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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Às armas! Às armas!

Mão ante mão, Portugal caminha para ser um país de pistoleiros. Há registos de mais de 210 mil licenças de porte de armas válidas, e só no ano de 2020 foram emitidas 13 mil novas autorizações. Portugal é um dos países da União Europeia com mais armas de fogo. As autoridades policiais estimam em mais de milhão e meio o número de armas legais, enquanto estatísticas citadas pela comunicação social contabilizam 21 armas por cada 100 habitantes. Agora imagine-se o que vai aí de revólveres, espingardas e carabinas sem bilhete de identidade! Os especialistas em segurança costumam dizer que a corrida ao armamento é um sintoma da crise. Pois deve ser. E temos então o faroeste à porta. Os políticos há muito que não nos são de confiança e a pobreza galopante com que eles nos castigam está a pôr-nos a desconfiar uns dos outros, cá em baixo, onde devíamos ser unidos mas os bagos de arroz pingam a conta-gotas, quando pingam, e não chegam para todos. Colegas de trabalho tramam-se uns aos outros em nome da sobrevivência, as passadeiras nas estradas são cada vez menos local de tréguas e até os irmãos já foram mais fraternos do que são. Se quem me lê ainda tem coragem para sair à rua, repare como as pessoas estão cada vez mais agressivas umas com as outras nas filas dos supermercados. E é para pagar! Um destes dias desata tudo aos tiros. E seremos as vítimas do nosso fogo cruzado.
Entre mortos e feridos, safam-se os de lá de cima. Como sempre.

P.S. - Samuel Colt obteve a patente dos Estados Unidos para o seu revólver Colt, o dos cobóis, no dia 25 de Fevereiro de 1836. A propósito, diz-se que se diz: "Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt tornou-os iguais." Isto é, digo eu: mortos.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Com uma facada, era tiro e queda

Sou dos filmes de cobóis desde pequenino e particular consumidor dos spaghetti de Sergio Leone com molho de Ennio Morricone. Tenho-os na despensa, a colecção completa e indispensável. Gosto. Gosto e assobio. Vejo-os sempre que me apetece, e se dão na televisão (como dão de vez em quando na RTP 2, cada vez menos, ou agora regularmente nestes canais que nos saem do bolso, como por exemplo no Fox Movies ainda aqui atrasado), não mando ninguém ver por mim. Vejo. Vejo e assobio. Porém, ao fim destes anos todos e após milhões de sessões, devo confessar o seguinte: continuo sem perceber a morte dos bandidos. Há ali qualquer coisa que não bate certo. Quer-se dizer - os bandidos é como tordos, morrem uns atrás dos outros até chegar ao chefe, e assim é que está bem, mas já repararam à custa e ao fim de quantos balázios? Já contaram quantas balas são precisas para matar um bandido, um só, nem que seja um simples soldado raso, figurante praticamente? Mais de dezasseis e todas na muche, até que o estafermo do bandido, um só, aceite esticar de vez o pernil, deixando o filme avançar. É muita despesa e má propaganda à inquestionável pontaria, por exemplo, de um atirador da marca de Clint Eastwood. Em contrapartida, quando a coisa é resolvida à facada, o mau da fita morre logo à primeira. Tiro e queda, já viram?
Acho mal. E no entanto assobio. Como dizia o da piza, Ennio Morricone é que sabe...

P.S. - No dia 25 de Fevereiro de 1836, Samuel Colt obteve a patente dos Estados Unidos para o revólver Colt, o dos cobóis. Por outro lado, Ennio Morricone. Ennio Morricone está a despedir-se, aos 91 anos e depois de dar música a mais de 500 filmes e programas de televisão. Passou pela Altice Arena de Lisboa em Maio do ano passado. Não digo adeus Morricone, digo viva Morricone, porque Morricone não vai, Morricone fica. No ouvido. No meu cinema paraíso. E eu assobio...