Pardelhas, Fafe. Festa de São Pedro. A Internet ainda estava no cu dos americanos, parece impossível mas não havia Facebook nem Twitter e muito menos X, o telemóvel chamava-se telefone, trabalhava a manivela e só se deslocava da mesinha de cabeceira para a cama, se o fio deixasse, e o e-mail chamava-se telegrama. A comunicação era boca a boca, como a respiração, as conversas seguiam de bicicleta e as mais prementes voavam de motorizada, as redes sociais iam num pé e vinham noutro. Mandavam-se recados, levavam-se "repostas" - assim se dizia na minha terra, e eu gostava. Era ainda a idade das trevas, pelo menos até ao nascer do sol, geralmente por volta das seis da manhã naquele altinho fafense e naquela parte do ano.
Mas havia altifalantes, e urgências são urgências. A meio do "Carrapito da Dona Aurora", que estava a correr tão bem, alguém da comissão corta o pio aos do Conjunto António Mafra, sopra asmaticamente no velho microfone Philips, "um, dois, um, dois, experiência", e, desassossegando a aldeia inteira, grita na maior das aflições:
- Atenção, muita atenção! Ó Silva, trazei-me cá o martelo, caralho!...
P.S. - A patente do altifalante electrodinâmico foi registada pelo engenheiro alemão Werner von Siemens no dia 10 de Dezembro de 1877. Aqui se assinalada condignamente a efeméride. E viva o Natal!
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terça-feira, 10 de dezembro de 2024
Trazei-me cá o martelo, caralho!
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segunda-feira, 27 de junho de 2022
Mas havia altifalantes...
Pardelhas, Fafe. Festa de São Pedro. A Internet ainda estava no cu dos americanos, parece impossível mas não havia Facebook nem Twitter, o telemóvel chamava-se telefone, trabalhava a manivela e só se deslocava da mesinha de cabeceira para a cama, se o fio deixasse, e o e-mail chamava-se telegrama. A comunicação era boca a boca, como a respiração, as conversas seguiam de bicicleta e as mais prementes voavam de motorizada, as redes sociais iam num pé e vinham noutro. Mandavam-se recados, levavam-se "repostas" - assim se dizia na minha terra, e eu gostava. Era ainda a idade das trevas, pelo menos até ao nascer do sol, geralmente por volta das seis da manhã naquele altinho e naquela parte do ano.
Mas havia altifalantes, e urgências são urgências. A meio do "Carrapito da Dona Aurora", que estava a correr tão bem, alguém corta o pio aos do Conjunto António Mafra, sopra asmaticamente no velho microfone Philips, "um, dois, um, dois, experiência", e, desassossegando a aldeia inteira, grita na maior das aflições:
- Atenção, muita atenção! Ó Silva, trazei-me cá o martelo, caralho...
Mas havia altifalantes, e urgências são urgências. A meio do "Carrapito da Dona Aurora", que estava a correr tão bem, alguém corta o pio aos do Conjunto António Mafra, sopra asmaticamente no velho microfone Philips, "um, dois, um, dois, experiência", e, desassossegando a aldeia inteira, grita na maior das aflições:
- Atenção, muita atenção! Ó Silva, trazei-me cá o martelo, caralho...
terça-feira, 29 de junho de 2021
Trazei-me cá o martelo, caralho!
Pardelhas, Fafe. Festa de
São Pedro. A Internet ainda estava no cu dos americanos, parece
impossível mas não havia Facebook nem Twitter, o telemóvel chamava-se
telefone, trabalhava a manivela e só se deslocava da mesinha de
cabeceira para a cama, se o fio deixasse, e o e-mail chamava-se
telegrama. A comunicação era boca a boca, como a respiração, as redes
sociais iam num pé e vinham noutro. Mandavam-se recados, levavam-se
"repostas" - assim se dizia, e eu gostava, na minha terra. Era ainda a
idade das trevas, posto que com automóveis e motorizadas.
Mas havia
altifalantes, e urgências são urgências. A meio do "Carrapito da Dona
Aurora", que estava a correr tão bem, alguém corta o pio aos do Conjunto
António Mafra, sopra asmaticamente no velho microfone Philips, "um,
dois, um, dois, experiência", e, desassossegando a aldeia inteira, grita
na maior das aflições:
- Atenção, muita atenção! Ó Silva, trazei-me cá o martelo, caralho...
P.S. - Publicado originalmente no dia 7 de Janeiro de 2013.
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Atenção, muita atenção! 2
Pardelhas, Fafe. Festa de São Pedro. A Internet ainda estava no cu dos americanos, parece impossível mas não havia Facebook nem Twitter, o telemóvel chamava-se telefone, trabalhava a manivela e só se deslocava da mesinha de cabeceira para a cama, se o fio deixasse, e o e-mail chamava-se telegrama. A comunicação era boca a boca, como a respiração, as redes sociais iam num pé e vinham noutro. Mandavam-se recados, levavam-se "repostas" - assim se dizia, e eu gostava, na minha terra. Era ainda a idade das trevas, posto que com automóveis e motorizadas.
Mas havia altifalantes, e urgências são urgências. A meio do "Carrapito da Dona Aurora", que estava a correr tão bem, alguém corta o pio aos do Conjunto António Mafra, sopra asmaticamente no velho microfone Philips, "um, dois, um, dois, experiência", e, desassossegando a aldeia inteira, grita na maior das aflições:
- Atenção, muita atenção! Ó Silva, trazei-me cá o martelo, caralho...
Mas havia altifalantes, e urgências são urgências. A meio do "Carrapito da Dona Aurora", que estava a correr tão bem, alguém corta o pio aos do Conjunto António Mafra, sopra asmaticamente no velho microfone Philips, "um, dois, um, dois, experiência", e, desassossegando a aldeia inteira, grita na maior das aflições:
- Atenção, muita atenção! Ó Silva, trazei-me cá o martelo, caralho...
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