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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Miguel Macedo, o formigo 2

Era só para esclarecer o seguinte: quando digo que Miguel Macedo toda a vida mamou na teta da política, que nunca precisou de ter um emprego como as pessoas e que, já ministro, se aboletou a um chorudo subsídio a que eticamente não tinha direito, quero apenas significar a minha mais profunda e sincera homenagem a todos os pequenos e médios políticos portugueses - e em especial ao próprio Miguel Macedo -, pelo trabalho insano e desinteressado que desenvolvem em prol do País. Era só isto e mais nada. Muito obrigado.

domingo, 23 de setembro de 2012

Miguel Macedo, o formigo

Miguel Macedo é militante do PSD desde pequenino. Foi dirigente da JSD e aos 28 anos já mamava como deputado. Foi vereador, secretário de Estado, secretário-geral e líder parlamentar social-democrata e agora é ministro. Quando é que este tipo trabalhou como as pessoas? Quando é que este indivíduo teve um emprego honesto? Ele, que, enquanto não se soube cá fora, andou a moinar um chorudo subsídio a que não tinha direito. Quem é esta criatura para vir ralhar aos portugueses com a história da cigarra e da formiga?

(Mais em Miguel Macedo, o formigo 2)

Um Governo que até manda chover. Ugh!

Miguel de La Fontaine Macedo, ministro da Administração Interna, manifestou-se feliz pela chegada da chuva. Mais um excelente trabalho da equipa de feiticeiros do Governo. Ugh!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Quando os anjos caem de pé

Sejamos justos. O PSD não é só feito de malabaristas morais como o ministro Miguel Macedo e o secretário de Estado José Cesário. Tem também gente séria. É preciso cavar um bom bocado para a descobrir, é verdade, mas sempre há-de aparecer alguém. Estava a lembrar-me, por exemplo, de André Almeida. Não estão a ver quem é André Almeida? Aquele jovem deputado de Arouca que substituiu Luís Marques Mendes na Assembleia da República, entre 2007 e 2009. Não estão mesmo a ver, pois não? Pronto, o melhor é eu contar a história de André Almeida.
Cheio de ideias e boas intenções, André Almeida chegou ao Parlamento e ficou encantado com o que encontrou. O encantamento foi de tal ordem que, em Fevereiro de 2008, o promissor político arouquense surpreendeu tudo e todos ao declarar que os deputados da Nação ganhavam demais, anunciando, ainda por cima, que ia dar dez por cento do seu ordenado mensal a uma instituição de solidariedade social do seu círculo eleitoral, Aveiro. “As ajudas de custo chegam perfeitamente para o que um deputado faz, porque temos condições excelentes”, explicou André Almeida ao jornal 24horas.
Avisado pelo jornalista que o entrevistava para a perigosidade da matéria em que estava a mexer (matéria altamente inflamável e explosiva, e que ainda lhe poderia rebentar nas mãos), o jovem deputado limitou-se a encher o peito e a declarar-se "preparado para as críticas". Mas não estava. Dois dias depois, foi humilhado pelo seu próprio grupo parlamentar e obrigado a fazer um lamentável pedido de desculpas. Para a humilhação ser completa, o puxão de orelhas colectivo, que até foi privado, saiu imediatamente para os jornais.
Ficou a saber-se que o jovem André Almeida se defendeu dizendo que as suas declarações tinham sido "irreflectidas" e que pediu formalmente desculpas aos seus indignados colegas de bancada. Mas nem esta triste figura bastou ao inquisidor-mor Agostinho Branquinho, um dos falcões do velho PSD, que insistiu no enxovalho, argumentando que o pedido de desculpas não era suficiente para fazer desaparecer os danos entretanto causados. Nesse dia, André Almeida já não atendeu o telefone do 24horas.
Quanto aos "danos", foram sendo meticulosamente reparados. De oitavo na lista de candidatos do PSD por Aveiro às Legislativas de 2005, André Almeida desceu para décimo em 2009 e para décimo primeiro em 2011. Isto é: nunca mais sentou o cu na Assembleia. André virou-se então para a política local e foi líder da concelhia do PSD de Arouca até há pouco. No início do mês de Setembro anunciou que não se recandidatava ao lugar, "por razões profissionais, familiares e pessoais".

O André sabe que eu sei que as suas declarações ao 24horas, em Fevereiro de 2008, não foram "irreflectidas". Foram corajosas. E eu gostaria de pensar que, enquanto deputado, o ingénuo arouquense nunca se vergou ao sarro do PSD (que é igual ao sarro do PS), apesar da famosa sessão de pedido de desculpas em que os colegas de bancada fizeram dele gato-sapato. Gostaria de pensar que André Almeida nunca se deixou transformar no Calisto Elói que eles queriam e são.

P.S. - Mais sobre o mesmo assunto, aqui.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Os moinas

Gente séria estes Miguel Macedo e José Cesário! O ministro da Administração Interna e o secretário de Estado das Comunidades do Governo da austeridade-para-todos andavam a moinar um chorudo subsídio de alojamento por não terem casa em Lisboa, mas foi-se a ver e têm. Agora que se soube da habilidade e deu escândalo, um e outro mostram ao País do pé-descalço a honradez de que afinal são feitos: o primeiro "renuncia" à mama, o segundo "abdica" da teta. Vão passar para o leite em pó.
Miguel Macedo foi o primeiro a pôr a consciência a corar. "Vou formalizar a renúncia a este direito que a lei me dá", disse ontem o ministro, apertado pelas notícias, fazendo notar que toma a decisão "por vontade pessoal" e sublinhando que o famigerado subsídio "está há muito tempo previsto na lei". Mas, atenção, mesmo apanhado de calças na mão, o acrobático governante conseguiu aproveitar a indecorosa oportunidade para dar uma de superioridade moral: "Não quero estar a perder um minuto da minha atenção com uma polémica deste género". Só por isso é que ele "renuncia" à mama! De resto, não estava a fazer nada de mal.
Macedo recebia 1.400 euros mensais só de subsídio de alojamento, que é o máximo da tabela, portanto 400 euros a mais do que o ordenado dos portugueses ricos aos quais o Governo vai roubar os subsídios de férias e de Natal para salvar o País. O seu rendimento bruto como ministro é de 4.240 euros.
José Cesário não se ficou, e horas depois fazia saber que também ele "pretende abdicar do subsídio de alojamento que lhe é atribuído por lei". E, a Cesário o que é de Cesário, toma esta altruística atitude "para não introduzir qualquer tipo de ruído na gestão política da secretaria de Estado que tutela". Só por isso é que ele "abdica" da teta. De resto, não estava a fazer nada de mal.
Reparem no chico-espertismo destes tipos. O que eles nos dizem, basicamente, é: sim, nós estávamos a mamar, mas como manda a lei; e não somos os primeiros; temos lá culpa que a lei esteja por nós!
Mas têm. São estes tipos e outros tipos como eles que fazem as leis. Leis geralmente más para a enorme maioria dos portugueses e particularmente boas para a mais pequena minoria, a dos políticos no activo e a caminho da reforma (dourada). Eles próprios! E depois ainda têm a lata de abrirem a gabardina e exibirem-se-nos em pelote e todos pudicos. Desavergonhado país da imoralidade legal...