(Onde se fala do sábio Eurico da Fonseca, do obeso Kim Jong-un, dos Comandos, da Amadora e de um morteiro descontrolado)
Não sei se se lembram: Eurico da Fonseca (1921-2000) foi o principal
especialista português em astronáutica. Praticamente autodidacta,
nomeado investigador por decreto-lei e oficialmente equiparado a
professor catedrático, colaborou com a NASA e conheceu os principais
responsáveis pelo Programa Apollo. Notabilizou-se, entre nós, como
divulgador de assuntos científicos. Na rádio, acompanhou em directo, na
então Emissora Nacional, a chegada do homem à Lua e comentou os voos
espaciais norte-americanos e soviéticos. Mas era na RTP que eu gostava
de o ouver. Ouver, escrevi bem.
Foi com Eurico da Fonseca na televisão que eu aprendi que, quando se fala de um aparelho em forma de vibrador que sobe ao céu deixando atrás de si um fluxo de gás a alta velocidade, se deve dizer
foguete e não foguetão. Ele explicava, apenas insinuando, que foguetão é
outra coisa, por exemplo coisa gasosa, eventualmente sonora e por norma
fedorenta. Isto é: um peido, como muito bem diria o nosso travesso Salvador Vilar Braamcamp Sobral.
Em 2012, a Coreia do Norte do obeso Kim Jong-un comemorou o centenário do nascimento
do fundador do país, o avô Kim il-sung, pai de Kim Jong-il (esta família tem uma certa queda para ganhar eleições), com o lançamento de um foguetão, como então diziam as nossas notícias. O mundo ficou num à-rasquismo que só visto. Os EUA barafustaram, a ONU repreendeu, a Rússia e a China torceram o nariz, o que não deixa de ter piada. Vários países da região prepararam-se para a
eventualidade de algo correr mal, companhias aéreas cancelaram voos
ou mudaram rotas para evitarem o querido foguetão que se chamava Unha-3. A dúvida: e se o foguetão do Gordo não for tão seguro como os foguetões americanos,
russos e chineses, que correm sempre bem? E se o foguetão norte-coreano
encrava e dá o grandessíssimo peido-mestre mesmo em cima da cabeça, para
não ir mais longe, dos vizinhos da Coreia do Sul? Já viram a merda que era?...
Não foi.
Cinco anos passados, a Coreia do Norte do obeso Kim Jong-un lança foguetões um por semana, mas agora as nossas notícias chamam-lhes mísseis, dizem que podem levar bombas a bordo e que conseguem chegar ao Alasca americano, embora por norma caiam como tordos no mar do Japão. Qualquer dia, não...
Em 1978 correu mal uma "aula" de morteiros no nosso Regimento de Comandos. Um instrutor jactante e incompetente, como ainda hoje se exige nos Comandos, apontou para o infinito, despoletou a granada e, sem querer, deixou-a escorregar para dentro do tubo. Pum!, o morteiro só parou em cheio num centro comercial da Amadora... com pessoas por acaso.
Sei disto por estava lá, do lado do morteiro e do instrutor palerma. E não me deixaram vir a casa nesse fim-de-semana.
Mostrar mensagens com a etiqueta Coreia do Norte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Coreia do Norte. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
quarta-feira, 11 de abril de 2012
O foguetão e o peido-mestre
![]() |
| Foto Hernâni Von Doellinger |
A Coreia do Norte prepara-se para comemorar o centenário do nascimento do fundador do país, Kim il-Sung, lançando nos próximos dias um foguetão - dizem as notícias. É um claro desafio à comunidade internacional, mas não tem data marcada. Depende do tempo. Até a Rússia e a China estão contra: os de Moscovo afirmam que Pyongyang "despreza" as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e os de Pequim exigem "calma e moderação". Juntemos-lhes a igualmente pacífica América, e a coisa fica ainda mais hilariante.
As notícias dizem também que a iniciativa norte-coreana está a "gerar tensão elevada em toda a Ásia", com vários países a prepararem-se para a eventualidade de algo correr mal. Três companhias aéreas vão mesmo desviar alguns voos para evitarem o aprazado foguetão, que, se não chover, poderá ser lançado entre esta e a próxima semana. A Philippine Airlines, a Japan Airlines e a All Nippon Airways anunciaram mudanças em 20 rotas, a partir de amanhã e até à próxima segunda-feira. Se o caro leitor vai para a zona, faça o favor de apontar esta importante informação.
Não sei se se lembram: Eurico da Fonseca (1921-2000) foi o principal especialista português em astronáutica. Praticamente autodidacta, nomeado investigador por decreto-lei e oficialmente equiparado a professor catedrático, colaborou com a NASA e conheceu os principais responsáveis pelo Programa Apollo. Notabilizou-se, entre nós, como divulgador de assuntos científicos. Na rádio, acompanhou em directo, na então Emissora Nacional, a chegada do homem à Lua e comentou os voos espaciais norte-americanos e soviéticos. Mas era na RTP que eu gostava de o ouver. Ouver, escrevi bem.
Foi com Eurico da Fonseca na televisão que eu aprendi que se deve dizer foguete e não foguetão. Ele explicava, apenas insinuando, que foguetão é outra coisa, por exemplo coisa gasosa, eventualmente sonora e por norma fedorenta. E portanto percebo o à-rasquismo em que estão metidos todos "em toda a Ásia". Sim, e se algo corre mal? E se o querido foguetão (chama-se Unha-3) não for tão seguro como os foguetões americanos, russos e chineses, que correm sempre bem? E se o foguetão norte-coreano encrava e dá o grandessíssimo peido-mestre mesmo em cima da cabeça, para não ir mais longe, dos vizinhos do sul? Já viram a merda que vai ser?
Etiquetas:
China,
Coreia do Norte,
Coreia do Sul,
Emissora Nacional,
EUA,
Eurico da Fonseca,
foguetão,
internacional,
Lua,
NASA,
RDP,
RTP,
Rússia
Subscrever:
Mensagens (Atom)
