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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Olá, boneca!

Ah!, o amor...
Jovem par de namorados. Abraçam-se, beijam-se, apalpam-se efusivamente nas intimidades, parece-me até que copulam. Sim, copulam. E vão consultando os respectivos telemóveis.

Factos reais como punhos. Manhã de sábado, A28, direcção Matosinhos-Viana do Castelo, um pouco antes da saída para Vila do Conde, por onde costumo atalhar para Fafe. À minha frente segue uma velha carrinha Renault 4L, de um cor-de-rosa altamente suspeito e vagaroso. Aproximo-me, com o fastio próprio dos condutores domingueiros que já não têm paciência para os condutores domingueiros, mas arrebita-se-me a atenção quando, mesmo em cima dela, leio os dizeres da viatura. São uns dizeres sugestivos e muitos, reclames açucarados a um loja de prazeres - sex-shop, como se diz e escreve em português moderno.
E vejo finalmente os ocupantes, ainda por trás: é o do volante e, ao lado, uma louraça de fazer parar o trânsito. Mas eu avanço. Avanço cuidadosamente para a ultrapassagem, olho para o condutor e o condutor sorri malandro. E eu continuo a olhar e o condutor continua a sorrir. Atenção: eu posso olhar e continuar a olhar, porque eu não conduzo, não sei conduzir, nem sequer tenho carta. Vou de pendura. Brincalhão, o condutor. A rapariga não sorri, não me liga nenhuma, segue impávida e serena, olha sempre em frente, tomando talvez sentido à estrada, ainda mais loura do que há bocado e, reparo agora, tem uns lábios vermelhos e escarrapachados, desafiadores.
A minha mulher desliga o pisca e então é que se me faz luz. A indivídua da catrel é uma boneca. Uma boneca mesmo, de plástico, com pipo, uma boneca insuflável, de carregar pela boca. O condutor olha para mim e sorri cada vez mais, no gozo, satisfeitíssimo, completo, não sei onde é que a moça levava as mãos.

P.S. - Versão revista e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Internacional do Fetiche.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

domingo, 8 de dezembro de 2024

A orgia e o seu princípio

No meio da confusão, alguém disse: temos de ser uns para os outros. Ou talvez: faz ao teu próximo o que gostarias que te fizessem a ti. E assim começou a orgia.

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Orgulho Pansexual.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Ah!, o amor...

Jovem par de namorados. Abraçam-se, beijam-se, apalpam-se efusivamente nas intimidades, parece-me até que copulam. Sim, copulam. E vão consultando os respectivos telemóveis.

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Fetiche.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Amai-vos uns aos outros (mas devagarinho)

Padecia de um tipo particularmente violento de paronímia. Amiúde confundia bondade com bondage - o que, convenhamos, é deveras inconveniente.

Miss Universo

Miss Universo desejou paz mundial, amor e pão para todas as crianças. Franquelim desejou Miss Universo.

A brincar, a brincar...

Factos reais como punhos. Manhã de sábado, A28, direcção Matosinhos-Viana do Castelo, um pouco antes da saída para Vila do Conde. À minha frente segue uma velha carrinha Renault 4L, de um cor-de-rosa altamente suspeito e vagaroso. Aproximo-me, com o fastio próprio dos condutores domingueiros que já não têm paciência para os condutores domingueiros, mas arrebita-se-me a atenção quando, mesmo em cima dela, leio os dizeres da viatura. São uns dizeres sugestivos e muitos, reclames açucarados a um loja de prazeres - sex-shop em português.
E vejo finalmente os ocupantes, ainda por trás: é o do volante e, ao lado, uma louraça da fazer parar o trânsito. Mas eu avanço. Avanço cuidadosamente para a ultrapassagem, olho para o gajo e o gajo sorri malandro. E eu continuo a olhar (eu posso olhar e continuar a olhar, porque eu não conduzo, não sei conduzir, nem sequer tenho carta) e o gajo continua a sorrir. Brincalhão! A gaja não sorri, não me liga nenhuma, olha sempre em frente, tomando sentido à estrada, ainda mais loura do que há bocado e, reparo agora, tem uns lábios vermelhos e escarrapachados.
A minha mulher desliga o pisca e então é que se me faz luz. A gaja da catrel é uma boneca. Uma boneca mesmo, de plástico, uma boneca insuflável, de carregar pela boca. O gajo olha para mim e sorri cada vez mais, está a gostar. Malandro! Não sei onde é que a gaja tem a mão.

P.S. - Publicado originalmente no dia 12 de Dezembro de 2012.

E foi lavar-se...

A velha prostituta, muito limpa e organizada, consultou a agenda praticamente vazia e leu baixinho, soletrando, acariciando as sílabas uma a uma: - O bombeiro às onze, o taxista ao meio-dia, o do talho às três da tarde e o pelintra que exige que lhe chame engenheiro e aprecia umas boas chibatadas logo após a merenda. Desarriscou-os um a um, meticulosamente, com gosto, a começar pelo engenheiro da mula ruça, e disse sorrindo, como se alguém a ouvisse e visse: - Vou tirar o dia para mim, só para mim!
E foi lavar-se.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Malandrices...

A catrel cor-de-rosa
Factos reais como punhos. Manhã de sábado, A28, direcção Matosinhos-Viana do Castelo, um pouco antes da saída para Vila do Conde. À minha frente segue uma velha carrinha Renault 4L, de um cor-de-rosa altamente suspeito e vagaroso. Aproximo-me, com o fastio próprio dos condutores domingueiros que já não têm paciência para os condutores domingueiros, mas arrebita-se-me a atenção quando, mesmo em cima dela, leio os dizeres da viatura. São uns dizeres sugestivos e muitos, reclames açucarados a um loja de prazeres - sex-shop em português.
E vejo finalmente os ocupantes, ainda por trás: é o do volante e, ao lado, uma louraça da fazer parar o trânsito. Mas eu avanço. Avanço cuidadosamente para a ultrapassagem, olho para o gajo e o gajo sorri malandro. E eu continuo a olhar (eu posso olhar e continuar a olhar, porque eu não conduzo, não sei conduzir, nem sequer tenho carta) e o gajo continua a sorrir. Malandro. A gaja não sorri, não me liga nenhuma, olha sempre em frente, tomando sentido à estrada, ainda mais loura do que há bocado e, reparo agora, tem uns lábios vermelhos e escarrapachados.
A minha mulher desliga o pisca e então é que se me faz luz. A gaja da catrel é uma boneca. Uma boneca mesmo, de plástico, uma boneca insuflável, de carregar pela boca. O gajo olha para mim e sorri cada vez mais, está a gostar da coisa. Malandro. Não sei onde é que a gaja tem a mão.

O dia dela, enfim
A velha prostituta, muito limpa e organizada, consultou a agenda praticamente vazia e leu baixinho, soletrando, acariciando as sílabas uma a uma: - O bombeiro às onze, o taxista ao meio-dia, o do talho às três da tarde e o que exige que lhe chame engenheiro e aprecia umas boas chibatadas logo após a merenda. Desarriscou-os um a um, meticulosamente, com gosto, a começar pelo engenheiro da mula ruça, e disse sorrindo, como se alguém a ouvisse e visse: - Vou tirar o dia para mim, só para mim!
E foi lavar-se.

O roto ao nu
Diz o roto ao nu: - Excitas-me, pá!... 

P.S. - Ontem, terceiro sábado do mês de Janeiro, foi Dia Internacional do Fetiche.