Mostrar mensagens com a etiqueta António Carneiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Carneiro. Mostrar todas as mensagens

sábado, 16 de setembro de 2017

António Carneiro 2

A uma Senhora que me pediu rosas em tempo que não as havia

Pediu-me rosas, Senhora,
E as roseiras não têm rosas;
Só nas suas mãos formosas
Poderão nascer agora.

Já uma vez, por encanto,
Umas santas mãos bondosas
Transformaram oiro em rosas;
Senhora, faça outro tanto!
Pois, como a Santa doutrora,
A todos as dores consola,
E quem tem sempre uma esmola
Tem sempre rosas, Senhora!
 
António Carneiro

(António Carneiro nasceu no dia 16 de Setembro de 1872. Morreu em 1930.)

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

António Carneiro

Caminho da verdade

Venho da rua. Um inebriamento
De formas e de cores abalou
Um momento o meu ser, onde pousou
Numa interrogação o desalento.

No silêncio do lar as mãos ansiosas
Levanto, e cerro os olhos cismador.
Todas as sombras logo em derredor
De mim vêm alinhar-se carinhosas...

Que tens, pobre amoroso? Duvidaste?
Viste só com os olhos e cegaste...
Vê com a alma, amigo. Põe constante

O coração nas coisas. Ama, crê!
A verdade é em ti, amigo, sê
Tu mesmo e achá-la-ás a todo o instante!...

 
"Solilóquios: Sonetos Póstumos", António Carneiro

(António Carneiro nasceu no dia 16 de Setembro de 1872. Morreu em 1930.)