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sexta-feira, 7 de março de 2025

Amem em vez de amém

Disse o Papa: "Proclamar o amor redentor de Deus é um dever prioritário, antes do dever moral e religioso. Mas hoje parece que muitas vezes acontece o contrário." Pois parece. Francisco falava da missão dos ministros da Igreja e eu gostei. Era um raspanete ao pessoal, mais um. E gostei também que o recado papal viesse nos jornais. Estou farto de dizer a mesma coisa, mas a mim ninguém me liga.
No fundo, o Papa apela aos cardeais, bispos e padres para que metam na devida ordem as suas próprias urgências pastorais, para que se organizem em bondade e misericórdia, para que (re)aprendam a distinguir o essencial do acessório, para que se deixem de cinismos. O Papa acorda-os para o mundo e para Deus. Pede-lhes que sobretudo amem - tão simples como isto.
O Papa quer que os cardeais, bispos e padres saiam das suas zonas de conforto, das cadeirinhas de fiscais de consciências e julgadores de comportamentos e práticas onde boloram há que séculos. E que amem o próximo, como foram ensinados a pregar aos outros. Mas podem ficar descansadas as almas mais conservadoras e sacristas. As palavras de Francisco não são senha para a revolução. Parecem-me até declarações retrógradas, reaccionárias sem sombra de dúvida: devolvem-nos ao princípio, aproximam-nos de Deus - que é Amor -, mandam-nos de volta ao que Jesus nos ensinou.
Isto foi há onze anos, o Papa está às portas da morte, e eu ainda não vi nada.

P.S. - Hoje é Dia Mundial da Oração.

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Deus deve estar louco

Francisco está às portas da morte, e tão cedo não vamos ter outro assim. Trump levou um tiro de raspão na orelha, mesmo a calhar, e disse que Deus o salvou, "evitou o impensável", para ele salvar a América e o mundo - como se vê. Putin, o outro lado de Trump, afirmou hoje que Deus e o destino lhe confiaram a si e ao exército a "missão" de "defender a Rússia". Quer-se dizer. Deus, às vezes, parece tolo...

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Os rapazes do Vaticano

Cada vez que há eleições para papa, nos tempos modernos, sai um velhinho na rifa. Um cardeal velhinho. Compreende-se: é preciso pôr na cúpula da Igreja Católica alguém com experiência, com a sabedoria da longa vida que carrega sobre os ombros, não vá repetir-se a triste história do inconsciente Jesus Cristo, que tinha apenas 33 anos e resolveu morrer por nós todos, dando origem a isto tudo. E o cardeal velhinho tem de ter muitos doutoramentos em muitas universidades gregorianas, que é só uma, mas podia ser pelo menos três, como a Santíssima Trindade, não vá sentar-se lá na praticamente infalível cadeira um pescador como Pedro ou um funcionário das Finanças como Mateus, dois burgessos que certamente escangalhariam isto tudo.
E já muito facilita o Vaticano, quedando-se pelos simpáticos septuagenários ou octogenários. Basta pensar que, biblicamente, Moisés viveu até aos 120 anos, Jacob até aos 147, Abraão até aos 175, Adão até aos 930, Noé até aos 950, e Matusalém, filho de Enoque, pai de Lameque e avô de Noé, faleceu inesperadamente aos 969 anos.
(Evidentemente também há João XII, que chegou a papa aos 18 anos, dormia com as prostitutas do pai, teve relações sexuais com a própria mãe, castrou um dos seus cardeais, cegou outro, torturou quem lhe desprazia e acabou por morrer com uma valente marretada na cabeça, gentilmente oferecida pelo marido cornudo de uma das suas incontáveis amantes. Mas isso não é desculpa.)
Não sei se sabem: todos os católicos são elegíveis para papa. Basta-lhes serem, obviamente, baptizados, maiores de idade e homens, embora depois devam vestir saias. Isto é, eu posso ser papa, um sétimo de toda a população mundial pode ser papa, depois, na questão das saias, cada um seria para o lado que der.
Só que as eleições no Vaticano não são directas e universais. Votam apenas os cardeais, lacrados no chamado conclave, onde, nas horas mortas, contam anedotas picantes uns aos outros e fazem malha. E se votam apenas os cardeais (120 no máximo, "em nome" de cerca de 1272 milhões de almas), porque é que os velhinhos haveriam de escolher para patrão o Silva dos Plásticos, que, sendo embora uma pessoa estimável e comerciante respeitado, não lhes pertence de lado nenhum?
É! É como na Caixa Geral de Depósitos, no Banco de Portugal ou nas direcções-gerais, secretarias de Estado ou sucessórios cargos dirigentes da nossa administração pública. É exactamente: quem tem o poder nas mãos, mete lá os seus rapazes, quer-se dizer, os boys...

P.S. - Publicado originalmente no dia 19 de Junho de 2016. Há quem diga que hoje, 22 de Outubro, é Dia Nacional da Cidade-Estado do Vaticano. Certo é: a Cidade do Vaticano tornou-se estado independente no dia 11 de Fevereiro de 1929. Por outro lado, 22 de Outubro de 1978 é a data da entronização como papa do conservador João Paulo II. Proclamado santo em Abril de 2014, a sua festa litúrgica é celebrada exactamente hoje pela Igreja Católica. Quanto ao nosso desalinhado Francisco, que graças a Deus destoa para o bem, iniciou o seu refrescante pontificado a 19 de Março de 2013 e um dia destes, para mal dos nossos pecados, ainda deixa de tossir...

domingo, 22 de setembro de 2013

Amem em vez de amém, disse o Papa aos padres

Disse o Papa: "Proclamar o amor redentor de Deus é um dever prioritário, antes do dever moral e religioso. Mas hoje parece que muitas vezes acontece o contrário". Pois parece. Francisco falava da missão dos ministros da Igreja e eu gostei. Era um raspanete ao pessoal, mais um. E gostei também que viesse nos jornais. Estou farto de dizer a mesma coisa, mas a mim ninguém me liga.
No fundo, o Papa apela aos cardeais, bispos e padres para que metam na devida ordem as suas próprias urgências pastorais, para que se organizem em bondade e misericórdia, para que (re)aprendam a distinguir o essencial do acessório, para que se deixem de cinismos. O Papa acorda-os para o mundo e para Deus. Pede-lhes que sobretudo amem - tão simples como isto.
O Papa quer que os cardeais, bispos e padres saiam das suas zonas de conforto, das cadeirinhas de fiscais de consciências e julgadores de comportamentos e práticas onde boloram há que séculos. E que amem o próximo, como foram ensinados a pregar aos outros. Mas podem ficar descansadas as almas mais conservadoras e sacristas. As palavras de Francisco não são senha para a revolução. Parecem-me até declarações retrógradas, reaccionárias sem sombra de dúvida: devolvem-nos ao princípio, aproximam-nos de Deus - que é Amor -, mandam-nos de volta ao que Jesus nos ensinou.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

As minhas divergências com o Papa 3

Francisco, de visita ao Brasil, alertou a juventude contra os "ídolos passageiros". Eu preferia que o Papa fosse contra os ídolos apenas - passageiros ou condutores. O Papa é um ídolo. E também gostava que não fosse preciso declarar estado de sítio para receber o homem da paz. Só em "segurança", a visita do presidente do Vaticano custa aos brasileiros onze mil militares e polícias e 30 milhões de euros. Se Jesus Cristo fosse vivo, rebentava com esta merda toda.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Deixemos os entretantos e vamos aos finalmentes

Gosto da pinta deste papa. Dá-me esperança. E gosto mais de ciclismo do que da política de Israel para o Médio Oriente. Ainda assim, considero razoavelmente importante a audiência vaticana ao presidente Shimon Peres e acho um manifesto desperdício a bênção papal à camisola rosa da Volta à Itália. Quer-se dizer: o nosso Francisco já lá está há mês e meio - e os tapetes à espera de quem os levante. The show must go on, acredito, mas tretas não bastam para remediar a Igreja.