Hoje não
Hoje não, a filha da (…) não é para tu veres
Mas vi tudo, despida a rapariga, ventre, seios
Lisas carnes duras da pedra com a lã vermelha do seu novo
Deu-lhe sete voltas ao corpo da cintura ao umbigo
Com alecrim em cruz começou a sua reza
Dança o Rei mais a Rainha
À roda os valetes as damas
Salta a tainha sem escamas
Canta o melro na vinha
Roda roda meu novelo
Vermelho como o Sol
Morde o peixe no anzol
Foge o touro do corvelo
Sete noites a fio
Come pão bem quente
Canela e leite muito
Se no mato ouvires o pio
Carda a lã com o teu pente
Trunfo é copas
"A Cal dos Muros", António Dacosta
(António Dacosta nasceu no dia 3 de Novembro de 1914. Morreu em 1990.)
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domingo, 3 de novembro de 2019
sábado, 3 de novembro de 2018
António Dacosta 3
Venho do mar
Venho do mar
"A Cal dos Muros", António Dacosta
(António Dacosta nasceu no dia 3 de Novembro de 1914. Morreu em 1990.)
Venho do mar
Venho dos montes
Sê amiga do meu repouso
Se apeteço ser rei
Ter um barco e um cão
E dos meus amigos ser amigo
Sê benigna
Se me amas
"A Cal dos Muros", António Dacosta
(António Dacosta nasceu no dia 3 de Novembro de 1914. Morreu em 1990.)
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
António Dacosta 2
Tornam aqui as aves
Tornam aqui as aves
Tornam aqui as aves
Sempre outras como eu
Longe de mim buscam
Outro que mim
O teu braço apontado ao céu
Semelhavas - no desabrochar
As flores o tempo que nos cercava
Não havia portas no teu jardim
Era como estar dentro do que vias
Tudo de ti estava em nós e era transparente
Via-te o vulto voltado à luz
Que o braço erguido apontava
E no tempo que nos cercava
Semelhavas
Que o nosso olhar não via
E de longe em ti buscava
O outro que mim
"A Cal dos Muros", António Dacosta
(António Dacosta nasceu no dia 3 de Novembro de 1914. Morreu em 1990.)
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
António Dacosta
Poema português
"A Cal dos Muros", António Dacosta
(António Dacosta nasceu no dia 3 de Novembro de 1914. Morreu em 1990.)
Ó minha terra de nevoeiros míticos
De imerecidas serras frescas
O sol que aquece os teus dias não é nulo
Nem os epistémicos deuses que te espreitam
Do alto sobre as tuas sete colinas
Ávidas estátuas tristes de serem velhas sombras
Antigas e só oníricas de vez em quando
Deixai pois ó pretas gravatas públicas da verdade
Deixai o sonho ser tão real como são
As pedras os muros as casas as amplas cidades
A morna brisa que te aquece as noites
Há-de amanhã soprar outra e outra vez
E tudo o que no redondo mundo é vivo
Será vida como agora a vejo eternamente a mesma.
"A Cal dos Muros", António Dacosta
(António Dacosta nasceu no dia 3 de Novembro de 1914. Morreu em 1990.)
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