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sábado, 25 de outubro de 2025

Testes em massa

Quando, por ocasião da pandemia, o Governo anunciou e promoveu testes em massa, ele pensou e disse: - Sim, evidentemente testes em massa, estou absolutamente de acordo. Mas testes em arroz? E testes em batatas? Que é deles?... 

P.S. - Hoje é Dia Mundial das Massas.

Massa ao quartilho

Um conto de Natal era geralmente uma seca. Já um conto de réis eram mil escudos. Uma pipa de massa naquele tempo, é preciso que se note.

P.S. - Hoje é Dia Mundial das Massas.

As extraordinárias descobertas da ciência

Os cientistas descobriram: os neutrinos têm massa. Os portugueses, de uma forma geral, antes pelo contrário.

P.S. Hoje é Dia Mundial das Massas.

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Massas para todos os gostos

Ele gostava de uma boa massa à lavrador, de uma boa massa de marisco e sobretudo de uma boa massa de bacalhau. Também concordava com a vacinação em massa. Quanto à massa de ar quente, não é que desgostasse, mas afligia-o sobremaneira a flatulência.

P.S. - Hoje é Dia Mundial das Massas.

terça-feira, 25 de outubro de 2022

O segredo está na pasta

Nem no molho, nem na massa. O segredo está na pasta. Uma pasta de segurança, diplomática, confidencial, fechada a sete chaves.

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Massas

Gostava de uma boa massa à lavrador, de uma boa massa de marisco e sobretudo de uma boa massa de bacalhau. Também concordava com a vacinação em massa. Quanto à massa de ar quente, não é que desgostasse, mas afligia-o a flatulência. 

P.S. - Hoje, 25 de Outubro, é Dia Mundial das Massas.

As extraordinárias descobertas da ciência

Os cientistas descobriram: os neutrinos têm massa. Os portugueses, de uma forma geral, não!  

Um conto de Natal

Um conto de Natal era geralmente uma seca. Já um conto de réis eram mil escudos. Uma pipa de massa naquele tempo, é preciso que se note. 

O segredo está na pasta

Nem no molho, nem na massa. O segredo está na pasta. Uma pasta de segurança, diplomática, confidencial, fechada a sete chaves.   

Testes em massa

O Governo anunciou e promoveu testes em massa. Sim, evidentemente testes em massa, estou absolutamente de acordo. Mas testes em arroz? E testes em batatas? Que é deles?... 

domingo, 25 de outubro de 2020

A minha mãe avisou: o povo é tolo e estamos de volta à fressura

Há pelo menos uma grande superfície do Porto que está a vender fressura às pessoas como se fosse para dar de comer aos cães. Mas é para a mesa das pessoas. As pessoas andam com fome e pedem a fressura. Nas lojas de congelados, as cabeças de pescada foram cortadas ao meio e as caras de bacalhau saem como pãezinhos quentes. As pessoas, que andam com fome e nunca na vida cozinharam (e não sabem cozinhar), agora olham para umas postas esquisitas, perguntam "que peixe é este?, é bom para quê?", os funcionários dos frigoríficos fazem o papel respectivo, inventam no momento um nome qualquer para o peixe e dizem que "é bom para o forno, para fritar, para a brasa, para estufar, para caldeirada, é bom, muito bom", e o peixe é uma merda mas as pessoas querem acreditar que é bom, muito bom, porque é multifunções e muito mais barato do que peixe a sério e estão com fome. E levam. E são levadas. E está bem: o polvo e as lulas agora são potas. Filhos da puta que nos puseram assim. Nos talhos, o fígado para iscas e os ossos da suã são hits nacionais. Os pescoços de frango também e as asas é um ar que se lhes dá. As pessoas estão sem dinheiro e têm fome. As pessoas não têm emprego e as que têm trabalham para pagar impostos e remédios.
A ver se me faço compreender: sempre fui praticante de asas e pescoços de frango, de ossos da suã, de iscas de fígado, de caras de bacalhau e de cabeça de pescada, se for inteira. Fui e sou. Sei dar-lhes o valor e as voltas: cá em casa são petiscos. Ainda não necessidade. À fressura (deixem-se lá de malícias) é que nunca mais tornei.
E em miúdo até era eu quem ia ao Talho, a mando da minha mãe, comprar "um quarto de fresura" para a massa do almoço, "se faz favor". Só havia um talho na vila, e por isso era com maiúscula, e não há uma mãe como a minha. Se acham que é lugar-comum, isto da minha mãe, estão redondamente enganados. Perguntem em Fafe, chama-se Alexandrina e vão ficar admirados. Mas a minha mãe hei-de explicá-la como deve ser mais lá para diante.
Já sabem que éramos pobres. Comíamos "fresura" porque era o mais em conta que havia aparentado com carne para comermos à semana. E casava muito bem com massa, que era também comida de quem apenas sobrevivia. Eu aprendi a gostar e gostava sobretudo do rinca-rinca do cano. Já a parte do bofe fazia-me uma certa impressão e ainda hoje sou contra as chiclas. Ao domingo comíamos bife, microbife, é preciso que se note, porque a minha mãe tinha artes de ilusionista, truques de economia. A minha mãe fazia comida muito boa e devia ser ministra das Finanças.

A minha mãe passou por muito e diz que o 25 de Abril foi o melhor que aconteceu em Portugal. Isso e os títulos do FC Porto, que eram, a bem dizer, proibidos. A minha mãe não admite marcha-atrás. "O povo é tolo! Pobreza era no tempo do fascismo", diz a minha mãe, e os títulos do Benfica também eram. Mas, ó mãe, deixe lá o relato só por um bocadinho: estamos de volta à "fresura"?...

P.S. - Hoje, 25 de Outubro, é Dia Mundial das Massas.

Il segreto

O dilema do almoço de domingo
Os domingos têm este pequeno problema, e quem seja de Fafe e antigo sabe do que falo: tripas ou vitela assada? Esta é que é a verdadeira questão, o shakespeariano dilema do almoço dominical. Os fafenses, gente de bom comer e satisfatório beber, resolveram facilmente o assunto, há muito, muito tempo: isto é, em vez de tripas "ou" vitela assada, o almocinho de domingo passou a providenciar tripas "e" vitela assada. Nem Salomão, no seu ancestral e sábio critério, tomaria decisão mais acertada.
A vitelinha guiava-se em casa, com vagar e carinho, com as voltinhas todas, e as tripas, regra geral, iam-se buscar num tachinho à Esquiça ou à Pacata, consoante a ideia que cada um tinha acerca da sua própria posição social.
Começava-se portanto pelas tripas, e a seguir vinha a vitela. O apetite era gerido ao milímetro, mais ou menos um bocadinho daquelas, mais ou menos um bocadinho desta - porque, como determina o princípio da impenetrabilidade da matéria, dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo, e as vacas é que têm felizmente quatro estômagos. Ora bem: a malta nova, pouco dada à tripalhada, reservava-se para a chicha com batatinha de ouro e arroz de forno. Mas de quando em quando reservava-se mal. Como daquela vez em que o nosso Zé não tocou no feijão. Perguntaram-lhe se estava doente, se tinha fastio, se queria um caldinho branco, se queria meter o termómetro. Que não, que não, que não e que não, respondeu respectivamente, e explicou todo gaiteiro: - Estou a guardar-me para a vitela!
Naquele domingo não havia vitela. E as tripas já tinham saído da mesa...

Não é para me gabar, mas hoje cá em casa fiz massa à lavrador, por causa das coisas, e só sei dizer que estava uma especialidade.

O segredo está na pasta
Nem no molho, nem na massa. O segredo está na pasta. Uma pasta de segurança, diplomática, confidencial, fechada a sete chaves. 

Massas
Gostava de uma boa massa à lavrador, de uma boa massa de marisco e sobretudo de uma boa massa de bacalhau. Quanto à massa de ar quente, não é que desgostasse, mas afligia-o a flatulência.

A continha, se faz favor...
Pediu um copo-d'água. Trouxeram-lhe dois croquetes, dois rissóis de camarão, dois rissóis de carne, meia dúzia de bolinhos de bacalhau anões, uma empada de vitela, um pratinho de salada russa, um pratinho de salada de feijão fradinho, um pratinho de polvo em molho verde, um pratinho de moelas de coelho, um pratinho de massa à lavrador, um pires de tremoços, cem gramas de camarão, duas navalheiras, quatro mexilhões em vinagreta, três asas de frango, meia cabeça de leitão, quatro fatias de lombo de porco assado, meia dose de rojões com arroz de sarrabulho, uma canja com esgravatadeira, uma fatia de bolo-rei, um par de noivos, um café. E um copo de água. 

As extraordinárias descobertas da ciência
Os cientistas descobriram: os neutrinos têm massa. Os portugueses, de uma forma geral, não! 

P.S. - Hoje, dia 25 de Outubro, é Dia Mundial das Massas.

Coentros e raspanetes

Semeei coentros num vaso. Um vaso pequeno, que a varanda é curta e só dá mesmo para isso: vasinhos - com salsa, manjericão, tomilho, hortelã, alecrim e coentros, azevinho para me lembrar que há sempre Natal apesar de tudo, e duas daquelas plantas dadas ao deserto e tão portuguesas dos nossos dias que conseguem safar-se sem comer e sem beber durante pelo menos ano e meio. Uma foi-me oferecida pelo meu amigo Almeida, fino como um alho para me ensinar a vida. Tivesse eu espaço e também lá metia, a ver se dava, tudo o que não tenho e nos faz tanta falta, como, por exemplo, batatas, arroz, bacalhau, emprego, azeite, pão, ossos da suã, respeito, sardinhas, carapaus, médicos, enfermeiros, bifanas e outras coisas assim. Mas deixemo-nos de lamechices.
O que interessa é isto, dei utilidade à minha manhã de domingo. Semeei o vaso de coentros e preguei-lhes logo um sermão, porque realmente de pequenino é que se torce o pepino (sim, pepinos também era bem bom!): meus ricos meninos, disse-lhes eu, está um frio que não se pode andar com ela ao léu, mas não quero cá pieguices! O tempo está ruim, está sim senhor, são tempos de pandemia e de períodos de chuva fraca passando gradualmente a regime de aguaceiros, mas é em tempos assim que se vê de que massa é que os coentros são feitos (massa também dava jeito, se for de cotovelos)! Temos de ser exigentes, meus montes de merda (isto é o chamado estrume moral), temos de ser persistentes, suas sementes de trazer por casa (é verdade, apanhei-as no vaso do ano passado)! E dou catorze dias, talvez dez, para vos começar a ver a fronha, com geada ou sem geada, o problema é vosso, engonhas sem vergonha! Catorze dias, talvez dez, um atrás do outro, sem sequer tirar fora, disse eu ao vaso e não estava para brincadeiras. Queres feriado, toma!

Vamos lá ver o que acontece. Diz que se deve falar com as plantas e eu falei logo com as sementes. Tenho um vizinho alemão que se chama Adolfo e que gostou muito de me ouvir. Só espero não ter sido duro demais. Os coentros fazem-me falta. 

P.S. - Hoje, 25 de Outubro, é Dia Mundial das Massas.