Natal africano
Não há pinheiros nem há neve,
Nada do que é convencional,
Nada daquilo que se escreve
Ou que se diz... Mas é Natal.
Que ar abafado! A chuva banha
A terra, morna e vertical.
Plantas da flora mais estranha,
Aves da fauna tropical.
Nem luz, nem cores, nem lembranças
Da hora única e imortal.
Somente o riso das crianças
Que em toda a parte é sempre igual.
Não há pastores nem ovelhas,
Nada do que é tradicional.
As orações, porém, são velhas
E a noite é Noite de Natal.
"Cancioneiro", Cabral do Nascimento
(Cabral do Nascimento nasceu no dia 22 de Março de 1897. Morreu em 1978.)
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quinta-feira, 22 de março de 2018
quarta-feira, 22 de março de 2017
Cabral do Nascimento
Redondilha
Sobre os rios e ribeiros
Que por esses vales vão,
Pus um barco de papel.
Os desejos vogam nele,
Que as palavras essas não.
E quando as águas encontram
As suas irmãs do mar
E se misturam, aos beijos,
Vão para o fundo os desejos
As penas sobem ao ar.
Desejo, dor e saudade
São companheiros. Depois
Morre primeiro o primeiro,
Ainda ás vezes solteiro,
Ficam só os outros dois.
"Cancioneiro", Cabral do Nascimento
(Cabral do Nascimento nasceu no dia 22 de Março de 1897. Morreu em 1978.)
Sobre os rios e ribeiros
Que por esses vales vão,
Pus um barco de papel.
Os desejos vogam nele,
Que as palavras essas não.
E quando as águas encontram
As suas irmãs do mar
E se misturam, aos beijos,
Vão para o fundo os desejos
As penas sobem ao ar.
Desejo, dor e saudade
São companheiros. Depois
Morre primeiro o primeiro,
Ainda ás vezes solteiro,
Ficam só os outros dois.
"Cancioneiro", Cabral do Nascimento
(Cabral do Nascimento nasceu no dia 22 de Março de 1897. Morreu em 1978.)
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