Desejo de doente
Querida, quando eu morrer,
Com tua boquinha breve
Não me venhas tu dizer:
- A terra te seja leve!
Nesse dia vem calçada
De botinas de cetim:
Quero a terra bem pisada
Tendo teu pé sobre mim!
Em paga de meus amores,
Quando tombar o caixão,
Deita-lhe um ramo de flores
Colhidas por tua mão.
E se mais posso pedir-te
Nesta eterna despedida,
Deixa dos olhos cair-te
Uma lágrima sentida.
"Traduções e Poesias", Francisco Otaviano
(Francisco Otaviano nasceu no dia 26 de Junho de 1825. Morreu em 1889.)
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segunda-feira, 26 de junho de 2017
domingo, 26 de junho de 2016
Francisco Otaviano 3
Recordações
Oh! se te amei! Toda a manhã da vida
Gastei-a em sonhos que de ti falavam!
Nas estrelas do céu via teu rosto,
Ouvia-te nas brisas que passavam:
Oh! se te amei! Do fundo de minh’alma
Imenso, eterno amor te consagrei...
Era um viver em cisma de futuro!
Mulher! oh! se te amei!
Quando um sorriso os lábios te roçava,
Meu Deus! que entusiasmo que sentia!
Láurea coroa de virente rama
Inglório bardo, a fronte me cingia;
À estrela alva, às nuvens do Ocidente,
Em meiga voz teu nome confiei.
Estrela e nuvens bem no seio o guardam;
Mulher! oh! se te amei!
Oh! se te amei! As lágrimas vertidas,
Alta noite por ti; atroz tortura
Do desespero d’alma, e além, no tempo,
Uma vida a sumir-se na loucura...
Nem aragem, nem sol, nem céu, nem flores,
Nem a sombra das glórias que sonhei...
Tudo desfez-se em sonhos e quimeras...
Mulher! oh! se te amei!
Francisco Otaviano
(Francisco Otaviano nasceu no dia 26 de Junho de 1825. Morreu em 1889.)
Oh! se te amei! Toda a manhã da vida
Gastei-a em sonhos que de ti falavam!
Nas estrelas do céu via teu rosto,
Ouvia-te nas brisas que passavam:
Oh! se te amei! Do fundo de minh’alma
Imenso, eterno amor te consagrei...
Era um viver em cisma de futuro!
Mulher! oh! se te amei!
Quando um sorriso os lábios te roçava,
Meu Deus! que entusiasmo que sentia!
Láurea coroa de virente rama
Inglório bardo, a fronte me cingia;
À estrela alva, às nuvens do Ocidente,
Em meiga voz teu nome confiei.
Estrela e nuvens bem no seio o guardam;
Mulher! oh! se te amei!
Oh! se te amei! As lágrimas vertidas,
Alta noite por ti; atroz tortura
Do desespero d’alma, e além, no tempo,
Uma vida a sumir-se na loucura...
Nem aragem, nem sol, nem céu, nem flores,
Nem a sombra das glórias que sonhei...
Tudo desfez-se em sonhos e quimeras...
Mulher! oh! se te amei!
Francisco Otaviano
(Francisco Otaviano nasceu no dia 26 de Junho de 1825. Morreu em 1889.)
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Francisco Otaviano 2
Morrer... dormir...
Morrer... dormir... não mais! Termina a vida,
E com ela terminam nossas dores;
Um punhado de terra, algumas flores,
E, às vezes, uma lágrima fingida!
Sim! minha morte não será sentida;
Não deixo amigos, e nem tive amores!
Ou, se os tive, mostraram-se traidores,
- Algozes vis de uma alma consumida.
Tudo é podre no mundo! Que me importa
Que ele amanhã se esboroe e que desabe,
Se a natureza para mim é morta!
É tempo já que o meu exílio acabe...
Vem, pois, ó Morte, ao nada me transporta...
Morrer... dormir... talvez sonhar... quem sabe?
Francisco Otaviano
(Francisco Otaviano nasceu no dia 26 de Junho de 1825. Morreu em 1889.)
Morrer... dormir... não mais! Termina a vida,
E com ela terminam nossas dores;
Um punhado de terra, algumas flores,
E, às vezes, uma lágrima fingida!
Sim! minha morte não será sentida;
Não deixo amigos, e nem tive amores!
Ou, se os tive, mostraram-se traidores,
- Algozes vis de uma alma consumida.
Tudo é podre no mundo! Que me importa
Que ele amanhã se esboroe e que desabe,
Se a natureza para mim é morta!
É tempo já que o meu exílio acabe...
Vem, pois, ó Morte, ao nada me transporta...
Morrer... dormir... talvez sonhar... quem sabe?
Francisco Otaviano
(Francisco Otaviano nasceu no dia 26 de Junho de 1825. Morreu em 1889.)
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Francisco Otaviano
Ilusões da vida
Quem passou pela vida em branca nuvem,
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu;
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu.
Francisco Otaviano
(Francisco Otaviano nasceu no dia 26 de Junho de 1825. Morreu em 1889.)
Quem passou pela vida em branca nuvem,
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu;
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu.
Francisco Otaviano
(Francisco Otaviano nasceu no dia 26 de Junho de 1825. Morreu em 1889.)
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