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quarta-feira, 2 de maio de 2012
Não foi o fim do mundo, mas serviu de ensaio
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Lunáticos
Ora bem: eu não sei em que país é que esta gente vive, não sei onde é que esta gente tem a cabeça. Em Portugal é que não é, de certeza. Primeiro aparece-me o Soares dos Santos (SS) com a lengalenga de que andámos anos e anos a viver "acima das nossas possibilidades" e agora só estamos a pagar o patau. Mas de quem fala SS? Da sua família rica? Do seu círculo de amigos ricos? Ou dos pobres trabalhadores do Pingo Doce, aos quais impõe condições de escravos e salários de miséria? Quem é que pôs o País a viver "acima das suas possibilidades"? Fui eu? Foram os operários dos Estaleiros de Viana do Castelo? Mas é mesmo do Portugal onde eu vivo que SS fala?
Agora vem a Manuela Ferreira Leite, que, verdade seja dita, não costuma ter muita sorte cada vez que abre a boca. E voltou a entrar mosca. Portugal tem 800 mil desempregados e mais de dois milhões de pobres, abaixo e acima dos 70 anos. E até 2013 vão desaparecer mais de 116 mil empregos e o rendimento real das famílias vai cair mais de dez por cento. Este é o país real, que MFL desconhece de todo. Este é o país das pessoas, das ruas, dos autocarros e do metro, que MFL obviamente não frequenta. É o país da sopa dos pobres, dos sem-abrigo, dos sem-saúde, dos sem-futuro, que MFL comodamente ignora.
De uma ex-conselheira de Estado, ex-ministra e ex-líder da oposição, eu esperava que ela tivesse rasgo e indicasse o caminho para que, apesar da situação do País e da Europa, Portugal - este Portugal desempregado, pobre e doente - pudesse continuar a ter, pelo menos, um serviço nacional de saúde universal e tendencialmente gratuito. Mas não. A sentença de Manuela Ferreira Leite está dada: hemodiálise para quem tem dinheiro, a morte para quem não tem.
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