Pai só há um
"Pai só há um", lamentou-se o professor-ensaiador, espreitando pela
cortina a plateia esgotada do teatrinho escolar. "O resto é tudo mães.
Galinhas"...
As pancadas de Jean-Baptiste Poquelin
O francês Jean-Baptiste Poquelin inventou as famosas pancadas de
Jean-Baptiste Poquelin, as quais, secas e consecutivas, batidas no piso
do palco, anunciavam ao público o início de um espectáculo teatral.
Alguém alvitrou, no entanto, que chamar pancadas de Jean-Baptiste
Poquelin às pancadas de Jean-Baptiste Poquelin não tinha jeito nenhum,
até soava mal ao ouvido, e que chamar-lhes, por exemplo, pancadas de
Molière seria muito mais engraçado. Tinha razão. As pancadas mudaram
então o nome para Molière e Jean-Baptiste Poquelin também. Assim se
passaram as coisas.
O papel de uma vida
Entrou em palco e disse:
- Vou sair.
E saiu.
Do palco para os estádios
Shakespeare. Nasceu
em Stratford-upon-Avon, era o ano de 1564. Depois de ter cumprido uma
razoável carreira como poeta, dramaturgo e actor, morreu em 1616 para
dedicar-se por inteiro ao sonho de toda a vida: o futebol profissional.
Jogou no Walsall, no Sheffield Wednesday, no West Bromwich Albion, no
Grimsby Town, no Scunthorpe United, no Telford United e no Hednesford
Town. Virou treinador. No ano de 2017 orientou durante quatro meses o
Leicester City, deixando-o na zona de descida à segunda divisão inglesa,
e actualmente é o terceiro adjunto de Dean Smith no Aston Villa.
Uma questão de gosto
O
inglês Guilherme Shakespeare escreveu tubi ornotubi detesdaquestcham.
Ornotubi. O nosso Luís Vaz escreveu, e certamente antes do bife, al
maminha gentil quetepartiste. Maminha. Para mim, Shakespeare 0 - Camões
1.
Alinhavei o penetrante pensamento supra no dia 1 de Novembro de 2014.
Já vamos em 2021 e continuo a gostar muito mais de maminha, e evidentemente não estou a
falar de carne para churrasco. Na altura, um leitor anónimo mas de óbvia
costela anglófila comentou-me que "Shakespeare é maior que Camões". Eu
respondi: "Mas Hrtdfsgnkgetrfdcçygetñtecho é maior do que Shakespeare". E
mantenho.
O melhor actor do mundo
A conversa já tem alguns anos.
Ao balcão do salão de bilhares, o empregado do bar e alguns clientes
ligados à famosa "segurança da noite" nortenha discutem animadamente
sobre uma questão fundamental: quem é o melhor actor do mundo - Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger ou Jean-Claude
Van Damme? As opiniões dividem-se, ameaçam-se. E eu, ao lado, penso, sem ousar abrir a boca:
evidentemente esqueceram-se do Steven Seagal e do Chuck Norris.
A menina dança?
- A menina dança?
- Não, muito obrigado.
- Não tem nada que agradecer.
- Mas eu faço questão.
- Coimbrã?
- Oliveira do Hospital, mais concretamente.
Almas gémeas
- A menina dança?
- Não!
- É como eu. Não acha que fomos feitos um para o outro?...
P.S. - O Museu Nacional do Teatro, actual Museu Nacional do Teatro e da Dança, foi inaugurado no dia 4 de Fevereiro de 1985. A frase do título copiei-a de Carlos Drummond de Andrade.