Assim se chamam os bois pelos nomes.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025
Os bois chamam-se pelos nomes
Assim se chamam os bois pelos nomes.
E as pessoas de estimação?
P.S. - Hoje é Dia do Animal de Estimação. E também Dia Mundial da Justiça Social.
segunda-feira, 26 de agosto de 2024
Quem me dera ser cão
Ora bem. Foi na parte do mais não sei quê - e digo mais não sei quê porque realmente não faço ideia, o assunto interessou-me sobremaneira, eu estava ali concentradíssimo como o Futre, invejoso, confesso, mas não consegui perceber o que se passava até às últimas consequências -, portanto, foi na parte do mais não sei quê que a mulher menos jovem, com evidente cara de dona, largou os suspiros, ganhou fôlego, esganiçou ainda mais a voz e disse ao cão, imperativa: - Frederico! Não! Não! Não! Mamãe já falou! Isso não, Frederico!
Fiquei fodido! Não tanto por causa da indivídua chamar Frederico ao cão. Também chamo Frederico ao meu filho Kiko e isso nunca me incomodou, antes pelo contrário, até porque é o nome dele. O que me confundiu foi aquilo de ela ser mãe do cão. Estou velho para estas merdas. Fico baralhado com estas modernices sorrateiramente edipianas mas ao contrário. Não consigo acompanhar estes tempos malucos em que a nova ordem parece ser tratar os animais como pessoas, como filhos, e tratar as pessoas como animais. Como animais que não são tratados como pessoas. Como pessoas que não são de estimação. Não percebo. Estou definitivamente fora de prazo. E fiquei fodido!
Quer-se dizer. Hoje é Dia do Cão e, assinalando a efeméride, o Kiko e a Sara vão de férias e deixaram-nos o Amendoim. O Amendoim é o cão deles, porque eles gostam muito de animais. Já eu e os cães é uma desgraça, estou farto de dizer, e é preciso ser-se um bocado maricas para chamar Amendoim a um cão. Aliás, eu sempre defendi que lhe chamassem Evaristo, mas o Kiko e a Sara ninguém me liga, e ainda por cima o caralho do cão, guicho como tudo, gosta de mim e eu também me perco por ele, não desfazendo, acho-lhe um piadão, por isso chamo-lhe Toni ou Carlitos, consoante. Ficámos igualmente com o Lambiscas e com o Bully, os gatos deles, como de costume. Portanto estou como quero. E, sinceramente, espero que o Kiko e a Sara também.
domingo, 20 de fevereiro de 2022
Eram pobres e tinham dono
Antigamente a caridade tinha dia certo, e era um descanso. Às sextas-feiras, vamos supor, os pobres manquelitavam de porta em porta pedindo "uma esmolinha por alma de quem lá tem". Os pobres da parte de fora da porta eram uns desgraçados muito rotos e muito sujos e eram assim para se distinguirem dos pobres da parte de dentro da porta, que já tinham em cima da "cristaleira" umas moedinhas negras separadas e preparadas para a função. Éramos todos pobres, dum e doutro lado da porta, uns mais, outros menos, e, à falta de quem governasse por nós, em Lisboa ou na Câmara, nada mais nos restava senão sermos uns para os outros. Às sextas-feiras, vamos supor. O resto da semana, não.
(A "cristaleira" tinha sido comprada em terceira mão e paga em honradas prestações.)
Naquele tempo os ricos tinham os seus próprios pobres, privativos, pessoais porém transmissíveis. Os pobres eram deixados em herança. Ter pobres por conta era, pelo menos em Fafe, inequívoco sinal exterior de riqueza. Os pobres eram exibidos, bastas vezes à porta da igreja, como gado preso à argola do tasco em dia de moscas e feira semanal. Para o senso comum, quantos mais pobres alguém tivesse mais rico era. Os pobres eram, portanto, uma necessidade da Nação para que os ricos prosperassem. Quantos mais pobres Portugal tivesse e quanto mais pobres fossem os pobres portugueses mais ricos seriam os nossos ricos e isso certamente era bom para o Produto Interno Bruto.
Isto é: a pobreza convinha-nos, aos pobres. A pobreza era o progresso da Nação. O regime ensinava-nos desde os bancos da escola que felicidade era sermos pobres mas honrados e termos as unhas das mãos sempre limpas. E isso deixava-me cheio de pena dos ricos, infelizes, principalmente dos ricos muito ricos que ainda por cima tinham as mãos sujas.
(Os ricos, pelo menos os de Fafe, não davam a roupa nem o calçado que já não lhes serviam. Vendiam a roupa e o calçado, a pronto, aos pobres da parte de dentro da porta. Os pobres da parte de dentro da porta, passados alguns meses de uso, davam aos pobres da parte de fora da porta a roupa e o calçado que tinham comprado a pronto aos ricos. Às sextas-feiras, vamos supor. O resto da semana, não.)
Graças a Deus, isto era só antigamente.
P.S. - Publicado originalmente no dia 5 de Setembro de 2021, sob o título "A caridade tem dias". Hoje, 20 de Fevereiro, é Dia Mundial da Justiça Social. E também Dia do Animal de Estimação.
sábado, 20 de fevereiro de 2021
Deixai vir a mim os animaizinhos!
Havia um cão que tinha um dono muito bem mandado: obediente, brincalhão, carinhoso, esperto. Só lhe faltava ladrar...
Os bois chamam-se pelos nomes
O
porco é Ruço. A porca Vadia. A vaca Amarela. O boi Bonito. O touro
Osborne. A turina Malhada. O cão Bobi. A cadela Cadela. O cachorro Kent.
O gato Pantufas. A gata Gostosa. A cabra Cega. A ovelha Dolly. O
cabrito Montês. O cavalo Silva. O burro Velho. O rato Mique. O coelho
Branco. O leopardo Negro. A chinchila Mila. O furão Furão. A tartaruga
Ninja. A mulher Alheia. O homem Erecto. O peixe Dourado. O surfista
Prateado. A sardinha Biba. A pita Arisca. A periquita Alegre. O pombo
Armando. O crocodilo Lontra. A lontra Pilantra. O pato Patola. O galo
Badalo, a galinha Balbina, o pinto Jacinto e o peru Gluglu.
Assim se chamam os bois pelos nomes.
Macaquinhos no sótão
Tinha macaquinhos no sótão. Denunciado pela vizinha, foi detido e preso. Os animais seguiram para o jardim zoológico.
Cataminha, catatua, catadela
- É uma catatua esse pássaro tão vistoso que trazes ao ombro?...
- É, é: uma cataminha.
A realização do homem no século XXI
Adoptar um cão, comprar um bonsai e escrever no Facebook e similares.
Troco neto por um cão (pago a diferença)
Três
rapazes nos arrabaldes dos sessenta anos bem servidos, certamente
amigos de longa data, gente bem, meninos da Foz no seu tempo, fazem o
costumeiro passeio higiénico matinal na avenida à beira-mar. O da
esquerda empurra um carrinho de bebé com uma vaidade que só vista, e é
bonita de se ver. Os outros dois vão à rasca até às orelhas,
envergonhadíssimos com "a situação", evitam ser reconhecidos por quem
passa, como por exemplo eu, que não os conheço de lado nenhum, mais
desconforto era impossível. O da direita puxa o do meio pela manga e
diz-lhe, tapando a boca com a mão, como fazem agora os treinadores e
jogadores de futebol quando querem falar da mãe de alguém e sabem que há
câmara de televisão por perto: - Se inda ao menos fosse um cão, um
canito! Agora o caralho do neto...
Não é metáfora política. É a vida.
O amigo da onça
O
defeito dele não era ser amigo da onça. Era amigo da onça, da leoa, da
pantera, da gazela, da girafa, da égua, da vaca, da macaca, da galinha,
da pata, da avestruz, da gata, da cadela e das ratas em geral. Havia
quem o incensasse como paradigma da amizade aos animais. A mulher
chamava-lhe galdério, tarado.
O amigo dos animais
Etelvino
Ferraz da Cunha gosta muito de animais. Coelhos, perdizes, tordos e
sobretudo toiros. E só lamenta que em Portugal não sejam de morte.
Meia dose de xenofobia
A
chinesinha descia a rua em direcção à praia, e levava o cãozito pela trela.
Achei aquilo tão esquisito. Como se eu levasse a passear um frango de
churrasco.
Quem me dera ser cão
"Portugueses já gastam mais com cães do que com bebés", dizia uma vez a capa do semanário Expresso. Acontece no país certo.
P.S. - Hoje, 20 de Fevereiro, é Dia Mundial do Animal de Estimação. É também Dia Mundial da Justiça Social, mas isto que não saia daqui.