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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Emanuel Guimarães 3

Isto de política é um ofício como outro qualquer: um homem como o visconde de Mauá, que tem idéias grandes de progresso, é um perfeito imbecil ao lado de um lorpa como o Jotajota, que ganha dinheiro em jogo de câmbio e de bichos; aos olhos do mundo este vale muito mais que aquele. Na política é a mesma cousa: quem tem idéias, quem quer ser estadista cai no ridículo e na miséria; político é o Juca Lima: é o rei do Brasil, nem sabe ler, não sabe nem quer saber senão de bobagens.

 "A Todo Transe!...", Emanuel Guimarães

(Emanuel Guimarães nasceu no dia 12 de Fevereiro de 1871. Morreu em 1907.)

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Emanuel Guimarães 2

Um vestíbulo pequeno, com um cabide esguio, do espelho estreito e comprido de cristal grosso, onde ela dependurava o chapéu de Júlio César e depunha-lhe a bengala, flanqueado de três portas, das quais uma fronteira à da entrada, abria-se, por trás de um reposteiro espesso de seda desmaiada, dum tom brando de folhagem seca, para a sala de visitas, onde Joca ia fazendo-o entrar, quase arrastando-o.

 "A Todo Transe!...", Emanuel Guimarães

(Emanuel Guimarães nasceu no dia 12 de Fevereiro de 1871. Morreu em 1907.)

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Emanuel Guimarães

O sol caindo sob a Cidade Nova, deitava os raios oblíquos, e as casas altas sobre a estreiteza da rua banhavam-na em sombra amena, bruscamente cortada, nas esquinas das ruas transversais, com uma mancha dura de claridade. As bandeiras, permanentes nas sacadas dos prédios, ondulavam com a viração agradável que soprava do mar, e no movimento daquelas fraldas largas dos pavilhões desbotados, de cores mortas pela exposição constante à atmosfera, roçando penosamente nos arcos de bicos de gás de lado a lado na rua, desprendia-se um característico ar de rudez primitiva, como que prolongando e acentuando o contraste estranho entre as edificações da rua e as vitrinas, do povo imenso grulhando e o exíguo espaço da calçada, estrambótica com os esgotos em meio, a mescla indizível de civilização e barbaria que ressumbra da rua do Ouvidor.
De súbito, a gente toda que acercava a esquina da rua da Quitanda, alvoroçou-se, e uma nuvem densa de poeira levantou-se.
- Que diabo! Exclamou Garcia tapando o nariz com o lenço e atirando-se para o lado oposto. Isto é um desaforo! Em plena rua do Ouvidor, a estas horas.

"A Todo Transe!...", Emanuel Guimarães

(Emanuel Guimarães nasceu no dia 12 de Fevereiro de 1871. Morreu em 1907.)