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sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

A mim ninguém me leva!

Quem, por precisar, frequenta regularmente oftalmologistas, optometristas e oculistas, sabe muito bem do que eu vou falar. Os óculos. Os óculos estão pela hora da morte. Um par de óculos de apenas razoável qualidade, fiável assim-assim, de linhas mais ou menos actualizadas, custa-nos os olhos da cara. O que se paga por um par de óculos dá para comprar um carro em segunda mão. Ou, em alguns casos, até dois carros em segunda mão. E foi o que eu fiz: mandei foder os óculos, que a mim ninguém me leva, peguei no dinheiro que lhes tinha destinado e adquiri pela internet uma viatura "em razoável estado de conservação e óptimo consumo". Fiquei muito bem servido. Por outro lado, não sei conduzir, o automóvel nem sequer pega e eu praticamente não vejo...

P.S. - Hoje é Dia do Óptico.

Um bocado palerma

Os óculos são como as luvas, as calças, as meias, as botas, os patins, as jarras, as alianças, os estalos, os cornos e outras coisas boas da vida - vêm aos pares. Ocorreu-me este acutilante pensamento porque precisei de mudar de óculos. E então: "Estes óculos fazem-me um bocado palerma", disse eu à menina da loja, mirando-me no espelho enganador. "Não diga um coisa dessas, por acaso até lhe ficam muito bem", disse-me a menina da loja, cumprindo a sua obrigação. "Exactamente, é isso que eu quero dizer: estes óculos favorecem-me. Normalmente sou palerma completo", esclareci.

P.S. - Hoje é Dia do Óptico.

Para cima de sargento

A ver se nos entendemos, finalmente: os óculos graduados são todos para cima de sargento?

P.S. - Hoje é Dia do Óptico.

domingo, 15 de setembro de 2024

Eu só queria ir à farmácia

Eram para aí 17h15. Fui à farmácia e perguntaram-me "então o que é que o traz por cá" e eu expliquei, "aconteceu-me isto assim assim e queria ver se me podiam dar qualquer coisa para o meu problema". O meu problema era no olho. Direito. "Ora mostre lá o olho", e eu mostrei, "ui, vai ter de ir ao médico", e eu fui. A pé, da Rua Brito Capelo até ao Centro de Saúde de Matosinhos, que é um pedaço acima da Câmara Municipal.
No centro de saúde fui atendido em menos de uma hora. Perguntaram-me "então o que é que o traz por cá" e eu expliquei "aconteceu-me isto assim assim, fui à farmácia, na farmácia mandaram-me ao médico, e eu vim". "Ora mostre lá o olho", e eu mostrei, "vai ter de ir imediatamente ao oftalmologista, mas, como no Hospital Pedro Hispano não temos urgência da especialidade, pegue lá esta carta e vá ao Hospital de Santo António", e eu fui. A pé até à Avenida Serpa Pinto, apanhei o autocarro 500 até ao Castelo do Queijo, esperei uma hora pelo autocarro 200 e, quando o trânsito me deixou, lá cheguei ao Santo António, no centro ensarilhado da cidade do Porto.
Na urgência fui atendido em menos de um quarto de hora. Perguntaram-me "então o que é que o traz por cá" e eu expliquei "aconteceu-me isto assim assim, fui à farmácia, na farmácia mandaram-me ao médico, o médico mandou-me aqui, e eu vim". "Ora mostre lá o olho, encoste aí o queixo e olhe para esta luzinha", e eu mostrei, encostei e olhei. "Tome lá esta receita, são umas gotas para colocar de duas em duas horas, vá já à farmácia", e eu fui. Estava de volta à casa de partida, passava pouco das 21h45.
Quatro horas e meia de razoável diversão e salutar convívio. E tudo isto pelos módicos cinco euros da taxa que ainda se pagava no centro de saúde, mais as viagens e os quase catorze euros das gotas, que afinal nem precisavam de receita médica, e que estou a pensar meter como despesas de representação. Vou-me queixar de quê?

Gosto de destoar. Sei que tenho o melhor serviço nacional de saúde do mundo. Raramente lhe dava uso, mas frequento-o agora assiduamente e vivo de olhos abertos. Será da idade? E querem saber o que é o nosso Serviço Nacional de Saúde? São as pessoas: os auxiliares, os médicos e os enfermeiros, que todos os dias trabalham no arame e sem rede, que já lhes tiraram há muito, e fazem funcionar uma coisa que na verdade já nem existe, ou, se quisermos ser bondosos, vai morrendo aos bocadinhos. A minha urgência ocular pareceu-me uma desnecessidade, mas as pessoas quiseram fazer bem - são profissionais. E excelentes! Estou-lhes grato e amiúde digo-lhes isso. E faço figas para que me tratem sempre assim mas palminhas, prevenindo em vez de acudir ao que já não tenha remédio. Em todo o caso, palavra de honra, daquela vez eu só queria ir à farmácia.

P.S. - Hoje é Dia do Serviço Nacional de Saúde.

sábado, 7 de maio de 2022

Cuidado com os pontos de vista!

Apareceram-lhe uns pontos de vista um bocado estranhos. Realmente estranhos. E aconteceu de repente. Sem aviso. De um dia para o outro. E ele assustou-se. Pelo sim e pelo não, foi ao oftalmologista.

P.S. - Hoje é Dia do Oftalmologista.

domingo, 6 de março de 2022

Quem vê caras também vê baratas

Os óculos são como as luvas, as calças, as meias, as botas, os patins, as jarras, os estalos, os cornos e outras coisas boas da vida - vêm aos pares. Ocorreu-me este acutilante pensamento porque precisei de mudar de óculos. E então: "Estes óculos fazem-me um bocado palerma", disse eu à menina da loja, mirando-me no espelho. "Não diga um coisa dessas, por acaso até lhe ficam muito bem", disse-me a menina da loja. "Exactamente, é isso que eu quero dizer: estes óculos favorecem-me. Normalmente sou palerma completo", esclareci.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Óculos à carga

É desagradável. Pousar os óculos e depois não saber onde. E precisar deles para os procurar. E pegar no telemóvel para lhes ligar, obrigando-os a darem sinal de si. E então lembrar-me de que nunca pus os óculos a carregar. 

Ilusão de óptica

Era uma ilusão de óptica. Até parecia, mas vista de perto não vendia óculos e similares. Era apenas uma loja de fazendas...