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terça-feira, 21 de outubro de 2025

O autógrafo do Tino

Foto Tarrenego!

O Tino, o imprescindível Tino, estava de partida para a "Quinta das Celebridades" da TVI com a missão mais que encomendada de fazer figura de urso, isto lá pelo ano de 2005, se não estou em erro. O meu jornal, que só tratava de assuntos assim importantes, mandou-me a Rans cobrir a festa de despedida do herói local, que meteu comes e bebes, família, vizinhos, amigos, os dois penetras do 24horas, muitos abraços e algumas lágrimas. Um exclusivo à moda antiga. O Tino, que é um cromo mas não é tolo, teve a gentileza de oferecer-me o seu livro "De Palanque em Palanque", inesperadamente prefaciado por D. Manuel Martins, e acrescentou-lhe uma profética dedicatória, sarrabiscada mesmo antes de entrar para o carro rumo à capital. Escreveu: "Hernâni, espero-te quando sair da Quinta em ombros. Rans sairá em ombros também." E assinou: "Tino de Rans".
Eu não sei se o Tino saiu em ombros, decerto não, mas sei que não fez figura de urso enquanto esteve na Quinta. Fez com que outros fizessem por ele, e já não foi pouco. Repito: o Tino não é lerdo, apenas se esforça por parecer. E goza o prato...
De resto, para mim, o Tino de Rans é praticamente presidente da república. Por isso guardo com tanta vaidade o livro e o autógrafo com que ele me agraciou.

P.S. - O Tino voltou às notícias, conforme tanto gosta. Diz que vai ser outra vez candidato à Presidência da República, e faz ele muito bem.

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Grande momento de televisão

Uma vez à noite, na TVI, Janeiro de 2012, como se fosse ontem. Marcelo Rebelo de Sousa pregava aos peixes, na sua habitual homilia dominical. Ele era ainda apenas comentador ou, vá lá, pitoniso oficial do regime. Falava da troika e de Cavaco Silva, que lhe estava a aquecer o lugar, de Pedro Passos Coelho e de António José Seguro, da UGT e da CGTP, da Grécia e da Alemanha, do Benfica e do Sporting, de carecas e de cabeludos, da fome e da fartura, de tudo e de nada. O costume. Como hoje em dia. De repente, lá atrás no cenário da redacção vazia, passa a dona Alice das limpezas, de aspirador pela trela, logo seguida pela dona Amélia, com um caixote de lixo na mão, e da dona Matilde, que não resiste e acaricia com o pano do pó o tampo de uma das mesas de trabalho por assim dizer. Grande momento de televisão! Esqueci-me da arenga do Professor (na verdade os seus comentários nunca me interessaram realmente), e concentrei-me no desfile em fundo. Fiquei cliente do programa de variedades, mas infelizmente elas nunca mais apareceram...

P.S. - Hoje é Dia Mundial da Televisão.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

É para a televisão?... 5

Foto Hernâni Von Doellinger

Abandonei a varanda, meti-me no elevador, saí à rua, a minha, aproximei-me e perguntei, educadamente: - Faz favor, é para a TVI?...
O senhor da câmara e walkie-talkie na mão mediu-me de cima a baixo, tomou nota e respondeu-me, igualmente polido: - Não, meu caro senhor, isto é para... olhe... é preciso ser muito estúpido...
E eu: - Ah!, é para a CMTV...

P.S. - Podia ter acontecido...

terça-feira, 12 de setembro de 2017

É para a televisão?... 4

Foto Hernâni Von Doellinger

Aproximei-me e perguntei, educadamente: - Faz favor, é para a TVI?...
O senhor da câmara e bloco de apontamentos mediu-me de cima a baixo, tomou nota e respondeu-me, igualmente polido: - Não, meu caro senhor, isto é para... olhe... é preciso ser muito estúpido...
E eu: - Ah!, é para a CMTV...

domingo, 29 de novembro de 2015

A Quinta da TVI

Andava convencidíssimo de que A Quinta seria um programa de informação da TVI, tipo debate, comentário ou entrevista, transmitido à quinta-feira na ex-televisão da Igreja. Ontem explicaram-me que não, que o programa é outra coisa. Uma coisa. Sou mesmo um nabo.

                                                                                        Foto Hernâni Von Doellinger

terça-feira, 15 de julho de 2014

Face Oculta com Rostos

O livro "Face Oculta com Rostos", do jornalista Joaquim Gomes, chega às bancas no próximo dia 25 de Julho. A obra - a primeira versando o Caso Face Oculta, incluindo o julgamento em Aveiro, que será sentenciado a 5 de Setembro - tem prefácio de Manuela Moura Guedes, assistente no processo.
De acordo com o seu autor, "o livro sistematiza os vários processos judiciais do Caso Face Oculta, em especial os dossiês José Sócrates/Figo e TVI/PT, operação financeira que seria suportada pelo BES-Investimento e com recurso a fundos localizados em Londres". São publicadas "dezenas de fotografias dos intervenientes no caso - suspeitos, arguidos, testemunhas, assistentes, magistrados, funcionários, advogados -, indicando-se, de uma forma enquadrada, quem são as centenas de pessoas e empresas que intervieram no processo". "Face Oculta com Rostos" conta ainda, "em pormenor, todas as incidências do longo julgamento do processo principal realizado no Palácio da Justiça de Aveiro".

domingo, 30 de junho de 2013

O beijo de narciso no sinal-da-cruz

Comendador Santos da Cunha

Quem viu o Sporting-Braga na TVI deve ter reparado: depois de apitar para dar início ao jogo, o árbitro Marco Ferreira benzeu-se. Fez o sinal-da-cruz, versão resumida, "Em nome do Pai", mão direita na testa, "do Filho", mão no peito ou barriga, "e do Espírito", mão no ombro esquerdo, "Santo. Amém", mão no ombro direito. Tudo mais ou menos como manda a Santa Madre Igreja. Mas depois acrescentou-lhe o beijinho na mão propriamente dita, em seu nome pessoal, numa espécie de auto-adoração canonicamente desautorizada, para não lhe chamar outra coisa. Coisa feia.
São os árbitros, são os jogadores, são os treinadores. Não passam sem a chupadelazinha no dedo, que - perdoem-me que lhes diga - vale tanto no Céu como a entrada em campo com o pé direito. Deus está realmente à coca, mas vê pouco futebol e também é Pai do pé esquerdo.
E não é só no futebol. Nas nossas igrejas, com cada vez menos fregueses, esta entorse litúrgica vem passando de geração em geração e os fiéis de hoje até acreditam que foi sempre assim, que é assim. Mas não é: o beijo em mão própria está a mais, não faz parte do sinal-da-cruz.
Eu acho que sei como é que isto tudo começou. No tempo em que a missa era em latim e o povo, que já se via à rasca para perceber o português, aproveitava para ir rezando terços atrás de terços enquanto o padre, de costas voltadas para o mundo, se ocupava naqueles Dominus vobiscum que eram lá um assunto entre ele e o pobre do sacristão, que ajudava o melhor que sabia sem saber muito bem a quê.
Parece que ainda ouço. (As igrejas ecoam, sabiam?) O terço era sonoramente ciciado por mulheres enfiadas em bigodes e lenços pretos, bzzz, bzzz, bzzz, num cochicho ao despique remetido directamente a Nosso Senhor, embora devesse levar Nossa Senhora no endereço. O comendador Santos da Cunha, que era governador civil de Braga e ia a Fafe aos casamentos e funerais dos ricos do regime, também fazia bzzz, bzzz, bzzz, mas com voz de trombone, de terço na mão ostensiva, durante a missa inteira, e já ela era praticamente toda em português. E se o senhor comendador fazia e fazia que se soubesse é porque era a Bem da Nação - naquele tempo não havia dúvidas a esse respeito.
Ora bem. No fim da reza, e independentemente do que o padre estivesse a fazer lá à frente e do ponto em que a missa fosse, as pessoas benziam-se e beijavam respeitosamente o crucifixo do terço, que levavam aos lábios entre o dedo polegar e o indicador. Beijavam a cruz, não a mão, fiz-me explicar? Mas estão a ver a confusão que dali saiu? E por falar em Braga: narcisismos, só se meterem bacalhau, está bem?

(Ando a descobrir umas fotos, e a cortá-las e a puxá-las para que me sirvam - defeito que trago do velho ofício. São documentos interessantes e vão dar-me pano para mangas. António Maria Santos da Cunha (1911-1972) foi presidente da Câmara de Braga durante 12 anos, governador civil do distrito e deputado à Assembleia Nacional. Ia muito a Fafe e era amigo do Mendes Ribeiro da Fábrica do Ferro e de outros figurões locais. Santos da Cunha tem um monumento na Cidade dos Arcebispos, mas não tem retratos no Google. Encontrei um e acrescento este, cuja estreiteza não faz justiça à largura do homem. A fotografia de onde o recortei foi feita em Fafe. E o texto ali em acima foi escrito e publicado, originalmente, no dia 13 de Maio de 2012.)

sábado, 4 de maio de 2013

Conselho de Estado, disse Marques Mendes

Luís Marques Mendes anunciou a convocação do Conselho de Estado. Foi esta noite, na SIC, "em primeira mão". Amanhã, Marcelo Rebelo de Sousa anuncia na TVI os saldos da Zara, em segunda mão, e Cavaco Silva, como já tem o trabalho adiantado, vai fazer uma espera ao Sócrates à saída da RTP. Portugal é o que dá na televisão e o Luisinho é o nosso presidente.

segunda-feira, 18 de março de 2013

De astrólogo para astrólogo

Marcelo Rebelo de Sousa disse na televisão que o incompetente Vítor Gaspar "parece um astrólogo". Marcelo sabe do que fala. E estará porventura incomodado com a concorrência.

domingo, 10 de março de 2013

Cavaco, herbívoro e ruminante

Cavaco Silva "é herbívoro", disse Marcelo na televisão. Com efeito. Cavaco é herbívoro e ruminante, está provado nos prefácios. É isso e muito mais. Só não é Presidente da República.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Júlio Magalhães, radical em doca seca

Foto Hernâni Von Doellinger

Posso garantir que a seguir meteu água. E ainda lá está. Mas isso parece-me que será para "ler", dentro de dias, numa dessas revistas cor-de-rosa. Grande Juca - sempre disponível.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sentido de oportunidade

O Governo anunciou que vai criar cursos mais curtos nos institutos politécnico. Nenhum dos cursos deverá ultrapassar o quarto de hora.
Relacionado: Miguel Relvas foi convidado para encerrar uma conferência sobre o futuro do jornalismo. O ministro das ameaças aos jornalistas do Público e da liquidação da RTP era o convidado da TVI. O evento decorria no ISCTE, em Lisboa. Claro, a vedeta só podia ser um professor doutor com provas dadas - o Relvas. Mas não o deixaram falar. Um desperdício de sapiência e experiência académica.

sábado, 6 de outubro de 2012

Eu quero uma república das bananas. E do pão.

A questão foi pertinentemente colocada numa reportagem da TVI24. Que República queremos ter? Se me perguntassem a mim - mas a mim só me perguntam o caminho para o IKEA -, eu tinha a resposta na ponta da língua: quero uma república das bananas. E das maçãs e dos pêssegos, do pão e do carapau, do frango de aviário e do leite, da massa de cotovelo e da água. Uma república republicana, com comida na mesa, até na mesa dos trabalhadores. E com trabalho para os trabalhadores. E com gente séria no Governo. E com um presidente que seja da República e deste mundo.
É decerto por ter estas ideias malucas que ninguém me pergunta nada, a não ser o caminho para o IKEA. Só os galegos é que querem saber a minha opinião.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Pessoas de pele e osso

"Uma coisa é dar aulas e ter modelos académicos, outra é governar pessoas de carne e osso", disse Marcelo Rebelo de Sousa, comentando as últimas tropelias do alegado primeiro-ministro, dos ministros e do paraministro António Borges. O Professor Marcelo queria dizer: pessoas de pele e osso. De pele e osso.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Marques Mendes está lançado, tem 48 por cento

Luís Marques Mendes tem mais que fazer, mas em Fafe há uma vaga de fundo para que seja ele o candidato do PSD à Câmara Municipal nas eleições do próximo ano. Uma poderosa vaga de fundo, bem expressa nos resultados de uma "sondagem" do blogue Jornal de Fafe, que ontem mesmo divulgou os números indesmentíveis.
A pergunta para os "e-votantes" era: "Qual destes militantes do PSD é o melhor candidato à presidência da Câmara Municipal de Fafe?", e seguiam-se seis-nomes-seis, e o do Luisinho por acaso até era o último. Mas querem saber a melhor? O ex-líder social-democrata, advogado, administrador de empresas, conselheiro de Estado, escritor, lobista, comentador da TVI e etc. deu uma abada: foi "o candidato mais votado", com 48 por cento dos votos, exactamente o dobro do segundo classificado. Imaginem a capilota: 48 (quarenta e oito) contra 24 (vinte e quatro). Praticamente capote, não é?
Concretizando: Marques Mendes, "o escolhido", abarbatou 12 votos (doze votos) e o outro recebeu a esmola de apenas seis (6 votos). Com efeito, a "sondagem" teve a participação de... 25 votantes (vinte e cinco votantes). Duas equipas de futebol sem suplentes e três polícias.
Nada que desmoralize o blogue Jornal de Fafe, e só lhe dou valor. "A sondagem não fora expressiva a avaliar pelo número de votos", assinala o prezado colega, sem rebuço nem gramática, mas os resultados lá estão, verdades como punhos. Como setas. "A procissão ainda vai no adro, mas talvez seja uma indicação à qual os laranjas não devem ficar indiferentes", complementa o analista, fechando a prosa com chave de ouro. Isto é ciência política, isto é sabedoria. Uma vaga de fundo é isto. E Marques Mendes não pode dizer não aos seus 12 primos. Ou terá sido sempre o mesmo?

domingo, 16 de setembro de 2012

Marcelo Rebelo de Sousa, o venenoso

"Portas entalou o primeiro-ministro. Mas Passos Coelho que não pense que vai entalar Paulo Portas. Eles estão condenados a viver abraçados um ao outro". Disse Marcelo na TVI. E desta vez é capaz de ter razão. Pois se o PSD até vai reunir os órgãos...

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Aguiar-Tinto

Imagem TVI

O advogado António Vilar foi detido e identificado, no Porto, após fotografar um carro que anda ao serviço do ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco. A notícia é da TVI, replicada pelo jornal Público.
O carro era um Alfa Romeo preto da PSP, descaracterizado, e estacionava no sítio do costume, em cima do passeio da rua do escritório de advocacia de Aguiar-Branco, onde o governante vai despachar assuntos particulares às segundas e sextas-feiras. Às terças, quartas e quintas, o advogado-ministro dá lições de moral ao País. Está tudo bêbado, não está?

domingo, 9 de setembro de 2012

O problema não é a explicação. É a governação.

Foto Hernâni Von Doellinger

Dois dias depois e sem jogo da Selecção, Marcelo Rebelo de Sousa fez hoje na TVI a segunda parte do discurso de Pedro Passos Coelho. Visivelmente encaralhado, o Professor acertou em tudo menos no essencial (como de costume). Marcelo diz que a coisa correu mal, na sexta, porque o primeiro-ministro não soube explicar. Mas não. As coisas correm-nos mal todos os dias porque o primeiro-ministro não sabe governar. E porque o alegado líder da oposição é um tó-zé. Um tó-zequinha.