terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Não há escola!, não há escola!, não há escola!

Alegria, alegria a sério era aquilo: chegar à escola primária e a "empregada" mandar-me - Vai para casa, diz à tua mãe que a senhora professora está doente. O coração rebentava-me pela boca mal saía o portão, aos gritos e aos saltos - Não há escola!, não há escola!, não há escola... -, Rua Montenegro fora, enervando desnecessariamente o pobre Baptista do Asilo, festejando efusivamente a dor de barriga da professorinha, dando a boa nova aos colegas retardatários, que faziam meia-volta-volver e também saltavam e gritavam - Não há escola!, não há escola!, não há escola!...
(Alegria ingénua, pura, intensa, física. Era evidentemente uma manitestação de profunda catarse, embora eu na ocasião não o soubesse, porque ainda não tínhamos chegado a essa palavra.)
Passávamos a Cafelândia, a Rosindinha Catequista, o Largo, a Loja Nova, o Peludo, o Cinema, a Aurorinha Maia, a Padaria, a Quiterinha, as Grilas, o Funileiro, alarmávamos a vila inteira - Não há escola!, não há escola!, não há escola!... -, eu chegava a casa, no Santo Velho, e a minha mãe, por tradição, dava-me logo dois ou três sopapos por causa daquele "espectáculo todo" e... "para aprender", mas não me roubava a alegria.

Ao longo da minha vida aconteceram-me outros momentos extraordinários, memoráveis, como, por exemplo, o nascimento do meu primeiro pentelho ou a descoberta do tesão, mas, palavra de honra: nada se compara com os dias gloriosos em que chegava à Escola Conde Ferreira e me mandavam para trás...

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