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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Rabichas, foguetes e foguetões

Cheira a Natal
Já cheira a Natal - alguém disse. Ele, atrapalhado, explicou - Não fui eu.

Não sei se vos lembrais: Eurico da Fonseca (1921-2000) foi o principal especialista português em astronáutica, e creio que ainda é, embora já não exerça por razão de força maior. Praticamente autodidacta, nomeado investigador por decreto-lei e oficialmente equiparado a professor catedrático, colaborou com a NASA e conheceu os principais responsáveis pelo Programa Apollo. Notabilizou-se entre nós como divulgador de assuntos científicos. Na rádio, acompanhou em directo, na então Emissora Nacional, a chegada do homem à Lua e comentou os voos espaciais norte-americanos e soviéticos. Mas era na RTP que eu gostava de o ouver. Ouver, escrevi bem. O primeiro passo de Neil Armstrong também deu na televisão e, eu bem vi, a Lua era em câmara lenta.
Pois foi com Eurico da Fonseca na televisão - na televisão evidentemente a preto e branco do café Peludo - que eu aprendi que, quando se fala de um lançador espacial, deve dizer-se foguete e não foguetão. Foguete. Tal como na meia de vidro com fio puxado. Foguete. Tal como o velho comboio Porto-Lisboa que era praticamente um luxo e chegava aos cem à hora. Foguete. Tal como no Santo António da minha rua em Fafe, com girândolas, diabos-encaixados, bombinhas, estalinhos e bichas-de-rabear, ou rabichas, como por cá se chamavam. Foguete. E outro especialista em foguetes e apetrechos correlativos era o nosso Rates, raríssimo cromo de almanaque. Foguete. Eurico da Fonseca explicava, apenas insinuando, que foguetão é outra coisa: por exemplo, coisa gasosa, eventualmente sonora e, por norma, fedorenta. Quer-se dizer: um peido, uma bufa, um traque, um flato, uma farpa, um pum, com vossa repetida licença, e isso já seria matéria da alçada do nosso Moisés...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Internacional da Lua. E Dia Internacional do Xadrez. E Dia do Amigo.)

terça-feira, 12 de abril de 2022

Foguetes, foguetinhos e foguetões

Não sei se se lembram: Eurico da Fonseca (1921-2000) foi o principal especialista português em astronáutica. Praticamente autodidacta, nomeado investigador por decreto-lei e oficialmente equiparado a professor catedrático, colaborou com a NASA e conheceu os principais responsáveis pelo Programa Apollo. Notabilizou-se, entre nós, como divulgador de assuntos científicos. Na rádio, acompanhou em directo, na então Emissora Nacional, a chegada do homem à Lua, há exactamente cinquenta e um anos, e comentou os voos espaciais norte-americanos e soviéticos. Mas era na RTP que eu gostava de o ouver. Ouver, escrevi bem.
Pois foi com Eurico da Fonseca na televisão que eu aprendi que, quando se fala de um lançador espacial, deve dizer-se foguete e não foguetão. Foguete. Tal como na meia de vidro com fio puxado. Foguete. Tal como no Santo António da minha rua em Fafe, com girândolas, diabos-encaixados, bombinhas, estalinhos e bichas-de-rabear, ou rabichas, como por lá se chamavam. Foguete. Eurico da Fonseca explicava, apenas insinuando, que foguetão é outra coisa: por exemplo coisa gasosa, eventualmente sonora e por norma fedorenta. Quer-se dizer: um peido, com vossa licença...

P.S. - Publicado originalmente no dia 11 de Abril de 2012.

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Rabichas, foguetes e foguetões

Não sei se se lembram: Eurico da Fonseca (1921-2000) foi o principal especialista português em astronáutica. Praticamente autodidacta, nomeado investigador por decreto-lei e oficialmente equiparado a professor catedrático, colaborou com a NASA e conheceu os principais responsáveis pelo Programa Apollo. Notabilizou-se, entre nós, como divulgador de assuntos científicos. Na rádio, acompanhou em directo, na então Emissora Nacional, a chegada do homem à Lua, há exactamente cinquenta e um anos, e comentou os voos espaciais norte-americanos e soviéticos. Mas era na RTP que eu gostava de o ouver. Ouver, escrevi bem.
Pois foi com Eurico da Fonseca na televisão que eu aprendi que, quando se fala de um lançador espacial, deve dizer-se foguete e não foguetão. Foguete. Tal como na meia de vidro com fio puxado. Foguete. Tal como no Santo António da minha rua em Fafe, com girândolas, diabos-encaixados, bombinhas, estalinhos e bichas-de-rabear, ou rabichas, como por lá se chamavam. Foguete. Eurico da Fonseca explicava, apenas insinuando, que foguetão é outra coisa: por exemplo coisa gasosa, eventualmente sonora e por norma fedorenta. Quer-se dizer: um peido, com vossa licença...

P.S. - Publicado originalmente no dia 11 de Abril de 2012.

sábado, 20 de julho de 2019

Foguetes, rabichas e foguetões

Não sei se se lembram: Eurico da Fonseca (1921-2000) foi o principal especialista português em astronáutica. Praticamente autodidacta, nomeado investigador por decreto-lei e oficialmente equiparado a professor catedrático, colaborou com a NASA e conheceu os principais responsáveis pelo Programa Apollo. Notabilizou-se, entre nós, como divulgador de assuntos científicos. Na rádio, acompanhou em directo, na então Emissora Nacional, a chegada do homem à Lua, há 50 anos, que por estes dias se celebram, e comentou os voos espaciais norte-americanos e soviéticos. Mas era na RTP que eu gostava de o ouver. Ouver, escrevi bem.
Pois foi com Eurico da Fonseca na televisão que eu aprendi que, quando se fala de um lançador espacial, deve dizer-se foguete e não foguetão. Foguete. Tal como na meia de vidro com fio puxado. Foguete. Tal como no Santo António da minha rua em Fafe, com girândolas, diabos-encaixados, bombinhas, estalinhos e bichas-de-rabear, ou rabichas, como por lá se chamavam. Foguete. Eurico da Fonseca explicava, apenas insinuando, que foguetão é outra coisa: por exemplo coisa gasosa, eventualmente sonora e por norma fedorenta. Quer-se dizer: um peido, com vossa licença...

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O foguetão e o peido-mestre

(Onde se fala do sábio Eurico da Fonseca, do obeso Kim Jong-un, dos Comandos, da Amadora e de um morteiro descontrolado)

Não sei se se lembram: Eurico da Fonseca (1921-2000) foi o principal especialista português em astronáutica. Praticamente autodidacta, nomeado investigador por decreto-lei e oficialmente equiparado a professor catedrático, colaborou com a NASA e conheceu os principais responsáveis pelo Programa Apollo. Notabilizou-se, entre nós, como divulgador de assuntos científicos. Na rádio, acompanhou em directo, na então Emissora Nacional, a chegada do homem à Lua e comentou os voos espaciais norte-americanos e soviéticos. Mas era na RTP que eu gostava de o ouver. Ouver, escrevi bem.
Foi com Eurico da Fonseca na televisão que eu aprendi que, quando se fala de um aparelho em forma de vibrador que sobe ao céu deixando atrás de si um fluxo de gás a alta velocidade, se deve dizer foguete e não foguetão. Ele explicava, apenas insinuando, que foguetão é outra coisa, por exemplo coisa gasosa, eventualmente sonora e por norma fedorenta. Isto é: um peido, como muito bem diria o nosso travesso Salvador Vilar Braamcamp Sobral.

Em 2012, a Coreia do Norte do obeso Kim Jong-un comemorou o centenário do nascimento do fundador do país, o avô Kim il-sung, pai de Kim Jong-il (esta família tem uma certa queda para ganhar eleições), com o lançamento de um foguetão, como então diziam as nossas notícias. O mundo ficou num à-rasquismo que só visto. Os EUA barafustaram, a ONU repreendeu, a Rússia e a China torceram o nariz, o que não deixa de ter piada. Vários países da região prepararam-se para a eventualidade de algo correr mal, companhias aéreas cancelaram voos ou mudaram rotas para evitarem o querido foguetão que se chamava Unha-3. A dúvida: e se o foguetão do Gordo não for tão seguro como os foguetões americanos, russos e chineses, que correm sempre bem? E se o foguetão norte-coreano encrava e dá o grandessíssimo peido-mestre mesmo em cima da cabeça, para não ir mais longe, dos vizinhos da Coreia do Sul? Já viram a merda que era?...
Não foi.

Cinco anos passados, a Coreia do Norte do obeso Kim Jong-un lança foguetões um por semana, mas agora as nossas notícias chamam-lhes mísseis, dizem que podem levar bombas a bordo e que conseguem chegar ao Alasca americano, embora por norma caiam como tordos no mar do Japão. Qualquer dia, não...

Em 1978 correu mal uma "aula" de morteiros no nosso Regimento de Comandos. Um instrutor jactante e incompetente, como ainda hoje se exige nos Comandos, apontou para o infinito, despoletou a granada e, sem querer, deixou-a escorregar para dentro do tubo. Pum!, o morteiro só parou em cheio num centro comercial da Amadora... com pessoas por acaso.
Sei disto por estava lá, do lado do morteiro e do instrutor palerma. E não me deixaram vir a casa nesse fim-de-semana.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O foguetão e o peido-mestre

Foto Hernâni Von Doellinger

A Coreia do Norte prepara-se para comemorar o centenário do nascimento do fundador do país, Kim il-Sung, lançando nos próximos dias um foguetão - dizem as notícias. É um claro desafio à comunidade internacional, mas não tem data marcada. Depende do tempo. Até a Rússia e a China estão contra: os de Moscovo afirmam que Pyongyang "despreza" as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e os de Pequim exigem "calma e moderação". Juntemos-lhes a igualmente pacífica América, e a coisa fica ainda mais hilariante.
As notícias dizem também que a iniciativa norte-coreana está a "gerar tensão elevada em toda a Ásia", com vários países a prepararem-se para a eventualidade de algo correr mal. Três companhias aéreas vão mesmo desviar alguns voos para evitarem o aprazado foguetão, que, se não chover, poderá ser lançado entre esta e a próxima semana. A Philippine Airlines, a Japan Airlines e a All Nippon Airways anunciaram mudanças em 20 rotas, a partir de amanhã e até à próxima segunda-feira. Se o caro leitor vai para a zona, faça o favor de apontar esta importante informação.

Não sei se se lembram: Eurico da Fonseca (1921-2000) foi o principal especialista português em astronáutica. Praticamente autodidacta, nomeado investigador por decreto-lei e oficialmente equiparado a professor catedrático, colaborou com a NASA e conheceu os principais responsáveis pelo Programa Apollo. Notabilizou-se, entre nós, como divulgador de assuntos científicos. Na rádio, acompanhou em directo, na então Emissora Nacional, a chegada do homem à Lua e comentou os voos espaciais norte-americanos e soviéticos. Mas era na RTP que eu gostava de o ouver. Ouver, escrevi bem.
Foi com Eurico da Fonseca na televisão que eu aprendi que se deve dizer foguete e não foguetão. Ele explicava, apenas insinuando, que foguetão é outra coisa, por exemplo coisa gasosa, eventualmente sonora e por norma fedorenta. E portanto percebo o à-rasquismo em que estão metidos todos "em toda a Ásia". Sim, e se algo corre mal? E se o querido foguetão (chama-se Unha-3) não for tão seguro como os foguetões americanos, russos e chineses, que correm sempre bem? E se o foguetão norte-coreano encrava e dá o grandessíssimo peido-mestre mesmo em cima da cabeça, para não ir mais longe, dos vizinhos do sul? Já viram a merda que vai ser?