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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ainda há boas notícias nos jornais

"DIAP pede 3 anos de prisão para Hulk" (Correio da Manhã)
Carrega Benfica!

"Prescrição evita condenação a 1489 arguidos em 2009"
(Público)
Atenção Benfica!

"Portagens nas SCUT: "Via verde para a asneira", diz ACP" (Expresso)
Cá em cima já pagamos há um ano. O ACP estará informado?

"5 jovens espancados por 5 polícias à paisana" (Jornal de Notícias)
Uso de violência mais proporcional era impossível.

"Tocador de flauta não vai ter de pagar à Câmara" (Gazeta das Caldas)
Bendito vazio legal.

"Ser Presidente da República? Eu digo claramente: não" (António Barreto, ao Expresso)
A sério? Mas engana muito bem!

"António Barreto: Portugal pode deixar de existir como país" (Expresso)
Porreiro! Este país já mete nojo.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O outro serviço secreto

O SIEV (Sistema de Identificação Electrónica de Veículos) é o segredo mais bem guardado do Estado português. Não se sabe para que serve, embora se suspeite que não serve para nada. Não se sabe o que faz, embora seja quase certo que não faz nada. Se faz alguma coisa, é de morto. Faz com que não se dê por ele. Faz que não existe. E foi assim, usando esta eficaz técnica de camuflagem, que o SIEV se safou da extinção que o Governo acaba de decretar para umas dezenas de organismos e institutos igualmente públicos e notoriamente inúteis.
O SIEV foi criado em 18 de Maio de 2009, no reinado de José Sócrates. O Ministério da Obras Públicas, Transportes e Comunicações atribuiu-lhe "o exclusivo de exploração e gestão do sistema de identificação de veículos" para pagamento de portagens. Mas isto é só fachada. Já em Junho de 2010, nas vésperas de começarmos a ser obrigados a pagar as auto-estradas gratuitas, o semanário Expresso se referia ao SIEV, em título, como "a empresa fantasma que gere as portagens". "A sociedade pública criada em Maio do ano passado pelo Governo para autorizar, gerir e fiscalizar todo o sistema de chips de matrículas e de portagens nas SCUT é uma pequena sala vazia no Paço do Lumiar", escrevia então o jornalista Micael Pereira.
E pouco deve ter mudado desde então. O site do SIEV, tal como naquela altura, continua "sem um número de telefone para onde se possa ligar" ou sem nomes de directores a quem nos possamos dirigir. É um serviço secreto. Há apenas uma "morada provisória" e um endereço de e-mail que, como se verá a seguir, também não serve para nada.

Há quase meio ano que me dirijo ao SIEV, por e-mail, solicitando uma simples informação. Tão simples, que a resposta até pode ser resumida a um sim ou a um não. Fiz o primeiro contacto no dia 5 de Abril de 2011 e procedi ao reenvio da minha missiva a 14 de Abril, 5 de Maio, 2 de Junho, 5 de Julho, 22 de Julho, 1 de Agosto, 7 de Agosto, 16 de Agosto, 22 de Agosto, 29 de Agosto, 5 de Setembro, 12 de Setembro e hoje. Sim, há dois meses que contacto o SIEV todas as segundas-feiras. Contacto, é uma forma de dizer, porque fico sempre a falar sozinho. O fantasma do SIEV não se digna sequer acusar a recepção dos meus e-mails ou mandar-me bater a outra porta.
Eu e o SIEV estamos, portanto, praticamente a festejar o nosso primeiro meio aniversário. Se vou desistir? Não! Se este é o texto da minha capitulação? Não! De hoje a oito há mais.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Assaltos na A28

Continua a onda de assaltos na A28. A Via Livre, empresa concessionária desta ex-scut nortenha, não consegue ter mão num sistema de controlo de portagens meio marado e tendencialmente rapinante que, silenciosamente, sem dizer sequer "mãos ao ar!", ataca os automobilistas mais incautos, sacando-lhes à traição dois euros aqui, três ou quatro mais à frente, numa sanha extorsionária que parece não ter fim.
Sim, falo de cobranças indevidas. E, sim, falo daqueles condutores que se fiam num sistema de controlo de portagens parido a bordo da nave do "2001: Odisseia no Espaço", um sistema que parece funcionar em roda-livre e que, portanto, não é de confiança, antes pelo contrário. E falo assim porque, pelo menos para já, não tenho razões para desconfiar que por detrás de tudo isto haja má-fé da concessionária. Boa-fé é a dos utentes, que acreditam no que não devem, não conferem as cobranças, não se apercebem dos abusos e não reclamam. Não reclamam, não há devolução. E está consumado o assalto.
As principais vítimas são os automobilistas aderentes ao sistema de isenções e descontos inventado à pressão pelo Governo de Sócrates para calar o povo e que, até Junho do próximo ano, dá direito a uma borla de dez viagens mensais em cada ex-scut. Sendo que, segundo as doutas palavras da própria Via Livre, "uma viagem resulta da agregação dos trânsitos (passagem de um veículo por um ou vários pórticos) realizados por um mesmo veículo, numa determinada via e no mesmo sentido de marcha". Isto é, só para dar um exemplo: ir do Porto a Viana do Castelo, ou vice-versa, conta apenas como uma viagem.
Como é que funciona então o esquema, esta espécie de portajacking? Em vez de "agregar os trânsitos" e marcar só a entrada e a saída da auto-estrada, o maluco do sistema, quando lhe dá na cabeça, resolve assinalar também a passagem por um ou mais pórticos intermédios, transformando artificialmente uma única e ininterrupta viagem em duas ou três... ou quatro. Resultado: quem fez apenas dez viagens numa mesma ex-scut durante um mês, todas gratuitas exactamente até à décima, passa a ter contabilizadas onze, doze... ou treze viagens. E já lhe foram ao bolso! Por uma, duas... ou três vezes.
Acha que exagero? Se também por lá anda, comece a olhar com olhos de ver para os extractos e registos de cobrança das suas passagens na A28 e depois diga-me alguma coisa.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Vá à Galiza e não pague

Os portugueses vão ser incentivados a deixarem de pagar as contas quando visitarem a Galiza. Trata-se de uma iniciativa no âmbito de um protocolo bilateral que está a ser ultimado pelo Eixo Atlântico, associação transfronteiriça que congrega 34 municípios do noroeste peninsular e que, como se sabe, até ontem não servia para absolutamente nada.
Exactamente ontem, o galego Xóan Vasquez Mão, secretário-geral do Eixo, teve a peregrina ideia de desafiar todos os espanhóis a passarem pelas nossas ex-scuts sem pagar portagens e sem medo de multas, dando a entender que o Governo português lhe prometeu que vai continuar a fechar os olhos a esse tipo de infracções quando praticadas por nuestros hermanos. E foi a partir daí que tudo se precipitou.
Numa corrida contra o tempo, uma intensa campanha publicitária está a ser preparada de ambos os lados da fronteira, para explicar às respectivas populações os exactos contornos desta inovadora operação de permuta. Foram imediatamente lançados dois slogans, embora o objectivo seja um só: para cima do rio Minho a campanha tem por título "Portugal é de rir", de Valença para baixo a campanha denomina-se "A Galiza é de graça".
Cá, os espanhóis têm à borla as auto-estradas que nós pagamos, mas lá, em contrapartida, os portugueses passarão a dispor de um interessante portefólio de fiados sem cobrança que inclui, entre outras notáveis instituições galegas, a Zara, o Corte Inglés, as bombas da Cepsa em Tui (logo a seguir à ponte velha), o Hostal de los Reyes Catolicos, o polbo á feira, o lacón con grelos, a empanada, os pementos de Padrón, o albariño e até missas de sétimo dia na Catedral de Santiago de Compostela.
É vestir, abastecer, dormir, comer, beber, rezar e vazar. Português não paga! É tudo para o tecto, para o calo. E, se houver galegos desinformados que não gostem, que vão receber ao Totta! Ou, então, que façam o favor de passar pelo posto de turismo mais próximo. Está tudo previsto no protocolo.
Mas atenção, portugueses: as portagens nas auto-estradas espanholas são para continuar a pagar. O contrário seria uma ilegalidade. E uma imoralidade.