Não arrepare nesta Francezia,
Que c'est l'usage cá da nova escola,
Que se moquant do ranço dos antigos,
Já banirão das suas livrarias
Andrade, Coito, Barros, e Lucena,
Que serião peut être bons Authores,
Se soubessem Francez; se que dois dedos;
Mas assim fazem dó, Je vous demande
Pardon da secatura; e como finda
Aqui o meu papel, também eu findo. 

Evaristo da Veiga 

(Evaristo da Veiga nasceu no dia 8 de Outubro de 1799. Morreu em 1837.)