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sexta-feira, 30 de março de 2018

Silvestre Péricles de Góis Monteiro 3

A que não veio

Setembro. Nesta noite perfumada
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.


Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Ilusão... Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.


Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.


E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.


Silvestre Péricles de Góis Monteiro 

(Silvestre Péricles de Góis Monteiro nasceu no dia 30 de Março 1896. Morreu em 1972.)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Silvestre Péricles de Góis Monteiro 2

Das montanhas 

As montanhas que vês são rasgos de conquistas
- o arroubo mineral às alturas supremas.
Elas trazem no seio a centelha imprevista
da persistência ideal a refulgir em poemas.

E sempre as convulsiona o gênio imperialista
do domínio rochaz as ascensões extremas.
Daí, por elas só - armas que a força enrista -
a audácia dos vulcões, dos aludes, das gemas...

As montanhas - palor nevado, a espaços... longes
branqueamentos sem fim nas cristas milenárias:
a sombra dos heróis, dos mártires, dos monges...

E, ao vencer a distância, o mistério da morte,
ei-las dentro do sonho, altivas, legendárias,
ensinando a ser nobre, a ser grande, a ser forte!


Silvestre Péricles de Góis Monteiro 

(Silvestre Péricles de Góis Monteiro nasceu no dia 30 de Março 1896. Morreu em 1972.)

quinta-feira, 30 de março de 2017

Silvestre Péricles de Góis Monteiro

Onze anos depois

Onze anos são passados. Nas campinas
verdes da estância há sombras perpassando:
sonhos, visões, lembranças e as divinas
inspirações de outrora, soluçando.

Frondeja o cinamomo, no odorando
calor da primavera. Suaves, finas,
as suas flores ficam arroxeando
aquelas solidões e as nossas sinas.

Entro na casa. O sol fulgura.
Mas, dentro de mim, há frêmitos dolentes
de incertezas, saudades e ternuras.

Surges, por fim. No teu olhar sem cores
releio o meu destino: estão presentes
nossas recordações e nossas dores.

"Lavras do Sul", Silvestre Péricles de Góis Monteiro

(Silvestre Péricles de Góis Monteiro nasceu no dia 30 de Março 1896. Morreu em 1972.)