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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Revisãozinha constitucional

De acordo com a constituição, o mais alto magistrado da nação deve medir para cima de 1,73 m, considerada a altura média dos portugueses homens. Se o mais alto magistrado da nação for por acaso uma magistrada, então basta medir para cima de 1,62 m, considerada a altura média das portuguesas mulheres. Luís Marques Mendes, que é homem do sexo masculino, mede 1,61 m calçado e, há quem diga e eu desejo que sim, aspira à presidência da república, defende, a este propósito, uma revisão constitucional. Uma revisãozinha, vá lá. Coisa de doze ou treze centímetros...

sábado, 4 de maio de 2013

Conselho de Estado, disse Marques Mendes

Luís Marques Mendes anunciou a convocação do Conselho de Estado. Foi esta noite, na SIC, "em primeira mão". Amanhã, Marcelo Rebelo de Sousa anuncia na TVI os saldos da Zara, em segunda mão, e Cavaco Silva, como já tem o trabalho adiantado, vai fazer uma espera ao Sócrates à saída da RTP. Portugal é o que dá na televisão e o Luisinho é o nosso presidente.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Marques Mendes está lançado, tem 48 por cento

Luís Marques Mendes tem mais que fazer, mas em Fafe há uma vaga de fundo para que seja ele o candidato do PSD à Câmara Municipal nas eleições do próximo ano. Uma poderosa vaga de fundo, bem expressa nos resultados de uma "sondagem" do blogue Jornal de Fafe, que ontem mesmo divulgou os números indesmentíveis.
A pergunta para os "e-votantes" era: "Qual destes militantes do PSD é o melhor candidato à presidência da Câmara Municipal de Fafe?", e seguiam-se seis-nomes-seis, e o do Luisinho por acaso até era o último. Mas querem saber a melhor? O ex-líder social-democrata, advogado, administrador de empresas, conselheiro de Estado, escritor, lobista, comentador da TVI e etc. deu uma abada: foi "o candidato mais votado", com 48 por cento dos votos, exactamente o dobro do segundo classificado. Imaginem a capilota: 48 (quarenta e oito) contra 24 (vinte e quatro). Praticamente capote, não é?
Concretizando: Marques Mendes, "o escolhido", abarbatou 12 votos (doze votos) e o outro recebeu a esmola de apenas seis (6 votos). Com efeito, a "sondagem" teve a participação de... 25 votantes (vinte e cinco votantes). Duas equipas de futebol sem suplentes e três polícias.
Nada que desmoralize o blogue Jornal de Fafe, e só lhe dou valor. "A sondagem não fora expressiva a avaliar pelo número de votos", assinala o prezado colega, sem rebuço nem gramática, mas os resultados lá estão, verdades como punhos. Como setas. "A procissão ainda vai no adro, mas talvez seja uma indicação à qual os laranjas não devem ficar indiferentes", complementa o analista, fechando a prosa com chave de ouro. Isto é ciência política, isto é sabedoria. Uma vaga de fundo é isto. E Marques Mendes não pode dizer não aos seus 12 primos. Ou terá sido sempre o mesmo?

domingo, 1 de abril de 2012

Conversa absolutamente improvável

A não perder, logo no Jornal da Noite da SIC, a Conversa Improvável mais improvável de todos os tempos. "Programa junta mundos da política e do futebol, [a vírgula é minha] com Marques Mendes e Rui Santos", promete a estação de Carnaxide. Um feito! Nunca tal foi visto nesta galáxia, o mundo da política a dar confiança ao mundo do futebol, ou vice-versa. Sobretudo estou em pulgas para saber o que é que o da política, o Marques Mendes, tem a dizer sobre o futebol, uma ciência que lhe é absolutamente estranha.
Marques Mendes, que foi guarda-redes, até ao juniores, da equipa da nossa terra (era razoável nos remates rasteirinhos), que foi presidente da Assembleia Geral do clube, de 1984 a 1992, que ia todos os domingos ao estádio e que uma vez até ia levando uma coça em Famalicão exactamente por causa das manigâncias da bola, acumulava ele então o cargo de secretário de Estado do primeiro-ministro Cavaco Silva. Marques Mendes, assumido e reconhecido benfiquista dos sete costados, adepto eventual do SC Braga se for contra o FC Porto, e que ainda no outro dia foi de propósito a Espanha ver o Real Madrid-Barcelona, com Marcelo Rebelo de Sousa e Eduardo Barroso, outros dois que também são de outros mundos.
Portanto: Marques Mendes e futebol são completamente improváveis. A SIC tem razão. Como sempre.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Calçado de polimento, fraque e luvas

Fafe teve um anão que esteve quase a ir para Lisboa e ser famoso. (E vamos deixar o Luís Marques Mendes em paz, está bem?) Foi lá por meados do século passado, mas só ontem é que eu soube da história, através do blogue Falaf - Revista Cultural de Fafe. O homem chamava-se José Nogueira, era natural da freguesia de Golães e teve direito a retrato na edição de 1947 do Almanaque Ilustrado da terra, agora desempoeirada.
Num artigo muito à época, com o desajeitado título de "Um exemplar raro", o Almanaque falava do "petiz de 59 anos" que passou ao lado de uma grande carreira derivado a dois pormenores que hoje não teriam importância nenhuma: a ignorância e o calçado. O anão de Fafe, que "nos seus tempos fazia serenatas, mas não casou", nasceu lamentavelmente com pelo menos 80 anos de avanço. Fosse ele dos dias de hoje e ninguém sabe se não estaria em São Bento ou Belém.
Porque faltou muito pouco para que o nosso José Nogueira se tivesse transformado numa espécie de atracção de feira a nível nacional, numa celebridade, e é preciso que se note que na altura não havia reality shows nem TVI. Aquilo era mesmo o máximo, era sucesso garantido. E o Paulo Portas também foi pelas feiras que começou.
Segundo rezava o Almanaque, o ilustre fafense José Pinto Bastos "andou para levar" o nosso anão "ao grande Coliseu dos Recreios de Lisboa, pelo que teve entendimentos com o benemérito Empresário Ricardo Covões". A coisa só não foi avante por José Nogueira, tornando ao Almanaque, "ser analfabeto e estar afeito a usar socos e, lá, precisar de usar calçado de polimento, fraque e luvas". Os socos... Os socos é que o lixaram. O analfabetismo foi desculpa, é o que eu acho.
Portanto, cá está: desconheço se Cavaco Silva deixou os tamancos em Boliqueime ou se a jovem reformada Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República, trocou de chinelas antes de abalar de Valpaços. Ignoro se o PGR Pinto Monteiro escondeu os socos em Porto de Ovelha e se Passos Coelho fez uma fogueira com as velhas chancas em Vila Real. Um coisa é certa, mas não sei quem foram os empresários: estes quatro deixaram a terrinha, cada qual do seu canto, aventuraram-se a Lisboa, fizeram os respectivos coliseus e hoje têm o País a seus pés. Melhor dizendo: debaixo dos pés. No tempo do analfabetismo moral e de outros rasteirismos, eles são os maiores de Portugal. E usam calçado de polimento, fraque e luvas.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Mais André Almeida, a pedido

Anda por aí uma rapaziada que pensa que não há vida para além da política e que faz da política um jogo de capelinhas, interesses inconfessados, intriguismo, umbiguismo e ciumeira. Esses pobres de espírito nunca conseguirão distinguir uma opinião honesta e independente nem que ela lhes seja cagada por uma gaivota, com toda a força, em cima da cabeça. Julgarão sempre que estão a sangrar.
A propósito do meu texto sobre o ex-deputado André Almeida (que, na verdade, era sobre outra coisa...), um leitor do Tarrenego!, que assina Luís Silva e que sinceramente não creio que pertença ao grupo de que falo no parágrafo anterior, pergunta, muito correctamente, aliás, se aquilo não era uma "encomenda". Era. Mas é claro que era. E como o caderno de encargos previa a elaboração de dois textos, cá está o segundo.
Como já expliquei ao senhor Luís Silva, não tenho o prazer de conhecer pessoalmente o André Almeida e só falei com ele uma vez, pelo telefone, não por acaso em Fevereiro de 2008. Sei tanto da vida do PSD, ou da vida de outro partido qualquer, como o senhor Luís Silva sabe da minha. Isto é: nada. Fui a Arouca uma vez e gostei. A famosa vitela é que me pareceu uma coisa como outra qualquer. A vitela de Fafe é incomparavelmente melhor. Mas decerto errei no dia, fui pelas Festas das Colheitas, em 2005. Posta assim ao léu a minha declaração de desinteresses, devo acrescentar que admiro as pessoas bem intencionadas, ingénuas ou não, vaidosas ou não. Para cínico, basto eu.
André Almeida só não vingou como deputado porque fez tudo mal. Chegou a Lisboa e avisou que queria trabalhar, disse até qualquer coisa do género "Acho que posso ser útil no Parlamento". Ora, os deputados não estão lá para trabalhar, muito menos para serem úteis. Os mais velhos decerto que ensinam isso aos mais novos, mas o jovem arouquense deve ter faltado às aulas. Depois foi a desgraça que se viu. André Almeida teve a lata de admitir que ganhava demais e levou nas orelhas, mas, mesmo desterrado para os bancos da cozinha, lá aparecia de vez em quando, provavelmente quando não estava mais ninguém no hemiciclo, a puxar por Arouca e pela sua região. Ainda por cima, tinha a mania de "prestar contas" aos eleitores com permanente informação no seu site oficial. A verdade é esta: deputados assim não interessam, dão má fama à Assembleia da República.
Afirma o senhor Luís Silva que "era habitual" André Almeida fazer encomendas de textos "sempre que ia caindo no esquecimento". Aqui fica o registo. E faz notar também que, no meu texto, "faltou dizer" que o ex-deputado "não apoiou Passos Coelho na luta contra Rangel". Não faço a mínima ideia se o André Almeida apoiou ou não apoiou o Passos Coelho e nem sei o que é que isso interessa para o caso. Mas isto sou eu, que estou por fora das intrigalhadas partidárias. E já agora: o Passos Coelho lutou mesmo contra o Rangel? Gostava de ter visto. Embora eu ache, se me permitem a sugestão, que um combate entre Rangel e Marques Mendes era mais equilibrado.

Informo a estimada clientela que tenho a produção toda tomada até ao final do ano. Novas encomendas só serão consideradas a partir do dia 2 de Janeiro de 2012.

sábado, 3 de setembro de 2011

Estes ex são uns chatos!

Manuela Ferreira Leite, ex-ministra das Finanças e ex-líder do PSD, ataca a política fiscal do Governo. Diz que "de justiça tem pouco e de eficácia tem nada" e que "já se ultrapassou o limite do possível".
Marques Mendes, ex-líder do PSD, afirma que o novo aumento de impostos anunciado pelo Governo (o terceiro em três meses) "não foi bem explicado" e acusa o Executivo de Passos Coelho de não estar a cumprir com as promessas eleitorais.
Vasco Graça Moura, ex-eurodeputado social-democrata, declara que o "aumento de impostos está a traduzir-se num incomportável sacrifício das classes médias".
Mário Soares, ex-Presidente da República e admirador confesso de Passos Coelho, mostra-se "preocupado" com as medidas de austeridade aplicadas pelo Governo PSD/CDS, admitindo que Portugal está "a caminhar valentemente para o limite" do que a classe média pode suportar de impostos.
Estes ex são uns chatos! Ainda por cima, têm razão.