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sexta-feira, 10 de maio de 2019

A compaixão ataca pela madrugada

Foto Hernâni Von Doellinger

Passa das sete e meia da manhã e a Queima das Fitas ainda está a desfazer a tenda. Na Praia de Matosinhos e na Praia Internacional do Porto, dorme-se, mergulha-se, fuma-se, bebe-se, vomita-se e fornica-se. As esplanadas do Edifício Transparente, pejadas de garrafas em cacos e cadeiras partidas, parecem um campo de batalha sem cadáveres nem sobreviventes. Na rotunda da Anémona, uma pequena multidão de ressacados espera de orelha caída pelo autocarro. Têm tratamento de claque de futebol, de gado: estão enjaulados e vigiados à distância de um bastão pela polícia de choque.
Três miúdas cambaleiam pela Avenida de Montevideu, aparentemente em direcção à Foz. Vão vestidas. Nos intervalos entre cabeçadas contra painéis publicitários e tropeções nos mecos de delimitação do passeio, pedem boleia aos carros que passam. São mesmo miúdas, caloiras da vida, naquela idade e naqueles corpinhos que o sacana do arguido aproveita sempre para se defender, dizendo: "Senhor Doutor Juiz, ponha-se no meu lugar".
Uma das raparigas salta para a estrada, faz sinais ostensivos, quase desesperados, para que os carros parem e as levem dali. Só as buzinas lhe dão troco. E os trolhas que vão para as obras em carrinhas cheias de pressa e juízo mandam-lhe a boca da ordem, "Ó filha, és toda boa", mas boleia é que nada. Um crime. Quero dizer, o piropo bronco. "Foda-se! Ninguém tem compaixão", lamenta-se a miúda, mais para si mesma do que para as outras, num desgosto que só visto.
Ela é nova e não sabe. Às vezes há quem tenha "compaixão", "compaixão" até demais. E é aí que o tribunal entra na história...

(Texto escrito e publicado originalmente sob o título "Sexta-feira da compaixão", no dia 11 de Maio de 2012. Era sexta-feira da Queima, como hoje.)

domingo, 5 de maio de 2019

A Queima das Fitas e os espermatozóides ébrios

Foto Hernâni Von Doellinger

A ciência tem que se lhe diga e eu digo já que gosto desses estudos pândegos que me aparecem de vez em quando nos jornais. Por exemplo: uma investigação da Universidade de Aveiro concluía em Maio de 2012 que, derivado aos exageros, a qualidade do sémen dos estudantes diminui durante as chamadas semanas académicas. A pesquisa deixou de lado a sempre inquietante questão da erecção impossível, mesmo para quem consiga dar com a braguilha, e a controversa problemática do alcance máximo dos jactos de vómito, já que o mijo nem tem discussão: é pelas pernas abaixo.
Voltando ao essencial da coisa e aos números que não mentem, a realidade é esta: durante festas como, verbi gratia, a Queima das Fitas do Porto (que já me rebentou aqui à porta, enchendo de vomitado o Passeio Atlântico, na beira-mar matosinhense, muito obrigado), regista-se, em média, uma diminuição de 20 por cento na concentração de espermatozóides dos estudantes afectados. No caso dos neurónios, digo eu, a redução é de cem por cento.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

As idiossincrasias culturais da Queima das Fitas 3

E de repente desapareceram os mil charcos de vomitado que todas as manhãs abrilhantavam o despertar do Passeio Atlântico, na beira-mar matosinhense. Informei-me: tinha acabado há dois dias o ciclo de "concertos" da Queima das Fitas do Porto, no terreiro ali ao lado...

sábado, 9 de maio de 2015

As idiossincrasias culturais da Queima das Fitas 2

                                                                                        Foto Hernâni Von Doellinger

terça-feira, 5 de maio de 2015

As idiossincrasias culturais da Queima das Fitas

                                                                                       Foto Hernâni Von Doellinger