Divertimento
O esperto esquilo
ganha um coco.
Tem olhos intranquilos
de louco.
Os dentes finos
mostra. E em pouco
os dentes finca
na polpa.
Assim, com perfeito estilo,
sob estridentes
dentes,
o coco, em segundos, fica
todo oco.
"O Menino Poeta", Henriqueta Lisboa
(Henriqueta Lisboa nasceu no dia 15 de Julho de 1901. Morreu em 1985.)
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quarta-feira, 15 de julho de 2020
segunda-feira, 15 de julho de 2019
Henriqueta Lisboa 3
Noturno
Meu pensamento em febre
é uma lâmpada acesa
a incendiar a noite.
Meus desejos irrequietos,
à hora em que não há socorro,
dançam livres como libélulas
em redor do fogo.
"Prisioneira da Noite", Henriqueta Lisboa
(Henriqueta Lisboa nasceu no dia 15 de Julho de 1901. Morreu em 1985.)
Meu pensamento em febre
é uma lâmpada acesa
a incendiar a noite.
Meus desejos irrequietos,
à hora em que não há socorro,
dançam livres como libélulas
em redor do fogo.
"Prisioneira da Noite", Henriqueta Lisboa
(Henriqueta Lisboa nasceu no dia 15 de Julho de 1901. Morreu em 1985.)
domingo, 15 de julho de 2018
Henriqueta Lisboa 2
Serena
Essa ternura grave
que me ensina a sofrer
em silêncio, na suavidade
do entardecer,
menos que pluma de ave
pesa sobre meu ser.
E só assim, na levitação
da hora alta e fria,
porque a noite me leve,
sorvo, pura, a alegria,
que outrora, por mais breve,
de emoção me feria.
"Azul Profundo", Henriqueta Lisboa
(Henriqueta Lisboa nasceu no dia 15 de Julho de 1901. Morreu em 1985.)
Essa ternura grave
que me ensina a sofrer
em silêncio, na suavidade
do entardecer,
menos que pluma de ave
pesa sobre meu ser.
E só assim, na levitação
da hora alta e fria,
porque a noite me leve,
sorvo, pura, a alegria,
que outrora, por mais breve,
de emoção me feria.
"Azul Profundo", Henriqueta Lisboa
(Henriqueta Lisboa nasceu no dia 15 de Julho de 1901. Morreu em 1985.)
sábado, 15 de julho de 2017
Henriqueta Lisboa
Os lírios
Certa madrugada fria
irei de cabelos soltos
ver como crescem os lírios.
Quero saber como crescem
simples e belos - perfeitos! -
ao abandono dos campos.
Antes que o sol apareça
neblina rompe neblina
com vestes brancas, irei.
Irei no maior sigilo
para que ninguém perceba
contendo a respiração.
Sobre a terra muito fria
dobrando meus frios joelhos
farei perguntas à terra.
Depois de ouvir-lhe o segredo
deitada por entre os lírios
adormecerei tranquila.
"A Face Lívida", Henriqueta Lisboa
(Henriqueta Lisboa nasceu no dia 15 de Julho de 1901. Morreu em 1985.)
Certa madrugada fria
irei de cabelos soltos
ver como crescem os lírios.
Quero saber como crescem
simples e belos - perfeitos! -
ao abandono dos campos.
Antes que o sol apareça
neblina rompe neblina
com vestes brancas, irei.
Irei no maior sigilo
para que ninguém perceba
contendo a respiração.
Sobre a terra muito fria
dobrando meus frios joelhos
farei perguntas à terra.
Depois de ouvir-lhe o segredo
deitada por entre os lírios
adormecerei tranquila.
"A Face Lívida", Henriqueta Lisboa
(Henriqueta Lisboa nasceu no dia 15 de Julho de 1901. Morreu em 1985.)
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