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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Eu sarapinto, tu sarapintas, ele sarapinta

Não terebintinarás
O verbo terebintinar, esse mesmo, miseravelmente ignorado por quem hoje escreve, lê e fala na ainda chamada língua portuguesa. O verbo terebintinar que, como toda a gente sabe, conjuga-se como o verbo pirilamparar. Evidentemente.

Ele era um extraordinário ciclista e não fazia caso à gramática. Dizia que gostava de correr "isolado, sozinho, sem mais ninguém", porque depois, na chegada à meta, "cada cal é cada cal e cada um sarapinta como pode". Não fazer caso da gramática fazia parte de ser ciclista antigamente. Ele venceu uma Volta a Portugal e era do meu FC Porto e das memórias da minha infância. Carlos Carvalho. Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente anos mais tarde, eu moço, ele já reformado do pelotão mas não das bicicletas. E então o meu gigante das estradas era aquele homenzinho? Aquilo é que era o colosso de rodas? Era. E fiquei a admirá-lo ainda mais, como quem admira um fazedor de impossíveis.

Em 1976 a AD Fafe resolveu de repente montar de raiz uma equipa de ciclismo e apresentar-se à Volta a Portugal. Não terá sido bem a AD Fafe, mas algumas pessoas ligadas à AD Fafe e amantes das bicicletas, e tudo foi feito em cima do joelho, como convém às grandes empreitadas. Foi-se ao refugo do pelotão nacional e arranjaram-se dois ciclistas e mais dois ou três acompanhantes e desistentes garantidos. Os ciclistas eram o jovem António Alves, que posteriormente brilharia ao serviço do FC Porto, do Coimbrões de mestre Emídio Pinto, se não me engano, e do Boavista, entre outros clubes, e Manuel Martins, fafense de Golães e irmão mais novo do campeão José Martins. Dos outros, infelizmente, não reza a história. Foi-se praticamente à sucata e arranjou-se um velho Mercedes que seria, por assim dizer, recuperado e "preparado" para carro de apoio na garagem do Zé Bastos, ao lado dos antigos Bombeiros. O veículo, que avariava muito bem e parou vezes sem conta nas voltas da Volta, sobretudo quando fazia mais falta aos corredores, era o único acrescento logístico da equipa e seria guiado pelo Fredinho Bastos, condutor experimentadíssimo em corridas mas de automóveis. E foi-se a Pousada de Saramagos, Famalicão, tentar contratar um "treinador".
Uma embaixada fafense deslocou-se à loja-oficina de Carlos Carvalho, que ficava ali à face da estrada nacional, quem depois vira para o campo de futebol do Riopele de má memória pelo menos para nós. Iam talvez o grande Chico Marinho, de quem um dia falarei à parte, o despachado e palavrento Machadinho, que também já era cobrador da AD Fafe, sucedendo na pasta ao Sr. Túbal, desse tenho a certeza, não sei se o Fredinho, o David Alves e o seu irmão Gabriel, eventualmente, e por certo alguém da direcção. O David era uma espécie de consultor para todos os assuntos desportivos em Fafe. E o Gabriel foi ciclista na Coelima. Posso garantir é que eu fazia parte daquela delegação de alto nível, como modesto observador e porque, tratando-se de Fafe, naquele tempo da minha juventude eu ia com toda a gente para todo o lado. Em Fafe, não sei porquê, estive no meio de tudo ou tudo passou por mim. Fui portanto um espectador privilegiado da história da nossa terra naqueles anos imediatamente antes e após o 25 de Abril de 1974. Ou então, também admito estoutro ponto de vista, fui apenas um considerável emplastro, mas quase sempre a convite, é preciso que se note.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Internacional do Ciclista.)

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Sarapintando


Ele era um extraordinário ciclista e não fazia caso à gramática. Dizia que gostava de correr "isolado, sozinho, sem mais ninguém", porque depois, na meta, "cada cal é cada cal e cada um sarapinta como pode". Não fazer caso da gramática fazia parte de ser ciclista antigamente. Ele venceu uma Volta a Portugal e era do meu FC Porto e das minhas memórias. Carlos Carvalho. Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente anos mais tarde, eu moço, ele já reformado do pelotão mas não das bicicletas. E então o meu gigante das estradas era aquele homenzinho? Aquilo é que era o colosso de rodas? Era. E fiquei a admirá-lo ainda mais, como quem admira um fazedor de impossíveis.

Em 1976 a AD Fafe resolveu de repente montar de raiz uma equipa de ciclismo e apresentar-se à Volta a Portugal. Não terá sido bem a AD Fafe, mas algumas pessoas ligadas à AD Fafe e amantes das bicicletas, e tudo foi feito em cima do joelho, como convém às grandes empreitadas. Foi-se ao refugo do pelotão nacional e arranjaram-se dois ciclistas e mais dois ou três acompanhantes e desistentes garantidos. Os ciclistas eram o jovem António Alves, que posteriormente brilharia ao serviço do FC Porto, do Coimbrões de mestre Emídio Pinto, se não me engano, e do Boavista, entre outros clubes, e Manuel Martins, fafense de Golães e irmão mais novo do campeão José Martins. Dos outros, infelizmente, não reza a história. Foi-se praticamente à sucata e arranjou-se um velho Mercedes que seria, por assim dizer, recuperado e "preparado" para carro de apoio na garagem do Zé Bastos, ao lado dos antigos Bombeiros. O veículo, que avariava muito bem e parou vezes sem conta nas voltas da Volta, sobretudo quando fazia mais falta aos corredores, era o único acrescento logístico da equipa e seria guiado pelo Fredinho Bastos, condutor experimentadíssimo em corridas mas de automóveis. E foi-se a Pousada de Saramagos, Famalicão, tentar contratar um "treinador".
Uma embaixada fafense deslocou-se à loja-oficina de Carlos Carvalho, que ficava ali à face da estrada nacional, quem depois vira para o campo de futebol do Riopele de má memória pelo menos para nós. Iam talvez o grande Chico Marinho, de quem um dia falarei à parte, o despachado Machadinho, que também já era cobrador da AD Fafe, desse tenho a certeza, não sei se o Fredinho, o David Alves e o seu irmão Gabriel, eventualmente, e por certo alguém da direcção. Posso garantir é que eu fazia parte dessa delegação de alto nível, como modesto observador e porque, tratando-se de Fafe, naquele tempo da minha juventude eu ia com toda a gente para todo o lado. Em Fafe, não sei porquê, estive no meio de tudo ou tudo passou por mim. Fui portanto um espectador privilegiado da história da nossa terra naqueles anos imediatamente antes e após o 25 de Abril de 1974. Ou então, também admito estoutro ponto de vista, fui apenas um considerável emplastro, mas quase sempre a convite, é preciso que se note.

P.S. - A Volta a Portugal chega hoje, mais uma vez, a Fafe. Ontem foi em Paredes. E é curioso, lembro-me agora: naquele ano de 1976, por causa da nossa equipa, fomos ver a chegada precisamente a Paredes, no dia 21 de Agosto, o David, o Gabriel, creio que também o campeão José Martins e eu, evidentemente na pendura.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

O sarapintador

Era um extraordinário ciclista e não fazia caso à gramática. Dizia que gostava de correr "isolado, sozinho, sem mais ninguém", porque depois, na meta, "cada cal é cada cal e cada um sarapinta como pode". Venceu uma Volta a Portugal e era do meu FC Porto e das minhas memórias. Carlos Carvalho. Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente anos mais tarde, eu moço, ele já reformado do pelotão mas não das bicicletas. E então o meu gigante das estradas era aquele homenzinho? Aquilo é que era o colosso de rodas? Era. E fiquei a admirá-lo ainda mais, como quem admira um fazedor de impossíveis.

P.S. - Hoje é Dia Mundial do Ciclista.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

A arte do sarapint

Era um extraordinário ciclista e não fazia caso à gramática. Dizia que gostava de correr "isolado, sozinho, sem mais ninguém", porque depois, na meta, "cada cal é cada cal e cada um sarapinta como pode". Venceu uma Volta a Portugal e era do meu FC Porto e das minhas memórias. Carlos Carvalho. Tive o privilégio de conhecê-lo anos mais tarde, eu moço, ele já reformado do pelotão mas não das bicicletas. E então o meu gigante das estradas era aquele homenzinho? Aquilo é que era o colosso de rodas? Era. E fiquei a admirá-lo ainda mais, como quem admira um deus de impossíveis. 

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Vai uma voltinha?...

Volta a Portugal em bicicleta
- Volta a Portugal em bicicleta! - recomendaram-lhe de casa. E ele voltou. Estava sem gasolina no carro e sem dinheiro no cartão e na carteira. Em Tui. Foi um tirinho...

A arte do sarapint
Era um extraordinário ciclista e não fazia caso à gramática. Dizia que gostava de correr "isolado, sozinho, sem mais ninguém", porque depois, na meta, "cada cal é cada cal e cada um sarapinta como pode". Venceu uma Volta a Portugal e era do meu FC Porto e das minhas memórias. Carlos Carvalho. Tive o privilégio de conhecê-lo anos mais tarde, eu moço, ele já reformado do pelotão mas não das bicicletas. E então o meu gigante das estradas era aquele homenzinho? Aquilo é que era o colosso de rodas? Era. E fiquei a admirá-lo ainda mais, como quem admira um deus de impossíveis.

Golo de bicicleta
Que extraordinário golo de bicicleta! Um golo estratosférico, sensacional, fabuloso, espectacular, fenomenal, incrível, magnífico, maravilhoso, brutal - consoante os comentadores. Mas não valeu. "Futebol é uma coisa e ciclismo é outra" , explicou o árbitro, sinaleticamente falando, e nem precisou do VAR. 

O Grosso da Coluna e o Maciço Central
A diferença entre o Grosso da Coluna e o Maciço Central pode resumir-se-se assim: o primeiro é corredor de bicicletas e o segundo joga no eixo da defesa, como agora se diz. E o que têm em comum? Fisicamente falando, pertencem ambos à família dos Armários. 

Espírito de contradição
Ao contrário de todos os outros ciclistas, ele gostava de correr da frente para trás. Provocava muita confusão e inúmeros acidentes, realmente, mas, lá está, cada um é como cada qual.

O primeiro pódio
Era a primeira vez que subia ao pódio. Chegou-se ao microfone e disse, pigarreando, "Chape, chape, um, dois; um, dois, três; um, dois, três, quatro, experiência". Que pena ser num comício...

Mal comparando
A lampreia é um ciclóstomo. O Amaro Antunes é um ciclístomo.

O Velho Lau e o Lausperene
Que fique assente de uma vez por todas: o Velho Lau e o Lausperene não são uma única e mesma pessoa, como muito boa gente cuida, e, aliás, Lausperene nem sequer é pessoa. O Lausperene, ou Sagrado Lausperene, é a exposição e adoração permanente do Santíssimo Sacramento nas igrejas ou capelas. O Velho Lau é Venceslau Fernandes, ex-ciclista realmente de longeva carreira e pai da triatleta Vanessa Fernandes, Velho porque ganhou a Volta a Portugal de 1984, tinha então 39 anos, e correu até aos 46, derivando talvez daí a compreensível confusão...

As despesas da corrida
Fez todas as despesas da corrida. Quando no fim lhe apresentaram a conta, ia morrendo do coração...

A volta ao quarteirão
Por mais voltas que desse ao quarteirão, eram sempre vinte e cinco, e não saía dali.

O ciclista isolado
Era um ciclista que se isolava com frequência. E também com fita preta Advance desde 1,44 sem IVA.

O fugitivo
Era um atacador nato, o primeiro a arrancar e a assumir a liderança de todas as etapas em que participava, apenas uma por prova. Na meta, 170 km depois, tinha desistido 169 km antes. 

O escalador
Corre na Volta a Portugal e os expertos dizem que é um grande escalador. Mas a verdade é esta: passaram-lhe para as mãos um robalo e ele nada, entregaram-lhe um rodovalho e ele nicles, deram-lhe até um chicharro e ele sem saber que volta dar-lhe. A montanha parira um rato. Ele, disse ele, afinal era mais douradinhos da Iglo...