Mostrar mensagens com a etiqueta JN. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta JN. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de julho de 2025

A um dia de abrir portas

O JN anuncia alegremente: "A um dia de abrir portas, recinto do Marés Vivas está quase pronto".  Até calha bem. Porque, lá está, o festival começa amanhã.

domingo, 13 de outubro de 2024

O desejo cumprido da filha de Mourinho

Diz o Jornal de Notícias, que, nestas e noutras coisas, não quer ser menos Correio da Manhã do que os outros: "Filha de José Mourinho já está casada com desejo cumprido". Ora isso é o que se quer num casamento à moda antiga. Ainda bem que ficou satisfeitinha.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Chegou a vez deles

Foto Hernâni Von Doellinger

Começava o ano de 2009 e o grupo Controlinveste, de Joaquim Oliveira, perpetrou o despedimento colectivo de 122 trabalhadores, mais de 50 dos quais eram jornalistas. A Controlinveste era dona do Diário de Notícias (DN), do Jornal de Notícias (JN), do 24horas e do desportivo O Jogo, além da rádio TSF, da revista Volta ao Mundo e dos canais televisivos SportTV. Desde os anos oitenta que não acontecia uma razia assim em Portugal, quando fecharam títulos como O Diário, o Diário Popular e o Diário de Lisboa.
Em Janeiro de 2009 eu era jornalista do 24horas no Porto e o 24horas no Porto acabou. O DN no Porto ficou reduzido ao osso e o JN passou mais ou menos incólume pelos pingos da chuva, fora o azar de uns poucos que decerto tinham a mania de desagradar às chefias, as quais, nestas coisas do salve-se quem puder, geralmente são piores do que os patrões.
Fez-se greve. Uma greve coitadinha, isto é, fizeram greve os que iam morrer, e poucos mais, embora tenha sido tentada uma coisa em grande, testicular, greve geral do grupo, num plenário que foi uma desgraça. Os jornalistas do JN, sobretudo os promissores jornalistas do JN, evidentemente na rampa de lançamento para voos que afinal nunca alcançaram, avisaram logo que não, que era preciso ver o quadro completo, não vamos agora prejudicar uns por causa dos outros, que já estão condenados e estão, as coisas são como são, sejamos realistas, é uma chatice, isso é, pá, acontece, solidariedade, sim, obviamente, para isso cá estamos, força!, mas uma palmadinha nas costas também já chega.
Eu disse: "para palermas não estais nada mal, meus refinados filhosdeputa, e ainda me vou rir quando chegar a vossa vez", e vim-me embora a meio da coisa. Vim-me mesmo embora. Literalmente. Definitivamente. Tiveram de me procurar, se quiseram "despedir-me"...
Termina o ano de 2023. A Controlinveste, de Joaquim de Oliveira, chama-se agora Global Media Group (GMG), detém os títulos JN, DN, TSF, O Jogo, Dinheiro Vivo, Notícias Magazine, Delas, N-TV, Motor24, Men's Health, Women's Health e Açoriano Oriental, e vai desempregar mais 150 trabalhadores, parece que 40 só na redacção do JN. Ó caralho! Aqui-d'el-rei, que isto agora é connosco, gritou-se ali para os lados do Monte dos Burgos, que a Torre foi vendida para hotel, o JN fez mesmo greve, e logo dois dias, viva o luxo!, não saiu à rua "pela primeira vez em 35 anos" e foi um sucesso.
Ou por outra, chegou a vez dos palermas de 2009 e eu, devo confessar, afinal não acho piada nenhuma...

P.S. - O Sindicato dos Jornalistas propõe uma paralisação de uma hora no próximo dia 6 de Janeiro em todas as redacções de Portugal continental e ilhas, "num abraço solidário a estes camaradas", isto é, aos jornalistas do GMG, isto é, aos "corajosos" jornalistas do JN. O que é porreiro e, por outro lado, não deixa de ser irónico.

domingo, 7 de maio de 2023

Cristina Ferreira aos bocadinhos

Atenção! A Senhora Dona Cristina Ferreira acaba de regressar do Rio de Janeiro. Esteve lá uma semana e "viveu várias experiências". Dou de caras com a momentosa notícia no JN, parece-me. "Nas redes sociais", a Senhora Dona Cristina Ferreira informa, depois de chegar a casa: "Fica sempre um bocadinho de mim no Rio de Janeiro" - conta, acutilante, o jornal. Ora, eu não sei quantas vezes é que a Senhora Dona Cristina Ferreira já foi ao Rio, e portanto também não faço ideia da quantidade de bocadinhos da Senhora Dona Cristina Ferreira que já por lá ficaram. Temo no entanto por ela, pelo que resta dela. Se insistir nas viagens ao Rio de Janeiro, deixando sempre lá um bocadinho, qualquer dia não há Senhora Dona Cristina Ferreira para voltar a Portugal, por mais imensa que ela julgue que é. E ficarmos sem a Senhora Dona Cristina Ferreira, nem que seja só um bocadinho, um bocadinho qualquer, suspeito que haverá de resultar em irremediável prejuízo para as "redes sociais" e aliás também para os "jornais"...

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Sim, mas os cãezinhos, Senhor!...

"Portugueses já gastam mais com cães do que com bebés", dizia a capa do semanário Expresso, em Outubro de 2011.
Meados de Agosto de 2015. "Cão deixado no lixo dentro de um saco gera onda de solidariedade em Vila Real", anunciava o jornal Público, em título fim-de-semaneiro. E acrescentava: "Plataforma Proanimal alerta que nesta altura do ano há mais animais abandonados e menos pessoas disponíveis para os acolher."
Verdade como punho, ontem como hoje. Embora não gere nenhuma "onda de solidariedade", está curiosamente a acontecer o mesmo com os velhos e com os recém-nascidos, por assim dizer, humanos - cada vez mais abandonados e com cada vez menos pessoas disponíveis para os acolher.
Soube-se exactamente ontem, contado pelo JN: "Em cinco anos [2017-2021], 43 bebés foram abandonados à nascença ou nos primeiros seis meses de vida pelos pais". Quarenta e três, números oficiais, porque na verdade podem ser mais. Em Portugal. É. Vivemos realmente uma "altura do ano" filhadaputa. Mas os cãezinhos, Senhor...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

O que é preciso é Benfica

Parece que Joaquim Oliveira vendeu os jornais a Angola. E depois? Qual é o escândalo? O que é que Portugal perde com a passagem do Jornal de Notícias e do buraco do Diário de Notícias para as mãos de um grupo angolano? Perde independência? Isenção? Credibilidade? Transparência? Rigor? Qualidade? Profissionalismo? Competência? Seriedade? Memória? Deontologia? Dignidade? Referência? Jornalismo? Não se perde o que não há. Talvez se percam empregos. Mas estou em condições de assegurar que isso já aconteceu outras vezes, mesmo antes da chegada dos angolanos.

Uma vez, o estado-maior da Controlinveste descia no elevador do Edifício JN do Porto e eu também. Eu era um dos prescindíveis do 24horas, excesso de bagagem, mas ainda não sabia. Entrei a meio caminho para ir a casa comer a sopa. Ir num pé e vir no outro. Disse boa tarde, mas ninguém me ligou. Aquela gente não ouve, não vê nem pensa para além do umbigo de cada qual. Iam todos entretidos na galhofa, preparando mais uma leva de despedimentos. A maior de todas. Eram os filhos do Joaquim, acolitados por um ou dois administradores anónimos limitados e pelo director de publicações, João Marcelino. E era exactamente Marcelino o animador de serviço, exibindo a capa do Diário de Notícias daquele dia. Dizia o também director do DN - "O que é preciso é isto: mete-se aqui este vermelhinho e está o assunto resolvido, é só vender".
João Marcelino referia-se à foto do Benfica que dominava a primeira página do DN. E (deixemo-nos de hipocrisias) não estava a dizer nenhuma asneira. Haja Benfica! O Diário de Notícias tem finalmente quem o compre...

P.S. - Publicado originalmente no dia 19 de Outubro de 2012. O Diário de Notícias saiu à rua pela primeira vez no dia 29 de Dezembro de 1864. E, mais ou menos à rasca, anda às voltas até hoje. Quanto a Oliveira e seus asseclas, continuaram a despedir e a destruir jornais e lares, com uma perseverança digna de registo. João Marcelino é actualmente uma das vedetas residentes do Canal 11, televisão da Federação Portuguesa de Futebol.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

E viva o Benfica!

Foto Hernâni Von Doellinger

Parece que Joaquim Oliveira vendeu os jornais a Angola. E depois? Qual é o escândalo? O que é que Portugal perde com a passagem do Jornal de Notícias e do buraco do Diário de Notícias para as mãos de um grupo angolano? Perde independência? Isenção? Credibilidade? Transparência? Rigor? Qualidade? Profissionalismo? Competência? Seriedade? Memória? Deontologia? Dignidade? Referência? Jornalismo? Não se perde o que não há. Talvez se percam empregos. Mas estou em condições de assegurar que isso já aconteceu outras vezes, mesmo antes da chegada dos angolanos.

Uma vez, o estado-maior da Controlinveste descia no elevador do Edifício JN do Porto e eu também. Eu era um dos prescindíveis do 24horas, excesso de bagagem, mas ainda não sabia. Entrei a meio caminho para ir a casa comer a sopa. Ir num pé e vir no outro. Disse boa tarde, mas ninguém me ligou. Aquela gente não ouve, não vê nem pensa para além do umbigo de cada qual. Iam todos entretidos na galhofa, preparando mais uma leva de despedimentos. A maior de todas. Eram os filhos do Joaquim, acolitados por um ou dois administradores anónimos limitados e pelo director de publicações, João Marcelino. E era exactamente Marcelino o animador de serviço, exibindo a capa do Diário de Notícias daquele dia. Dizia o também director do DN - "O que é preciso é isto: mete-se aqui este vermelhinho e está o assunto resolvido, é só vender".
João Marcelino referia-se à foto do Benfica que dominava a primeira página do DN. E (deixemo-nos de hipocrisias) não estava a dizer nenhuma asneira. Haja Benfica! O Diário de Notícias tem finalmente quem o compre...

P.S. - Publicado originalmente no dia 11 de Junho de 2014. E como se fosse hoje. O jornal 24horas nasceu em 1998 e morreu em 2010, um ano depois de os seus alegados responsáveis terem liquidado a Redacção do Porto, a sangue frio e pelas costas. Eram os primeiros dias de Maio quando nos despejaram no desemprego, e podem limpar as mãos à parede. Mas tinha piada o pasquim, que até chegou a ser bem feito, e é a bíblia do jornalismo que hoje se faz em Portugal. Quanto a Oliveira e seus asseclas, continuam a despedir e a destruir jornais e lares, com uma perseverança digna de registo.

sábado, 7 de março de 2020

Na cama com Carolina Deslandes

Estou farto de ver Carolina Deslandes na cama! Nua, após noite de, a dar de mamar ao filho, com o namorado, a aparar as unhas dos pés, a tosquiar os sovacos, e agora "doente". Quer-se dizer: eu não sou casado com ela, não lhe estou amantizado, não a conheço de lado nenhum e nem sequer me apetece - para que é que eu a quero na cama?

P.S. - Publicado no dia 12 de Outubro de 2019. Hoje é notícia no jornal que Carolina Deslandes perdeu três quilos. Eu espero sinceramente que os encontre quanto antes e em bom estado ou que lhos devolvam intactos se alguém entretanto os achar. Quem não sabe quem é Carolina Deslandes, procure. Ela é a que está na cama a fazer dieta.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A faneca, entre o crime e a falta de educação

Bem boas que elas andam, as fanecas. Já repararam? Se calhar a mãe Natureza resolveu chamar à razão a nem sempre atinada lei das compensações, mas a verdade é que, a seguir a uma época de sardinha que foi uma desgraça, a faneca apareceu-me este ano com uma categoria de que eu já nem me lembrava. Tenho-me regalado.
Gosto delas fritas. Só com sal e passadas por farinha milha, à tasco, ou então mais à minha moda, tratadas também com pimenta e limão e depois envolvidas com farinha triga e ovo. Sem outros truques ou invenções. Há derivas que aceito e como, mas estão longe de me satisfazer. Insisto: a faneca só me enche as medidas quando na sua pureza original. Frita.
Uma vez há muitos anos, pela madrugada, deixei que me metessem num barco e fui à pesca da faneca com o grupo do Adélio Santos. Quer-se dizer: eles foram à pesca e eu fui vomitar uma noite de copos e sem passagem pela cama. Não sei se serviu de engodo, mas o certo é que aquilo era peixe até dar com um pau. Seríamos uns seis ou sete naquela companha de ocasião e toda a gente teve direito a um ou dois baldes cheios de fanecas e cavalas, até eu, que pelos vistos também tinha feito a minha parte e não sabia. Estava na idade da toléria e tão tolo era que desprezei então as cavalas, hoje em dia com lugar cativo na minha lista de pitéus.
Mas voltemos às fanecas. O meu amigo Lopes, que é tão fanequeiro como eu, diz, no seu mar de sabedoria, que "a faneca é um peixe muito honesto". E é. Em diversos sentidos e apesar de já ter andado por aí na boca da malandragem armada em carapau de corrida. A este respeito (ou a respeito da falta dele), torno a Fafe, à década de setenta do século vinte: quem é desse tempo e não se lembra de aproveitar a barafunda das quartas-feiras para passar por elas, pelas gajas, em Cima da Arcada, roçar-lhes o cotovelo pelas mamas como quem não quer a coisa, dizer-lhes entredentes "Ah, faneca, comia-te toda!" e levar um estalo na cara que acabava logo ali com todos os tesões? Quem não se lembra, nem era homem nem era nada. Ou então sofre de Alzheimer e está desculpado.
O Lopes tem razão: a faneca é um peixe muito honesto. Depois, há fanecas mais honestas do que outras. Em minha casa, por exemplo, só entram fanecas do alvor, pescadas já dentro da manhãzinha, como daquela vez com o Adélio mas agora por mãos que sabem. Um luxo. Mordomia matosinhense. São fanecas do mar que eu vejo da minha varanda. Madrugo também, compro-as vivinhas da silva, ainda sem terem passado pelo castigo do gelo e isentas de outras burocracias normalizadoras e estragativas, amanho-as eu, eu é que sei. Não menos importante: comemo-las no próprio dia. Exactamente. Elas andam bem boas, mas é preciso saber dar-lhes as voltas.

(Texto escrito e publicado originalmente no dia 21 de Março de 2012, então sob o nome de "Fanecamente falando", mas também já se chamou "Em nome da faneca, ou quando o piropo é crime". Repito-o mais uma vez porque gosto muito de fanecas e de mamas, e também por causa de uma notícia que vi hoje sem querer no JN.)

sábado, 11 de junho de 2016

Elvis não morreu e o jornal 24horas também não

- "Filha de Diana Chaves e César Peixoto estreia-se na moda", informa o Diário de Notícias.
- "Lourenço, o "bebé milagre", já está a ser alimentado com leite humano", relata o Público.
- "Pais e avós disputam a guarda do bebé-milagre [o pequeno Lourenço]", diz o Jornal de Notícias.
- "Dolores Aveiro reza em Fátima pela selecção", revela a Sábado.

Os Oliveiras e seus lambe-botas corcundas rebentaram com o jornal 24horas. Que seria uma merda, mas uma merda muito bem feita e que lhes saía ao preço da uva mijona, de tão bons e poucos que éramos. Há treze anos, quando lá suava as estopinhas e os jornalistas de referência, gravata e fato às riscas faziam pouco de nós, eu dizia-lhes que se rissem baixinho, porque um dia todos os jornais portugueses seriam como o 24horas. E são. Todos. Embora feitos evidentemente por jornalistas de referência, gravata e fato às riscas que trabalham pouco e agora já não têm vergonha nenhuma, nem do prejuízo que dão. O bom jornal 24horas de Alexandre Pais, que uma certa e determinada rapaziada depois descarregou sanita abaixo, está, hoje em dia, muito bem representado na imprensa nacional. "Je suis 24horas", dizem eles todos os dias, sem saberem que dizem, porque eles também não sabem o que fazem. Mas o 24horas, o genuíno, faz falta, e então nesta época tão asinina seria um mimo! Não fazem ideia do que eu me rio ao ler os momentosos assuntos que copiei ali para cima e a pensar no que nós teríamos feito com eles. Seria um sucesso, diariamente a malhar e o público e pedir bis, coisa para anos. A desgraça que nos caiu em cima foi ter-se-nos acabado o folhetim da "pequena Maddy", que era o nosso abono de família. A extraordinária CMTV anda agora a desenterrá-la e deve estar a facturar em grande...

P.S. - De acordo com o DN, a filha de Diana Chaves e César Peixoto, a modelo estreante, tem quatro anos.

sábado, 4 de junho de 2016

Beber água é um perigo e pode até ser mortal

"Uma turista morreu em Amsterdão por ter bebido muita água em pouco tempo, quando estava sob o efeito de drogas." - informa o JN. É o que eu estou farto de dizer, mas ninguém me liga: beber água é um perigo. Esta turista, por exemplo, estava na boa, na sua, normalmente, "sob o efeito de drogas", e morreu porque... bebeu "muito mais do que dois litros de água". A puta da água, esse vício! Portanto, drogue-se à vontade mas beba vodca, por amor de Deus! Sele a torneira da companhia, para sua segurança. O JN avisou. Muito obrigado, JN!

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Histórias de cemitérios e pilas curtas

Conta o JN que: "Um homem, de 38 anos, apresentou queixa na GNR em Felgueiras contra a ex-companheira, por acreditar que esta realizou uma feitiçaria, com terra de cemitérios, que lhe faz encolher o sexo. Para evitar que o pénis desapareça, o indivíduo envolve-o com fita-cola."
Porque é que nunca me apareceu uma história destas quando eu escrevia notícias? Que raiva! E porque é que nunca me lembrei do truque da fita-cola? Que raiva, que raiva!
Sobre cemitérios e espantos já aqui perorei, no dia 29 de Outubro de 2011, então usando o título de "Bruxedos à moda do Porto". Mas bebamos mais um copo, porque a ocasião merece. E o texto era:

Esta é a sério. Durante uma semana, um alguidar contendo um enorme galo sem cabeça e outras miudezas feiticeiras esteve em exposição no passeio junto ao portão de um dos cemitérios da cidade do Porto. O bruxedo apareceu ali da noite para o dia, toda a gente se queixou, toda a gente se desviou e ninguém teve coragem de mexer na coisa, de a mandar para o lixo. Nem o padre da igreja ao lado nem os coveiros. Trabalhar com almas e mortos está bem, desafiar maus-olhados é que não.
Passou-se um, passaram-se dois, três, quatro, cinco dias, e o galo ali, possivelmente já com o serviço feito e portanto sem mais poderes, mas nem assim alguém ousou tocar-lhe. O pessoal da Junta de Freguesia foi unânime, cada um passava a encomenda para o que vinha atrás, "Eu não, bruxedos não", até que a vizinhança viva reclamou (ciciando padres-nossos e ave-marias, de terço na mão e muitos sinais da cruz) que já não aguentava com o fedor.
Ora, o fedor, como toda a gente sabe, é problemática que sobe à alçada camarária. Em conformidade, foram requisitados os serviços de limpeza da cidade, que chegaram ao local e resolveram o assunto em três penadas. Isto é: "Eu também não, bruxedos não"...
Perante o impasse, alguém tirou a mola de roupa do nariz e alvitrou que se chamassem os Comandos da Amadora, um pediu a presença da Brigada de Minas e Armadilhas da PSP e outra ainda sugeriu que se mandasse vir o Bruxo de Fafe para fazer marcha-atrás à coisa, tornando seguro o seu manuseamento. Mas a Junta não dispunha de verba orçamentada para pagar a especialistas.
Foi quando um dos da Câmara se lembrou que o Canil Municipal tem um camião com um gancho, uma espécie de braço mandado que podia solucionar mecanicamente, com os homens de longe e sem risco de agoiros, aquele problema bicudo. E ao sexto dia o todo-poderoso veículo veio e levou a coisa, para sossego enfim de todos os moradores, vivos e mortos, amém.
Esta história antiga foi na semana passada. 

terça-feira, 3 de março de 2015

O Kosovo é em Cabeceiras de Basto

O Exército português está a preparar a próxima missão no Kosovo em Cabeceiras de Basto. Mais concretamente na aldeia de Busteliberne, que deve ter sido escolhida derivado ao nome. O multijornalista Carlos Rui Abreu, que acompanhou a invasão, publica no JN um excelente conjunto de fotografias.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Veja o vídeo, diz o Jornal de Notícias


Aconteceu realmente o extraordinário: uma menina de três anos morreu duas vezes e o Jornal de Notícias manda-nos ver o vídeo. Uma menina. De três anos. Morreu. Duas vezes. "Veja o vídeo". A menina era das Filipinas e o JN devia ir à merda.

terça-feira, 24 de junho de 2014

A notícia que me estava a fazer falta

"Penteado de Ronaldo não é homenagem a bebé com doença grave", anuncia o JN com o maior destaque que pode e sabe. Não é. Os outros alegados jornais estarão certamente também em cima de tão momentoso não assunto. E depois ficam admirados...

domingo, 19 de maio de 2013

Pílulas defeituosas e engravidadoras

O título da notícia do jornal, na secção de Saúde, diz: "40 mulheres engravidaram devido a pílulas defeituosas". Não quero levantar falsos testemunhos, mas desconfio que também deve ter havido sexo.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Extraordinário: José Mourinho faz 50 anos! 2

- Então, o nosso Mourinho?
- Extraordinário. Cinquenta anos! Como é que ele consegue?
- É verdade. Não se fala de outra coisa...
- Pois não. E compreende-se. São cinquenta anos. Cinquenta! O homem merece.
- Claro que merece. E tu?
- Eu quê?
- Tu. Anos...
- Eu? Cinquenta e cinco.
- Cinquenta e cinco? E cinco? Mas isso ainda é mais extraordinário! Porque é que os jornais não se interessam por ti?
- Por causa da idade...

(1. "Mourinho 50 anos: meio século de glória" é, de longe, o melhor título com que a imprensa nacional presenteou, por estes dias festivos, o actual treinador do Real Madrid. Começou cedo o fenómeno: nasceu e pronto.
2. José Mourinho disse ao JN que "quanto mais velho, melhor treinador". A rapaziada dos jornais, que gosta de chutar os "velhos" para canto, riu-se um bocado com isto.)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Praticamente de acordo (ortográfico)

Qual é a diferença entre um espetador e um espetador? Numa tourada, por exemplo, o que é que distingue os espetadores dos espetadores? Uns pagam bilhete e os outros fazem os touros pagá-las, é isso? E espetadores de gelo: são adereços muito jeitosos para filmes de suspense ou uma audiência que não reage, por melhor ou pior que a fita seja? O que devo pensar quando leio um título de jornal que me diz que "Acidente em rali francês provoca a morte a dois espetadores"? E, já agora, no voyeurismo, quem é o verdadeiro espetador: o que fica a ver ou o que copula?

domingo, 11 de março de 2012

A revolta dos católicos

Ao lado da notícia com vídeo acerca do "Cão [que] toca piano e canta para alegrar a casa", o JN avisa o País e o mundo que os "Católicos [estão] revoltados com possível fim do feriado de Todos os Santos". Num exaustivo trabalho de investigação, realizado ontem, antes de almoço, em três "cemitérios rurais de Viana do Castelo", o jornal de Rui Reininho ouviu a Dona Filomena, a Dona Clementina, o Senhor Joaquim e a Dona Lúcia, "visivelmente emocionada". Os quatro falaram a uma só voz por nós todos católicos, falaram por Portugal inteiro: esta mancomunação entre Governo e Vaticano é um "erro crasso", é uma "heresia".
E foi mais ou menos assim que as Cruzadas começaram. E uns séculos mais tarde, mas ao contrário, foi mais ou menos assim que se deu a Reforma. Depois não digam que o JN não avisou.

Por outro lado, eu sei o que isto é. Percebo porque é que o JN não larga Viana do Castelo e a "religião", enquanto a coisa ainda está quente. (Um dos cemitérios onde o jornal esteve, e não por acaso, foi o de Vila de Punhe). E protesto aqui o meu mais profundo respeito pelos jornalistas que se expõem e sujam as unhas a esgravatar estas histórias. Os que os mandam e fazem títulos é que estão bem, no quentinho dos gabinetes a estrear, ou então na manicure.