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terça-feira, 1 de abril de 2014

Kasa da Praia: será desta?

Foto Hernâni Von Doellinger

Cinco anos depois da inauguração prometida, as "obras" da famigerada Kasa da Praia estão finalmente a começar... outra vez. Será desta?
Escrevi no dia 11 de Agosto de 2013, a propósito da santa-engrácia portuense:

As "obras" da Kasa da Praia, as tais que iam "regressar em força" aqui há coisa de dois meses, estão entregues aos pombos. As corridas do Circuito da Boavista passaram e os operários desapareceram. Era o que eu dizia.
A Kasa da Praia é uma das sobras da Capital Europeia da Cultura, Porto 2001. Dois mil e um - digo bem. A ideia era pegar nas paredes do velho edifício do CLIP e meter lá dentro um restaurante e bar dançante, coisa fina abrilhantada também com serviço de pequeno-almoço e salão de chá. Ideia peregrina. Que caminhou pelos jornais, com notícias vá-se lá saber porquê em 2002, em 2003, em 2004, em 2005, em 2007 e em 2008, mas sem sair do papel. Do papel de jornal, entenda-se. A inauguração foi prometida em 2009, passou-se 2010, passou-se 2011, e em Março de 2012 deitaram o miolo abaixo, e com grande estrondo. Mas apenas, e outra vez, na chamada comunicação social. A coisa ficou assim até ao lifting facial do pretério mês de Junho, para não parecer mal aos camones dos popós. E a partir daí, nada.
Antes de ser CLIP - Colégio Luso-Internacional do Porto, escola para meninos ricos e excelente -, aquela casa sem kapa foi posto de transformadores e de rectificadores de mercúrio para fornecimento de energia aos eléctricos da Invicta. Tem história, portanto, e uma localização que é um luxo: no limite ocidental do Parque da Cidade, agora em cima da praia, entre o Castelo do Queijo e o Edifício Transparente. Quem dera a muitos...
Mas já lá vão doze anos - 12 anos, digo bem - e o que temos ali são ruínas. Ruínas muito bem pintadas por fora, é preciso que se diga, porque isto não é uma crítica, ainda menos reclamação. Eu apenas tomo nota, de resto até gosto daquilo conforme está.

domingo, 11 de agosto de 2013

Era mesmo só fachada

Foto Hernâni Von Doellinger

As "obras" da Kasa da Praia, as tais que iam "regressar em força" aqui há coisa de dois meses, estão entregues aos pombos. As corridas do Circuito da Boavista passaram e os operários desapareceram. Era o que eu dizia.
A Kasa da Praia é uma das sobras da Capital Europeia da Cultura, Porto 2001. Dois mil e um - digo bem. A ideia era pegar nas paredes do velho edifício do CLIP e meter lá dentro um restaurante e bar dançante, coisa fina abrilhantada também com serviço de pequeno-almoço e salão de chá. Ideia peregrina. Que caminhou pelos jornais, com notícias vá-se lá saber porquê em 2002, em 2003, em 2004, em 2005, em 2007 e em 2008, mas sem sair do papel. Do papel de jornal, entenda-se. A inauguração foi prometida em 2009, passou-se 2010, passou-se 2011, e em Março de 2012 deitaram o miolo abaixo, e com grande estrondo. Mas apenas, e outra vez, na chamada comunicação social. A coisa ficou assim até ao lifting facial do pretério mês de Junho, para não parecer mal aos camones dos popós. E a partir daí, nada.
Antes de ser CLIP - Colégio Luso-Internacional do Porto, escola para meninos ricos e excelente -, aquela casa sem kapa foi posto de transformadores e de rectificadores de mercúrio para fornecimento de energia aos eléctricos da Invicta. Tem história, portanto, e uma localização que é um luxo: no limite ocidental do Parque da Cidade, agora em cima da praia, entre o Castelo do Queijo e o Edifício Transparente. Quem dera a muitos...
Mas já lá vão doze anos - 12 anos, digo bem - e o que temos ali são ruínas. Ruínas muito bem pintadas por fora, é preciso que se diga, porque isto não é uma crítica, ainda menos reclamação. Eu apenas tomo nota, de resto até gosto daquilo conforme está.

sábado, 17 de março de 2012

Será do cu? Será das calças?

Foto GASPAR DE JESUS

As III Jornadas Literárias de Fafe já entraram na sua segunda semana e eu ainda não vi nenhuma notícia sobre o assunto. Digo notícia e refiro-me aos chamados órgãos de comunicação social de expressão nacional. Nada. Nem uma, umazinha. Confesso que não me esforcei numa busca profissional, servi-me apenas da papinha feita do Google, e por isso admito que alguma coisa me possa ter escapado. Mas, se me escapou, era alguma coisa muito pequenina, sorrateiramente insultuosa para uma iniciativa cultural desta singularidade e dimensão.
Eu sei: faltam cabeças de cartaz, chamarizes. Uma Agustina, um Lobo Antunes, um José Rodrigues dos Santos, uma Cláudia Jacques, um Futre, uma Carolina Salgado ou um José Castelo Branco. Falha tanto mais grave numa terra que aqui atrasado perfilhou o cineasta portuense Manoel de Oliveira, ainda me hei-de rir quando (e se) conseguir perceber porquê.
Os chamados órgãos de comunicação social de expressão nacional estão-se borrifando para a cultura. Querem é "nomes". E, já agora, almoço. E jantar. E umas lembrançazinhas. E almoço. E jantar. A cultura assim já é uma coisa muito bonita e o jornalismo também. Por outro lado, os responsáveis pelas jornadas se calhar pensam que os textos generosamente adjectivados que publicam nos seus blogues mais ou menos pessoais são notícias e bastam. Pois permitam-me que, respeitosamente, lhes diga: não são notícias, nem bastam. São manifestos de alma em circuito fechado, brilharetes e não mais do que isso. Tal e qual como eu aqui no Tarrenego!
Portanto, que fique assente: não são notícias. E não bastam porque as Jornadas Literárias de Fafe merecem muito mais. Justificam tratamento jornalístico a sério, distanciado, rigoroso e substantivo, para que o País saiba, sem cunhas nem narizes-de-cera, que, a dois passos de Guimarães-Capital Europeia da Cultura e a três de Braga-Capital Europeia da Juventude, há uma cidade outra onde a cultura é feita pelo povo de mãos dadas, como, que eu saiba, não se faz em mais lado nenhum. E povo aos milhares.
Sabiam que as III Jornadas Literárias de Fafe arrancaram, no passado dia 9, com um espectáculo que envolveu 1.500 crianças e jovens do concelho, num recinto lotado com mais de 3.000 pessoas? Sabiam que, até dia 24, todos os dias a cultura acontece, com iniciativas diversas e participadas, de fazerem inveja aos mais pintados? Sabiam que amanhã - exactamente amanhã - é o ponto alto desta maratona de duas semanas, com a recriação da visita do rei D. Carlos a Fafe, numa muito aguardada reconstituição de época que contará com a participação de mais de 4.000 figurantes? Sabiam? Viram isto nas notícias?
Bem me parecia. Alguém está a precisar de levar umas bordoadas valentes, só não sei quem. Porque ainda não percebi se o defeito é do cu ou é das calças. Se a culpa é dos chamados órgãos de comunicação social de expressão nacional, que por natureza se borrifam, ou se a promoção da coisa não foi feita como devia.