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quarta-feira, 31 de maio de 2023

O vogal que é consoante

É um homem muito dado, com uma vida inteira dedicada ao associativismo. Pertence aos corpos sociais há mais de quarenta anos, primeiro como suplente, na última década como membro efectivo da Direcção, e lá se vai aguentando, automaticamente reeleito, ano após ano. É vogal. E no entanto ninguém lhe conhece uma opinião própria, uma tomada de posição, um ponto de vista, um prisma, uma óptica, um ângulo de visão que se diga. Navega ao sabor do vento e sempre com a maioria, silencioso. Exigem-lhe uma decisão, e ele diz "depende". Quer-se dizer: é vogal, mas os colegas chamam-lhe consoante...

P.S. - Hoje é Dia Nacional das Colectividades.

segunda-feira, 31 de maio de 2021

O vogal que era consoante

É um homem muito dado. Pertence aos corpos sociais há mais de trinta e cinco anos. Primeiro como suplente, na última década como membro efectivo, e lá se vai aguentando. E no entanto ninguém lhe conhece uma opinião própria, uma tomada de posição, um ponto de vista, um prisma, uma óptica, um ângulo de visão que se diga. Navega ao sabor do vento e sempre com a maioria, silencioso. É vogal, mas os colegas da Direcção chamam-lhe consoante...

P.S. - Hoje, 31 de Maio, é Dia Nacional das Colectividades.

E os amigos do Pina, que é deles?

Quando Manuel António Pina morreu, por assim dizer, em Outubro de 2012, os amigos de Manuel António Pina fundaram o Clube dos Amigos à Espera do Pina. Outros amigos de Manuel António Pina fundaram o Círculo Literário e Artístico Manuel António Pina. Sinceramente achei então que o Pina não merecia tanto. Quero dizer: não merecia tanta vaidade e inveja, tanto umbiguismo, tanto acotovelamento, tanta sede de aparecer à pala do desaparecido, vamos um supor. O Pina de certeza que não sabia que tinha tantos amigos. E ainda por cima amigos desavindos, dissidentes. Que fartura! Duas-colectividades-duas em nome do Pina, no Porto que ainda há pouco enterrara e responsara a Fundação Eugénio de Andrade, com o descaramento de quem limpa as mãos à parede depois de limpar o cu sem papel. Eugénio de Andrade, esse - não sei se tem amigos ou se alguém espera por ele...
Ignoro o que se passa hoje em dia com aquelas duas pressurosas e exclusivas agremiações pinaculares. Desconheço se ainda existem, se bolem, se fazem saraus literários ou pelo menos almoço de Natal, se são nenhuma ou se se multiplicaram por vinte. O Pina é grande e chega para todos: para os compinchas de verdade e para os simpatizantes, curiosos, atrevidos e outros aproveitadores. Eu sou um simples admirador das palavras de Manuel António Pina, só lhe conhecia a voz da televisão e da rádio, naquele falar de quem fala, e do olá distraído no elevador do Edifício JN, e parece que o estou a ouvir dizer: - Sirvam-se.