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terça-feira, 21 de outubro de 2025

O autógrafo do Tino

Foto Tarrenego!

O Tino, o imprescindível Tino, estava de partida para a "Quinta das Celebridades" da TVI com a missão mais que encomendada de fazer figura de urso, isto lá pelo ano de 2005, se não estou em erro. O meu jornal, que só tratava de assuntos assim importantes, mandou-me a Rans cobrir a festa de despedida do herói local, que meteu comes e bebes, família, vizinhos, amigos, os dois penetras do 24horas, muitos abraços e algumas lágrimas. Um exclusivo à moda antiga. O Tino, que é um cromo mas não é tolo, teve a gentileza de oferecer-me o seu livro "De Palanque em Palanque", inesperadamente prefaciado por D. Manuel Martins, e acrescentou-lhe uma profética dedicatória, sarrabiscada mesmo antes de entrar para o carro rumo à capital. Escreveu: "Hernâni, espero-te quando sair da Quinta em ombros. Rans sairá em ombros também." E assinou: "Tino de Rans".
Eu não sei se o Tino saiu em ombros, decerto não, mas sei que não fez figura de urso enquanto esteve na Quinta. Fez com que outros fizessem por ele, e já não foi pouco. Repito: o Tino não é lerdo, apenas se esforça por parecer. E goza o prato...
De resto, para mim, o Tino de Rans é praticamente presidente da república. Por isso guardo com tanta vaidade o livro e o autógrafo com que ele me agraciou.

P.S. - O Tino voltou às notícias, conforme tanto gosta. Diz que vai ser outra vez candidato à Presidência da República, e faz ele muito bem.

domingo, 14 de agosto de 2011

O adiantado mental no país do atraso de vida

De volta aos peneirentos, um nome a fixar: Pedro Boucherie Mendes. Ouvi-o ontem, sem querer, na Antena 3, o canal humorístico da rádio nacional. E, indo directo ao assunto, o que o cavalheiro afirma, sem falsas modéstias, é que é bom, muito bom, e que ser assim tão bom não lhe custa absolutamente nada, já nasceu com ele. É uma cruz bem leve a que ele carrega, a cruz da excelência.
Boucherie diz e repete que não tem culpa nem se esforça, mas é bom em tudo o que faz e tudo o que faz é bem feito. E revela até, benzendo-se três vezes com água-benta, que está muito feliz por continuar a ser bom - uma vez que não consegue ser de outra maneira -, "mas cada vez pior", nas suas sábias e exactas palavras.
E "cada vez pior" porquê? Porque (explica Boucherie, fazendo o desenho, para que nós cá em baixo percebamos) lhe basta investir 40 a 50 por cento de si próprio para, mesmo assim, estar muito acima de todos os que o rodeiam. Num país "que se nivela por baixo", como assertivamente faz notar, os seus 70 por cento seriam para rebentar com a escala. Portugal não aguentaria. É a tal história do zarolho em terra de cegos...
Mal cheguei a casa, fui logo à procura deste genial Boucherie. Procurei a vacina que ele inventou, e nada. Procurei a cura que ele descobriu, e nada. Procurei a obra de arte que o imortalizou, e nada. Procurei a colónia de leprosos que fundou, e nada. Procurei o cometa que baptizou, e nada. Procurei o tal golo de calcanhar na final do Mundial, e nada. Procurei a sua doutrina económica, e nada. Procurei o seu pensamento filosófico, e nada. Procurei o seu pensamento, e nada. Procurei o Nobel, procurei o Pulitzer, procurei o Óscar, procurei o Acúrsio, e nada, nada, nada, nada. Nada.
O que encontrei foi isto: que Pedro Boucherie Mendes nasceu em 1970 e é o actual director coordenador de conteúdos dos canais temáticos SIC e director-geral da SIC Radical; que foi director da revista FHM, subdirector da revista Maxmen e editor no jornal O Independente; que criticou música e passou pela rádio, participando agora semanalmente no programa "Pedro e Inês", da Antena 3 (cá está); que participou no programa "Prazeres dos Diabos", da SIC; que foi jurado do programa "Ídolos", da SIC, e que terá ficado conhecido pela ironia e pelo sarcasmo dos seus comentários e pela forma como se dirigia aos concorrentes; e que escreveu um livro.
E, perante isto, lembrei-me do mais famoso calceteiro do País. Um português também muito acima e com um currículo mediático-artístico-literário a pedir meças ao de Boucherie, se descontarmos a insignificância dos cargos de direcção. Exactamente: lembrei-me do bom Tino de Rans.