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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

António Aleixo 9

Quantas sedas aí vão,
quantos brancos colarinhos,
são pedacinhos de pão
roubados aos pobrezinhos! 

"Este Livro Que Vos Deixo...", António Aleixo

(António Aleixo nasceu no dia 18 de Fevereiro de 1899. Morreu em 1949.)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

António Aleixo 8

Uma mosca sem valor
Poisa com a mesma alegria
Na careca de um doutor
Como em qualquer porcaria.

"Este Livro Que Vos Deixo...", António Aleixo

(António Aleixo nasceu no dia 18 de Fevereiro de 1899. Morreu em 1949.)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

António Aleixo 7

É fácil a qualquer cão
Tirar cordeiros da relva.
Tirar a presa ao leão
É difícil nesta selva.


"Este Livro Que Vos Deixo...", António Aleixo

(António Aleixo nasceu no dia 18 de Fevereiro de 1899. Morreu em 1949.)

domingo, 18 de fevereiro de 2018

António Aleixo 6

Embora os meus olhos sejam
os mais pequenos do mundo,
o que importa é que eles vejam
o que os homens são no fundo.

"Este Livro Que Vos Deixo...", António Aleixo

(António Aleixo nasceu no dia 18 de Fevereiro de 1899. Morreu em 1949.)

sábado, 18 de fevereiro de 2017

António Aleixo 5

Não creio nesse Deus

Não sei se és parvo se és inteligente
- Ao disfrutares vida de nababo
Louvando um Deus, do qual te dizes crente,
Que te livre das garras do diabo
E te faça feliz eternamente.

Não vês que o teu bem-estar faz doutra gente
A dor, o sofrimento, a fome e a guerra?
E tu não queres p'ra ti o céu e a terra?...
- Não te achas egoísta ou exigente?

Não creio nesse Deus que, na igreja,
Escuta, dos beatos, confissões;
Não posso crer num Deus que se maneja,
Em troca de promessas e orações,
P'ra o homem conseguir o que deseja.

Se Deus quer que vivamos irmãmente,
Quem cumpre esse dever por que receia
As iras do divino padre eterno?...
P'ra esses é o céu; porque o inferno
É p'ra quem vive a vida à custa alheia!

"Este Livro Que Vos Deixo...", António Aleixo

(António Aleixo nasceu no dia 18 de Fevereiro de 1899. Morreu em 1949.)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

António Aleixo 4

Ser doido-alegre, que maior ventura! 

Ser doido-alegre, que maior ventura!
Morrer vivendo p'ra além da verdade.
É tão feliz quem goza tal loucura
Que nem na morte crê, que felicidade!

Encara, rindo, a vida que o tortura,
Sem ver na esmola, a falsa caridade,
Que bem no fundo é só vaidade pura,
Se acaso houver pureza na vaidade.

Já que não tenho, tal como preciso,
A felicidade que esse doido tem
De ver no purgatório um paraíso...

Direi, ao contemplar o seu sorriso,
Ai quem me dera ser doido também
P'ra suportar melhor quem tem juízo.

 
"Este Livro Que Vos Deixo...", António Aleixo

(António Aleixo nasceu no dia 18 de Fevereiro de 1899. Morreu em 1949.)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

António Aleixo 3

Porque o povo diz verdades

Porque o povo diz verdades,
Tremem de medo os tiranos,
Pressentindo a derrocada
Da grande prisão sem grades
Onde há já milhares de anos
A razão vive enjaulada.

Vem perto o fim do capricho
Dessa nobreza postiça,
Irmã gémea da preguiça,
Mais asquerosa que o lixo.

Já o escravo se convence
A lutar por sua prol,
Já sabe que lhe pertence
No mundo um lugar ao sol.

Do céu não se quer lembrar,
Já não se deixa roubar,
Por medo ao tal satanás,
Já não adora bonecos
Que, se os fazem em canecos,
Nem dão estrume capaz.

Mostra-lhe o saber moderno
Que levou a vida inteira
Preso àquela ratoeira
Que há entre o céu e o inferno.

 
"Este Livro Que Vos Deixo...", António Aleixo

(António Aleixo nasceu no dia 18 de Fevereiro de 1899. Morreu em 1949.)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

António Aleixo 2

Os vendilhões do templo

Deus disse: faz todo o bem
Neste mundo, e, se puderes,
Acode a toda a desgraça
E não faças a ninguém
Aquilo que tu não queres
Que, por mal, alguém te faça.

Fazer bem não é só dar
Pão aos que dele carecem
E à caridade o imploram,
É também aliviar
As mágoas dos que padecem,
Dos que sofrem, dos que choram.

E o mundo só pode ser
Menos mau, menos atroz,
Se conseguirmos fazer
Mais p'los outros que por nós.

Quem desmente, por exemplo,
Tudo o que Cristo ensinou.
São os vendilhões do templo
Que do templo ele expulsou.

E o povo nada conhece...
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece
A Cristo - o bom doutrinário.


"Este Livro Que Vos Deixo...", António Aleixo


(António Aleixo nasceu no dia 18 de Fevereiro de 1899. Morreu em 1949.)