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sábado, 26 de agosto de 2023

Excelentíssimos senhores jogadores de futebol

Foto enviada por Adelino Teixeira, ex-jogador da AD Fafe

Esta fotografia, esta extraordinária fotografia que o Adelino Teixeira fez o favor de enviar-me, vai dar-nos pano para mangas. Voltará aqui certamente mais vezes para ser dissecada até à exaustão, porque ela bem o merece, mas por hoje foco-me apenas na primeira coisa racional que me veio à cabeça logo que me passou a emoção de a ter recebido. "Olha-me estes tipos! Olha-me que categoria! Que classe!", pensei, sem me ter apercebido de que tinha falado alto, e a minha mulher acudiu aflita a ver o que era e concordou logo comigo, que nem é a sua especialidade.
Este é um documento de 1966 e apresenta a comitiva da AD Fafe posando nas escadarias de Santa Luzia certamente antes de um jogo contra o Vianense que acabaríamos por perder por 5-0, mas esta última parte não interessa para nada. O Adelino, que consta no retrato, atrás do Gil Lobo e do Costa, quis que eu tivesse finalmente um registo do Nelinho, como era meu desejo antigo, fez-me a gentileza e o grande Nelinho cá está na primeira fila, com o Dr. Marques Mendes, o Barrinhos e o Zeca Barros.
No pólo oposto, lá em cima, ainda dá para reconhecer o menino Berto Dantas na galhofa com o João Americano, realmente um pândego que se ouvia a quilómetros, tanto que até foi para o Riopele. E o Toneca. O Toneca, com quem tive a honra de acamaradar anos mais tarde numas belas saltadas à Pica para despacharmos numa fervurinha dois ou três quartilhos de tinto. O Toneca tomava conta da piscina e eu, moço de 21 ou 22, fazia a secretaria do Fafe. Fechávamos portas e lá íamos de motorizada com aqueles capacetes de plástico cómicos e irrelevantes enfiados na cabeça, o velho Toneca à frente e eu atrás, agarrado a ele. Era ir num pé e vir no outro. Mas isso já é outra história e por acaso dá-me saudades...
A fotografia, que é o que aqui interessa. A fotografia e os jogadores de futebol. Que conjunto perfeito! Um grupo onde nem faltam o motorista da Mondinense nem, espero estar a ver bem, o bom do Silvino, todo tirone. Num tempo em que não havia "fatos oficiais", em que os jogadores corriam por gosto, num amadorismo quase perfeito, assim se apresentavam, asseados por conta própria, os formidáveis representantes da AD Fafe, da vila e do concelho de Fafe, em última instância, por esse país fora. Não me lembrava disto assim, juro. Reparem na magnífica planta destes jovens! Que aprumo! Que pinta! Todos eles, a equipa completa, sem excepção, mas permitam-me que volte ao Costa, porque sobressai. O Costa, que toda a vida foi um homem elegante, em todos os sentidos, olhem bem para ele, é o primeiro da direita de quem vê na segunda fila, façam o favor de notar a presença, apreciem a pose - parece um modelo de catálogo, um artista de cinema. Tomaram muitos...

P.S. - Foto e texto publicados originalmente no meu blogue Fafismos.

sábado, 18 de janeiro de 2020

A maldição dos Limas

O padre Adão da Silva Lima, pároco de Deão e Subportela, em Viana do Castelo, é "acusado de sacar fortunas a fiéis idosos". O JN conta hoje que paroquianos, alguns sem herdeiros directos, emprestaram ao sacerdote, sem juros e sem datas, montantes nunca inferiores a 50 mil euros. Em troca recebiam um "Diploma de Benemérito" e, digo eu, certamente um lugar no Céu. Se chegámos ao genuíno conto do vigário ou não, o tribunal o decidirá, uma vez que pelo menos três famílias já entraram com pedidos de anulação dos alegados empréstimos.
Mas o que torna a notícia verdadeiramente curiosa é que o padre Adão da Silva Lima é... irmão do padre Alípio da Silva Lima, o sacerdote que se envolveu com prostitutas e foi vítima de extorsão. Até parece que de repente alguma maldição se abateu sobre esta família de Vila de Punhe, expondo-lhe as vergonhas nas primeiras páginas dos jornais. E se é mesmo maldição, rezo para que alguém faça alguma coisa, promessa ou exorcismo, e a escandaleira pare já por aqui! Porque, tanto quanto me lembro, ainda há mais dois irmãos... e padres.
É claro que também pode ser só azar. O azar de os Limas terem sido apanhados exactamente na altura em que o JN, assustado com a queda nas vendas, saiu finalmente do armário e se assumiu como Correio da Manhã azul.

P.S. - Texto publicado originalmente no dia 28 de Fevereiro de 2012. Acontece que o padre Adão Lima está de volta às notícias: agora são os fiéis de Santa Leocádia de Geraz do Lima que não o querem como novo pároco, acusando-o de ser "uma pessoa materialista, com grandes sinais de riqueza, autoritário, inacessível, não dialogante e um mau exemplo para a comunidade". No passado sábado o povo impediu que o sacerdote tomasse posse, fugiu da missa e, ao sair, apagou a luz da igreja. Veremos este fim-de-semana.
Quanto ao irmão, padre Alípio Lima, faleceu em Fevereiro de 2013. Tinha 62 anos.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Luz ao fundo do túnel

                                                                                     Foto Hernâni Von Doellinger

terça-feira, 7 de maio de 2013

Mais uma tourada em Viana do Castelo

Há dois touros à solta em Viana do Castelo. E "um deles marra", dizem as notícias. São dois-touros-dois, com mais de 500 quilos, que fugiram ontem da freguesia de Perre e vadiam pelos montes do concelho. Da última vez que foram avistados, durante a noite, os animais, de raça galega, andavam pela freguesia vizinha de Outeiro.
Mais uma tourada à revelia, nas redondezas da única cidade oficialmente antitouradas de Portugal. Só pode ser provocação. O município vianense, estou certo, não deixará de agir em conformidade.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Parece que o CDS não deixa

Avelino Ferreira Torres convidou-se para candidato do CDS à Câmara do Marco de Canaveses e aceitou. Eu, mal soube da extraordinária novidade, perguntei: e o CDS deixa? Pois parece que não. De acordo com a primeira página do semanário Expresso deste fim-de-semana, "os mais altos responsáveis" do partido terão sido apanhados de surpresa pela candidatura do "polémico" Avelino e prometem "chumbar a ideia". É uma questão de "embaraço político", complementa o semanário Sol, metendo ao barulho o próprio Paulo Portas.
Ora bem. Primeiro: os "mais altos responsáveis" do CDS são muito distraídos. Dito de outra forma: os "mais altos responsáveis" do CDS são altamente irresponsáveis. Estavam à espera de quê, depois de, há pouco mais de um mês, terem apadrinhado a entronização de Ferreira Torres como dono do partido no Marco de Canaveses? Escrevi dono? Então escrevi bem.
Segundo: será que o CDS está mesmo contra a candidatura de Ferreira Torres? Estará a sério (à séria, se lido em Lisboa) ou é só para parecer. Porque, como todos sabemos, o CDS é um partido sobretudo de fachada. Escrevi fachada? Então escrevi bem.
Terceiro: e mesmo que o CDS esteja realmente contra a candidatura de Avelino Ferreira Torres, será que Ferreira Torres faz caso? E será que o Marco de Canaveses quer saber do que pensa o CDS da capital? Escrevi pensa? Então escrevi mal.

E agora um coisa completamente diferente: os "motivos de saúde" que levaram Daniel Campelo a sair do Governo já são, corrigidos pelo próprio, "motivos pessoais". Percebo. Escrevi autárquicas e Viana do Castelo? Não? Então devia ter escrito. E estimo-lhe as melhoras.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Daniel Campelo sai do Governo

O Governo anda hoje às voltas com uma espécie de remodelação envolvendo alguns secretários de Estado. Daniel Campelo está de saída, isso já é certo. A informação é de que sai por motivos de saúde.

(Ler mais em E Daniel Campelo deixa?)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

E Daniel Campelo deixa?

Há uma auto-estrada no nortinho de Portugal que se chama Auto-Estrada Daniel Campelo ou Auto-Estrada do Queijo Limiano. Liga Viana do Castelo a Ponte de Lima e não é bem uma auto-estrada: é apenas um pedaço de via rápida, vinte quilómetros de quase nada e com o piso a desfazer-se. Por causa destas vergonhas é que vulgarmente lhe dão o nome de código de A27, para proteger a pessoa e o queijo em questão.
A A27 foi dada por António Guterres a Daniel Campelo. Um pagamento pelo voto que viabilizou dois orçamentos de Estado do Governo socialista. Estão lembrados? Exactamente: o famoso "negócio do queijo limiano".
Guterres era primeiro-ministro e no Parlamento faltava-lhe um deputado para ter a maioria absoluta. Campelo era presidente da Câmara de Ponte de Lima e estava na Assembleia da República pelo CDS. Em nome dos superiores interesses das populações do seu concelho e do seu distrito, o autarca-deputado mandou a disciplina partidária dar uma curva, votou com o PS e a coisa fez-se. Daniel Campelo ganhou uma auto-estrada de borla para o seu povo, entre outras importantes contrapartidas que ajudaram a desencravar a região, e foi sempre, sempre, sempre contra a introdução de portagens nas SCUT.
Agora Daniel Campelo está no Governo. É secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural. E a sua auto-estrada gratuita parece que vai ser portajada. Será que ele deixa? Será que ele se fica? Será que ele fica?

domingo, 11 de março de 2012

A revolta dos católicos

Ao lado da notícia com vídeo acerca do "Cão [que] toca piano e canta para alegrar a casa", o JN avisa o País e o mundo que os "Católicos [estão] revoltados com possível fim do feriado de Todos os Santos". Num exaustivo trabalho de investigação, realizado ontem, antes de almoço, em três "cemitérios rurais de Viana do Castelo", o jornal de Rui Reininho ouviu a Dona Filomena, a Dona Clementina, o Senhor Joaquim e a Dona Lúcia, "visivelmente emocionada". Os quatro falaram a uma só voz por nós todos católicos, falaram por Portugal inteiro: esta mancomunação entre Governo e Vaticano é um "erro crasso", é uma "heresia".
E foi mais ou menos assim que as Cruzadas começaram. E uns séculos mais tarde, mas ao contrário, foi mais ou menos assim que se deu a Reforma. Depois não digam que o JN não avisou.

Por outro lado, eu sei o que isto é. Percebo porque é que o JN não larga Viana do Castelo e a "religião", enquanto a coisa ainda está quente. (Um dos cemitérios onde o jornal esteve, e não por acaso, foi o de Vila de Punhe). E protesto aqui o meu mais profundo respeito pelos jornalistas que se expõem e sujam as unhas a esgravatar estas histórias. Os que os mandam e fazem títulos é que estão bem, no quentinho dos gabinetes a estrear, ou então na manicure.

segunda-feira, 5 de março de 2012

É um perigo ter tanto cuidado

Nevoeiro no alto da A28, entre Viana do Castelo e Caminha. Um jovem casal pára o carro, sai com toda a calma, cada um por sua porta, e troca de lugares: ele toma conta do volante e ela vai para pendura. O carro arranca, anda pouco mais de um quilómetro, deixa o nevoeiro para trás e torna a parar. O jovem casal sai novamente com toda a calma, cada um por sua porta, e volta à primeira forma: ela ao volante e ele ao lado. Realmente, em plena auto-estrada todos os cuidados são poucos...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A maldição dos Limas

O padre Adão da Silva Lima, pároco de Deão e Subportela, em Viana do Castelo, é "acusado de sacar fortunas a fiéis idosos". O JN conta hoje que paroquianos, alguns sem herdeiros directos, emprestaram ao sacerdote, sem juros e sem datas, montantes nunca inferiores a 50 mil euros. Em troca recebiam um "Diploma de Benemérito" e, digo eu, certamente um lugar no Céu. Se chegámos ao genuíno conto do vigário ou não, o tribunal o decidirá, uma vez que pelo menos três famílias já entraram com pedidos de anulação dos alegados empréstimos.
Mas o que torna a notícia verdadeiramente curiosa é que o padre Adão da Silva Lima é... irmão do padre Alípio da Silva Lima, o sacerdote que se envolveu com prostitutas e foi vítima de extorsão. Até parece que de repente alguma maldição se abateu sobre esta família de Vila de Punhe, expondo-lhe as vergonhas nas primeiras páginas dos jornais. E se é mesmo maldição, rezo para que alguém faça alguma coisa, promessa ou exorcismo, e a escandaleira pare já por aqui! Porque, tanto quanto me lembro, ainda há mais dois irmãos... e padres.
É claro que também pode ser só azar. O azar de os Limas terem sido apanhados exactamente na altura em que o JN, assustado com a queda nas vendas, saiu finalmente do armário e se assumiu como Correio da Manhã azul.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O padre voltou e o povo aplaudiu

O padre extorquido por duas prostitutas foi ontem aplaudido, no seu regresso à paróquia de Vila Nova de Anha, após um mês de afastamento imposto pelo bispo de Viana do Castelo. No final da missa de domingo, Alípio Lima dirigiu-se aos fiéis que enchiam por completo a igreja: "Agradeço todas as manifestações de apoio dos meus amigos e peço desculpa pelo incómodo causado pelos meios de comunicação social, pela exposição a que nos submeteram", disse o sacerdote, segundo o JN, e foi ovacionado de pé.
aqui o registei, a comunicação social não se portou bem neste caso. Nunca se porta bem nestes casos. Mas o padre também não se portou bem, pois não? E aproveitou ontem para pedir desculpa aos seus paroquianos pela merda que fez e pelos "incómodos" em que os meteu? A versão digital da notícia não o refere. Mas esse é que era o pedido de desculpas a fazer. O outro, o da chatice dos "meios de comunicação social", na boca do padre que ia às putas e foi comido, é só para desviar atenções e continuar a enganar o povo. Que, pelos vistos, gosta.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O padre, as putas e as putas das notícias

Sei que o que peço é muito difícil: mas se, por acaso, alguém souber de uma notícia séria - uma notícia, só isso e não mais do que isso - sobre o padre extorquido pelas gajas e, agora, por todos nós, que me avise, por favor. E os dons, as excelências reverendíssimas e suas eminências da Igreja da hipocrisia que se lembrem: ao que para já consta, o homem ia às putas, coisa de homem, e foi comido, coisa de lorpa; não andava, que se saiba, a brincar com pilinhas de meninos. Faz uma diferença muito grande! Uma diferença que os dons, as excelências reverendíssimos e suas eminências da Igreja da hipocrisia podem confirmar se por uma vez dobrarem a espinha, sem ser para se benzerem, e espreitarem para debaixo do tapete.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Assaltos na A28

Continua a onda de assaltos na A28. A Via Livre, empresa concessionária desta ex-scut nortenha, não consegue ter mão num sistema de controlo de portagens meio marado e tendencialmente rapinante que, silenciosamente, sem dizer sequer "mãos ao ar!", ataca os automobilistas mais incautos, sacando-lhes à traição dois euros aqui, três ou quatro mais à frente, numa sanha extorsionária que parece não ter fim.
Sim, falo de cobranças indevidas. E, sim, falo daqueles condutores que se fiam num sistema de controlo de portagens parido a bordo da nave do "2001: Odisseia no Espaço", um sistema que parece funcionar em roda-livre e que, portanto, não é de confiança, antes pelo contrário. E falo assim porque, pelo menos para já, não tenho razões para desconfiar que por detrás de tudo isto haja má-fé da concessionária. Boa-fé é a dos utentes, que acreditam no que não devem, não conferem as cobranças, não se apercebem dos abusos e não reclamam. Não reclamam, não há devolução. E está consumado o assalto.
As principais vítimas são os automobilistas aderentes ao sistema de isenções e descontos inventado à pressão pelo Governo de Sócrates para calar o povo e que, até Junho do próximo ano, dá direito a uma borla de dez viagens mensais em cada ex-scut. Sendo que, segundo as doutas palavras da própria Via Livre, "uma viagem resulta da agregação dos trânsitos (passagem de um veículo por um ou vários pórticos) realizados por um mesmo veículo, numa determinada via e no mesmo sentido de marcha". Isto é, só para dar um exemplo: ir do Porto a Viana do Castelo, ou vice-versa, conta apenas como uma viagem.
Como é que funciona então o esquema, esta espécie de portajacking? Em vez de "agregar os trânsitos" e marcar só a entrada e a saída da auto-estrada, o maluco do sistema, quando lhe dá na cabeça, resolve assinalar também a passagem por um ou mais pórticos intermédios, transformando artificialmente uma única e ininterrupta viagem em duas ou três... ou quatro. Resultado: quem fez apenas dez viagens numa mesma ex-scut durante um mês, todas gratuitas exactamente até à décima, passa a ter contabilizadas onze, doze... ou treze viagens. E já lhe foram ao bolso! Por uma, duas... ou três vezes.
Acha que exagero? Se também por lá anda, comece a olhar com olhos de ver para os extractos e registos de cobrança das suas passagens na A28 e depois diga-me alguma coisa.